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Crítica | Star Trek: Discovery – 3X02: Far From Home

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

That Hope is You, Part 1 foi um sólido começo, ainda que não espetacular, para a 3ª temporada de Star Trek: Discovery, focando em Michael e Book, novo personagem desse futuro distante para aonde ela foi. Far From Home, por outro lado, além de não ser a “parte 2”, o que automaticamente deixa meu TOC enlouquecido, é um episódio no mínimo irritante que de bom mesmo só tem a costumeira qualidade do CGI  da série, a participação de Jake Weber como o vilão da semana (mas que pode voltar) e a revelação, ao final, de que houve mais um salto temporal de um ano, com Michael já provavelmente climatizada a esse futuro e com um cabelo que levaria algo como três anos para chegar daquele tamanho. O restante é, basicamente, colocar em um saco azul, selar e jogar no lixo.

O foco, agora, é no destino da Discovery, claro. Não havia muitas dúvidas de que a temporada abordaria sem tardar o restante da tripulação e o roteiro, escrito mais uma vez pelos showrunners com Jenny Lumet, é, basicamente, um copia e cola, só que sem graça, do anterior. Mais uma vez há um pouso forçado, mais uma vez há a necessidade de procurar um elemento necessário para reparos e mais uma vez há pancadaria em um entreposto/cidade/colônia genérico. A diferença é que, agora, há inserção de um mistério que pode ser relevante para a temporada e de uma sucessão tão grande de idiotices que, confesso, estou com preguiça de abordar, mas que não tenho escolha e abordarei.

O segredo é tratado da maneira mais “mão pesada” possível e lida com o que exatamente aconteceu com Keyla Detmer durante o pouso forçado na superfície gelada. Depois de ser arremessada de sua mesa já que, apesar de se passar no futuro, Star Trek não tem o conceito de cinto de segurança, ela começa a agir de forma estranha dando a entender o óbvio, ou seja, que seus implantes cibernéticos teriam sido de alguma forma infiltrados ou hackeados por Controle, exatamente como aconteceu com Airiam na temporada anterior. Claro que pode ser absolutamente qualquer outra coisa, até mesmo enxaqueca digital, mas é impossível não fazer a ponte entre uma coisa e outra e, se for Controle mesmo, já adianto que não gosto da ideia de repetir o vilão ou linha narrativa anterior, pelo menos não tão imediatamente assim. Sem dúvida que tudo dependerá de como isso será feito, pelo que julgar agora é injusto, mas a vida é injusta, então já deixo logo aqui minha opinião pré-conceituosa.

As idiotices começam depois que as usuais tecno-baboseiras são faladas e repetidas aos borbotões sobre o estado da nave e o que é necessário para consertá-la. Nada de errado aí se isso não levasse Paul Stamets, recém-saído de um coma induzido e ainda todo quebrado, juntamente com Jett Reno, que tem suas costas arrebentadas no impacto, como os “dois patetas” salvadores da pátria que se auto encarregam de consertar sozinhos a nave criando uma sub-trama de rolar os olhos que se resume a Stamets se arrastando por um tubo, Reno dando instruções óbvias para ele (o que não faz nem sentido) e, mais para a frente, o ressuscitado Hugh Culber dando conselhos médicos importantíssimos como “respire fundo” e “tente ficar calmo” ao seu amor. O negócio chega a ser tão patético que por alguns segundos eu não conseguia sequer acreditar que deixaram passar um roteiro bisonho desses…

Mas tem mais, claro. Saru, o capitão interino da Discovery, como de costume na franquia, resolve ele mesmo sair passeando pelo planeta para achar o MacGuffin necessário para os reparos de sua nave, pareando-se com Tilly que, inexplicavelmente, reverte sua personalidade para a recruta irritante que não para de falar, como se as duas temporadas anteriores, que trouxeram crescimento visível para ela, nunca tivessem existido. Ao chegarem na Colônia e começarem a perceber que “algo errado não está certo” com a Federação, eis que surge o “grande” vilão Zareh que, se não fosse vivido pelo sempre divertido Weber, eu provavelmente teria desejado que ele tivesse sido incinerado nos primeiros 10 segundos. Mas, como Weber estava lá, então deu para aguentar até o final, mesmo que, para isso, seu personagem seja metamorfoseado de vilão clichê de sci-fi trash para personagem mal escrito mesmo.

A chegada providencial da Philippa Georgiou do Universo Espelho era mais do que esperada, mas o que não se encaixa direito com sua personalidade é essa preocupação toda que ela demonstra por Michael. Não que ela não goste de sua filha que não é exatamente filha, mas sim porque ela parece um disco quebrado só falando nisso o tempo todo como se ela fosse a versão maquiavélica de Tilly falastrona. Simplesmente parece uma outra personagem falando. Pelo menos foi divertido ver Michelle Yeoh descendo a lenha nos grandes vilões e criando um mínimo de tensão com Saru.

Aliás, falando em grandes vilões? Gelo parasita? Sério? Não podiam ter imaginado algo um pouquinhozinho mais bacaninha do que essa bobagem? Por alguns segundos me senti de volta assistindo a Série Original e suas ameaças escalafobéticas escolhidas na base do “só tenho orçamento para isso”. Discovery não precisava recorrer a isso, especialmente se não era para desenvolver essa linha narrativa para além do “Não vamos conseguir, não vamos conseguir, meu Deus… Conseguimos, que surpresa, e graças à Michael ex Machina de cabelão, oba!!!!”.

Para Far From Home ser desapontador, o episódio tem que melhorar muito. O episódio foi um banho de água fria nesse começo de temporada e eu sinceramente espero que toda a cambalhota necessária para enviar o pessoal para 930 – ops, 931 – anos no futuro não seja desperdiçada com mais bobagens como essa aqui.

Star Trek: Discovery – 3X02: Far From Home (EUA, 22 de outubro de 2020)
Showrunners:
 Alex Kurtzman, Michelle Paradise
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro: Michelle Paradise, Jenny Lumet, Alex Kurtzman
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, David Ajala, Wilson Cruz, Rachael Ancheril, Michelle Yeoh, Tig Notaro, Emily Coutts, David Benjamin Tomlinson, Jake Weber
Duração: 53 min.

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