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Crítica | Star Trek: Discovery – 3X09: Terra Firma, Part 1

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Se escrever críticas por episódio de uma temporada já vem com a desvantagem embutida de não permitir uma visão geral do que se pretende, escrever a crítica de metade de um episódio é um risco dobrado, especialmente quando o final da primeira parte é anticlimática, implorando por continuação. Seja como for, só para não perder o ritmo, decidi seguir em frente mesmo assim, sabendo que, mais do que a impressão em retrospecto de uma temporada vista como um todo, a avaliação de meio episódio pode mudar radicalmente depois do mergulho na outra metade.

Terra Firma é focado em Philippa Georgiou e marca seu retorno ao Universo Espelho em uma abordagem que era inevitável e mais do que esperada. Afinal de contas, por tudo o que ela passou com a tripulação da Discovery no universo prime – ou, claro, no universo que se acha prime – e por tudo que já vimos acontecer com ela em termos de esmorecimento de sua maldade pura e transformação em algo como um caricatura ambulante de vilania (e isso não é, vale dizer, um aspecto negativo, apenas uma constatação), era óbvio que em algum momento a Georgiou modificada teria que encarar seus fantasmas do passado e, como Star Trek é Star Trek, mesmo que alguns insistam em dizer que Discovery não é Star Trek, isso mais cedo ou mais tarde aconteceria de maneira literal.

Quando o capítulo começa, Culber e o misterioso Kovich (David Cronenberg retornando depois de sua participação em Die Trying) conversam sobre a doença de Georgiou e, sem maiores delongas, o diagnóstico é exposto por Kovich e uma cura proposta pelo computador da Discovery agora fundido com a Esfera em uma daquelas conveniências clássicas da série. Depois de mais uma reunião com o Almirante Charles Vance, em um tipo de sequência que já está ficando cansativa, devo confessar, a missão é autorizada e, também sem demora, Georgiou e Michael estão na superfície gelada do planeta Dannus V, onde encontram uma simpática “entidade” chamada Carl (o ótimo Paul Guilfoyle) que me cheira a um Q da vida que oferece uma chance de cura e, claro, um portal interdimensional – ou coisa parecida, pois nem é possível dizer ainda que o que daí realmente aconteceu ou é algo apenas na mente de Georgiou – que leva toda a ação para o Universo Espelho.

É sem dúvida muito bacana ver novamente as versões maléficas dos personagens da série e diria até que suas aparições, aqui, são mais eficientes do que na 1ª temporada, já que, agora, nós os conhecemos em detalhes (e Tilly continua insuportável mesmo como Killy, só para constar…), mas toda a narrativa, que se passa momentos antes da traição de Michael e Lorca, é completamente by the book, com as sequências de ação e os diálogos exageradamente telegrafados. Tenho consciência de que é uma jornada de redenção para Georgiou e que não há muita saída para esse tipo de história, mas toda aquele blá, blá, blá da imperatriz com Killy, depois com Michael (e nossa, Sonequa Martin-Green chutou o pau da barraca do histrionismo dramático, não?) e, mais ainda, com a subtrama dela com o Saru escravo, foram marretadas de maneira muito desajeitada pelo roteiro de Alan McElroy. Ficou parecendo o que foi essa primeira parte: uma espécie de cursinho de vestibular sobre o Universo Espelho da 1ª temporada, com toda a “matéria” sendo explicada detalhadamente, mas em velocidade quadruplicada.

Mas não posso deixar passar o cuidado da produção com o divertido design “brega rico” desse universo paralelo e a boa direção de Omar Madha que sabe o quanto expor de cada sequência, além de ter conseguido retirar uma atuação de Michelle Yeoh que se mostra uma baita fusão entre as duas Georgiou que conhecemos, criando uma “terceira” versão dividida entre dois mundos. E, mesmo querendo o retorno de Lorca, foi bom ver a forma como o roteiro arrumou um jeito de não mostrá-lo em momento algum, sem que sua ausência fosse sentida.

Por outro lado, teria gostado mais do episódio se ele fosse 100% Georgiou, sem as sequências abordando desenvolvimentos na pesquisa sobre a Combustão por Stamets e Adira. Sei que esse caminhar lento para a descoberta do que exatamente aconteceu e levou à mudança radical desse futuro que a tripulação da Discovery encontrou faz parte da estrutura da temporada, mas o incremento aqui foi tão insignificante que ele poderia ter sido incluído em algum momento posterior ao fim da trama paralela de Georgiou, seja no final do próximo episódio, seja no começo do seguinte.

Mesmo navegando por obviedades, o Universo Espelho é sempre divertido, assim como qualquer episódio que abra espaço para Yeoh brilhar, pelo que Terra Firma consegue agradar. No entanto, agora que  didatismos contextualizadores e eventos que já razoavelmente conhecíamos estão fora da equação, realmente espero que a Parte 2 traga bem mais do que apenas diversão básica.

Star Trek: Discovery – 3X09: Terra Firma, Part 1 (EUA, 10 de dezembro de 2020)
Showrunners: Alex Kurtzman, Michelle Paradise
Direção: Omar Madha
Roteiro: Alan McElroy (baseado em história de Bo Yeon Kim, Erika Lippoldt e Alan McElroy)
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, David Ajala, Wilson Cruz, Rachael Ancheril, Michelle Yeoh, Tig Notaro, Emily Coutts, Blu del Barrio, Oded Fehr, Janet Kidder, David Cronenberg, Paul Guilfoyle
Duração: 48 min.

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