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Crítica | Star Trek: Discovery – 3X01: That Hope Is You, Part 1

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Como todo começo de temporada, That Hope Is You, Part 1 tinha a obrigação de não só estabelecer a premissa da história a ser seguida, como também situar o espectador. É algo padrão e sempre esperado. Claro que, no caso de Discovery, a mudança completa de status quo acrescentava um elemento a mais, pois catapultar uma série para aonde nenhuma outra jamais foi, ou seja, 930 anos no futuro, poderia estabelecer uma tábula rasa completa, com regras e premissas novas para serem desenvolvidas ao longo dos episódios.

Esse pulo temporal talvez sirva para aqueles que sempre viram a série como uma anomalia inaceitável no universo Star Trek tenham um pouco mais de paciência para ela já que esse futuro é o mais para a frente que qualquer obra da franquia já foi, mas desconfio que, lá no fundo, os resmungões continuarão resmungões, pelo que não há muito o que fazer. Meu receio maior é que o distanciamento de centenas de anos fosse criar ambientes tão estranhos que a temporada toda seria usada para navegar por esses meandros, deixando a história em segundo plano.

E o primeiro episódio deixou-me com sentimentos conflituosos. Gostei muito do fato de Michelle Paradise, Jenny Lumet e Alex Kurtzman terem escrito um roteiro que espertamente reduz a magnitude do ocorrido ao final da temporada anterior à aclimatação da comandante Michael Burnham a esse futuro, sem sequer a tecnologia do Anjo Vermelho já que ela envia a armadura para um último show de fogos de artifício como havia prometido a seu irmão. Saindo do buraco de minhoca para chocar-se com uma nave, com ambos caindo no planeta, ela e o inicialmente misterioso e arredio Cleveland “Book” Booker (David Ajala) precisam unir-se para conseguir dilítio para a nave. Em outras palavras, uma missão simples e objetiva que claramente tem como escopo apresentar a Michael e, claro, aos espectadores, um pouco das circunstância e tecnologias desse futuro. A Discovery? Bem, ela está em local e/ou tempo incerto e não sabido e permanece assim até o final.

Com isso, há um grau razoável de texto expositivo, algo que não havia como o roteiro contornar. A Federação – pelo menos como a conhecemos – não mais existe e a razão para isso foi um evento chamado Combustão (ou Burn, no original) que misteriosamente fez com que quase todo o dilítio do universo queimasse. Sem motor de dobra e, portanto, sem acesso fácil aos planetas e galáxias, a Federação ruiu, o que imediatamente impacta Michael e toda sua devoção. Esse é, claro, o elemento-chave da temporada, algo que o artifício de enquadramento do episódio, que nos apresenta a Aditya Sahil (Adil Hussain) oficial não comissionado da Federação que mantém acesa a chama da entidade da maneira que pode naquele quadrante, resultando em um encerramento que consegue até mesmo ser emocionante. 

Entre uma coisa é outra, That Hope Is You, Part 1 vive de curiosidades. Há menção às Guerras Temporais por Book, vemos a surpresa de Michael ao ver Orions e Andorianos trabalhando juntos, aprendemos que teletransporte agora é portátil e precisa de 30 segundos para carregar entre cada uso e pode ser localizado facilmente, mas não por objetos sólidos ou água e assim por diante. Tudo muito divertido e simpático, mas que me leva ao conflito que senti ao terminar o episódio:  o que vemos é, basicamente, uma não-história. O roteiro é quase que um manual do que precisamos saber sobre o futuro do Universo Star Trek em 51 minutos, com o bônus da revelação de que Book tem poderes especiais que lhe permite comunicar com plantas e animais e que ele parece ser um membro do WWF dessa era, algo que me deixa dúvidas sobre o potencial narrativo para além de abrir oportunidades para o surgimento de bichos exóticos como o simpático transverme hipnótico e carnívoro que é a tão preciosa carga dele. Não sei se seria maldoso demais chamar o episódio de o primeiro filler de começo de temporada…

Claro que é cedo demais para bater o martelo positiva ou negativamente sobre isso e, sem dúvida alguma, David Ajala e Sonequa Martin-Green não perdem um segundo sequer para estabelecer uma boa química que torna a parceria dos dois muito agradável de se acompanhar. A aventura que ele vivem aqui, se vista como algo estanque, resulta em algo inegavelmente divertido e acima da média, com CGI e efeitos práticos (especialmente maquiagem e cabelo) de excelente qualidade e sem economizar na variedade de cenários e na complexidade tecnológica de Mercantile, a cidade que eles visitam (só não sei porque ele vão andando se ele tem teletransporte pessoal…).

A 3ª temporada de Discovery cumpre sua função de nos apresentar a esse futuro distante em que a Federação não é mais do que um ideal quase esquecido. Será no mínimo interessante acompanhar Michael em sua busca por sua nave e tripulação e, certamente, por sua tentativa de reconstruir a Federação Unida dos Planetas algo que, espero, não venha em um estalar de dedos ou, pior ainda, por meio do artifício da viagem no tempo para impedir a tal Combustão.

Star Trek: Discovery – 3X01: That Hope Is You, Part 1 (EUA, 15 de outubro de 2020)
Showrunners:
Alex Kurtzman, Michelle Paradise
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro: Michelle Paradise, Jenny Lumet, Alex Kurtzman
Elenco: Sonequa Martin-Green, David Ajala, Adil Hussain, Brandon McGibbon, Jake Michaels, Fabio Tassone, David Benjamin Tomlinson
Duração: 51 min.

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