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Crítica | Star Trek: Discovery – 3X13: That Hope Is You, Part 2

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Foi inegavelmente uma excelente escolha dos showrunners encerrar a 3ª temporada de Star Trek: Discovery com o que é essencialmente um episódio triplo que trabalha, em partes iguais, ação tradicional e uma abordagem mais psicológica, em duas linhas narrativas quase que separadas, uma lidando com Saru e Culber tentando controlar Su’Kal, kelpiano que deu origem à Combustão e outra com o ataque de Osyraa e sua inesperada tentativa de usar a Discovery como ficha de barganha em um acordo entre a Corrente Esmeralda e a Federação. Enquanto Su’Kal foi integralmente passado na simulação do holodeck da nave do personagem título, There is a Tide… lidou exemplarmente com ação frenética. That Hope Is You, Part 2, inevitavelmente, portanto, vem para combinar as duas histórias e para trazer um final mais do que digno à temporada.

Com a bem estruturada abordagem diplomática de Osyraa falhando graças à sua incapacidade de aceitar responsabilidade por seu passado criminoso, ela parte para a violência e para o desespero, tentando escapar com a Discovery mesmo estando cercada tanto pela Federação quanto pelos Ni’Var. Enquanto Book é torturado por informação sobre o planeta repleto de dilítio, Michael põe em movimento um plano razoavelmente complexo usando não só Tilly e os tripulantes remanescentes para arrancar a nave do hiperespaço, como ela própria tentando chegar no data core em uma excelente oportunidade para o roteiro explorar o sistema de elevadores da Discovery que lembra muito o sistema das portas dimensionais de Monstros S.A., o que faz o espectador ter uma noção do gigantesco tamanho da nave.

Mesmo que os robozinhos controlados pela Esfera que foram usados como cliffhanger no episódio anterior desapontem por basicamente não fazerem nada (ok, um deles salva Joann Owosekun, mas deu para entender o que quis dizer, não?), toda a ação no interior da nave é muito bem conduzida pela direção de Olatunde Osunsanmi, só sendo mesmo prejudicada pela necessidade – inevitabilidade mesmo, para dizer a verdade – de se cortar para Saru, Culber, Adira e o momentaneamente “corpóreo” Gray Tal tentando convencer Su’Kal a “ir para o lado de fora” para desligar o programa de realidade virtual. Não que a segunda história não seja tão interessante quanto, mas a montagem, que tentou dar tempo mais ou menos equânime para as duas narrativas tangenciais, pareceu-me brusca, por vezes parando sequências em momentos-chave para criar suspense artificial.

O mais importante é que a convergência narrativa funcionou a contento, com um crescendo de tensão que, mesmo sabendo por exemplo que a tripulação não morreria asfixiada ou que Book obviamente conseguiria usar a rede micelial, conseguiu estabelecer a tão desejada noção de perigo. No entanto, achei que foi desperdício matar Osyraa assim tão rapidamente, já que ela havia se mostrado uma oponente formidável que teria se beneficiado de uma volta futura como grande inimiga da Federação. Da mesma maneira, ainda que a dedução de Aurellio sobre Book ser capaz de “conversar” com a rede micelial realmente faça sentido e explique o porquê de o personagem lá atrás ter sido estabelecido como um empata de animais, esse “pulo lógico” teria se beneficiado de um mínimo de construção anterior, nem que fossem uma ou das frases soltas no começo do episódio, com ele supondo essa hipótese quando Osyraa e Michael falam de Stamets ser o único capaz de usar o motor de esporos.

Como alguns leitores mencionaram, tudo apontava para que Michael fosse empossada como capitã da Discovery e isso, em tese, seria um desperdício de um grande personagem como Saru nessa posição. E isso poderia ser verdade se toda a jornada não tivesse sido construída com esse objetivo. Saru ganhou excelente desenvolvimento ao longo de três temporadas e há uma lógica inafastável em ele, sensível do jeito que é, tentar fazer o máximo por Su’Kal, retornando para Kaminar. É um final – que não é necessariamente definitivo, temos que lembrar – extremamente digno para o personagem e para seu intérprete. Na outra ponta, o caminho de Michael, de prisioneira da Federação até o posto de capitã não só sugerido por Saru como referendado pelo Almirante Charles Vance, é igualmente lógico e bem construído e, vamos combinar, mais do que esperado. Portanto, o que temos que pesar não é exatamente algo como “ah, mas eu preferiria fulano como capitão” e sim se toda a progressão narrativa caminhou de maneira consideravelmente (não precisa ser totalmente, vejam bem) lógica para chegarmos ao ponto em que chegamos e tenho para mim que a série já estava madura para essa mudança, especialmente em um cenário em que a Discovery continuará nesse futuro de reconstrução da Federação.

A temporada sem dúvida alguma teve diversos problemas, mas Alex Kurtzman e Michelle Paradise (esta também no roteiro), no final das contas, souberam entregar um encerramento triplo do mais alto gabarito que sem dúvida alguma recolocou a série nos trilhos e abriu caminho para uma espécie de “recomeço”. Será interessante ver o que o futuro reserva à Capitã Michael Burnham e sua equipe do passado remoto.

Star Trek: Discovery – 3X13: That Hope Is You, Part 2 (EUA, 07 de janeiro de 2021)
Showrunners: Alex Kurtzman, Michelle Paradise
Direção: Olatunde Osunsanmi
Roteiro: Michelle Paradise
Elenco: Sonequa Martin-Green, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, David Ajala, Wilson Cruz, Rachael Ancheril, Michelle Yeoh, Tig Notaro, Emily Coutts, Blu del Barrio, Oded Fehr, Janet Kidder, Kenneth Mitchell, Jake Weber, Ian Alexander, Oyin Oladejo
Duração: 62 min.

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