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Crítica | Star Trek: Lower Decks – 2X03: We’ll Always Have Tom Paris

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Continuando uma temporada aceleradíssima em termos de humor e de referências mil ao vasto material da franquia Star Trek, mas se que isso detraia de sua personalidade, Lower Decks curiosamente entre um terceiro episódio que é o segundo seguido a ter o nome de um personagem no título – ainda que Tom Paris não seja inédito como Kayshon, muito ao contrário – mas que não tem nele o seu foco. Aliás, diria que a linha narrativa que gravita ao redor da visita de Tom Paris (Robert Duncan McNeill retornando ao seu clássico personagem), de Star Trek: Voyager, e que envolve Boimler de volta à Cerritos, é facilmente a menos interessante.

E é por isso que começarei por ela, aliás. Afinal, o retorno de Boimler à sua nave original e para a sua trinca de amigos basicamente quer dizer que este é o primeiro episódio “normal” da temporada, ainda que normal inegavelmente seja um adjetivo pouco aplicável à série. No entanto, apesar disso, o roteiro de M. Willis mantém o personagem quase que completamente afastado de seus pares, entregando-lhe uma “missão solo” relacionada com o fato de que a Cerritos não mais o reconhece como tripulante, o que torna seu deslocamento pela nave até a ponte para que ele obtenha a assinatura de Paris em um “prato comemorativo” um completo inferno que o obriga a arrastar-se pelos dutos atrás de painéis. Ainda que seja bem divertido ver a exasperação de Boimler, essa linha narrativa basicamente vive da repetição de uma mesma gag que, não demora, perde sua força.

O mesmo talvez possa ser dito do enfoque dado a Rutherford, que fica obcecado com o mistério do retorno de Shaxs, que morrera salvando-o ao final da temporada anterior, e que Boimler simplesmente explica com um hilário “ah, os oficiais da ponte sempre voltam dos mortos”. A diferença é que essa linha narrativa de Rutherford é tão Star Trek, mas tão Star Trek – e tão outras várias séries e quadrinhos por aí – que é impossível não notar o benigno “veneno crítico” escorrendo pelo canto da boca de Mike McMahan. Afinal, como não morrer de rir com o diálogo entre Mariner e Boimler basicamente listando todas as formas como isso ocorreu em Star Trek e indicando que o pessoal sem acesso constante à ponte simplesmente não sabe e não precisa saber dos detalhes. E o melhor é que, quando Rutherford finalmente descobre diretamente de Shaxs, então somos nós que permanecemos ignorantes da coisa toda. Impossível a mente não ficar a mil com como essa “conveniência de roteiro” é metalinguisticamente tratada em Lower Decks como isso mesmo, uma conveniência de roteiro cuja explicação é irrelevante. Genial.

Enquanto as outras duas histórias ficam confinadas à Cerritos, a terceira pareia Tendi com Mariner, quando a primeira é encarregada por uma particularmente nervosa T’Ana a ir até seu planeta para achar e trazer de volta um bem de família que ela precisa muito. Como Tendi nunca saiu em uma aventura só de garotas com Mariner, as duas partem em uma desastrosa missão que só revela o óbvio nessa “troca de pares”: elas pouco se conhecem e passam por um processo de afastamento até que finalmente elas se aproximam novamente. Absolutamente clichê, não tenham dúvida, mas é um clichê muito bem trabalhado que ecoa tropos cinematográficos e televisivos ainda mais comum que personagens que morrem e ressuscitam como se isso fosse algo banal. E toda essa linha narrativa é usada para que aprendamos mais justamente sobre Tendi, uma Orion que até este episódio poderia muito bem ser adjetivada como dócil, mas que descobrimos que ela está bem longe disso quando as duas são obrigadas a visitar uma base de sua raça para que um primo dela conserte o estranho objeto de desejo de T’Ana que leva a uma mais estranha ainda – e hilária! – relação de dominadora e dominado entre os parentes, como uma versão melhorada de Osyraa, da terceira temporada de Star Trek: Discovery.

Depois de um excelente recomeço com Strange Energies e o atingimento do ápice – que, espero, seja apenas um deles – em seguida com Kayshon, His Eyes Open, We’ll Always Have Tom Paris até dá a impressão de ser mais “normal” por retornar a série à sua estrutura mais comum, com todos os seus protagonistas em um local só, mas a verdade é que, mais uma vez, o showrunner acertou em cheio no que já posso chamar de “série das séries” de Star Trek. Confesso que fico até com receio do que está por vir, pois não enxergo McMahan escapando de sua própria qualidade absurda em tão pouco tempo, mas certamente estarei por perto para conferir!

Star Trek: Lower Decks – 2X03: We’ll Always Have Tom Paris (EUA, 26 de agosto de 2021)
Showrunner: Mike McMahan
Direção: Bob Suarez
Roteiro: M. Willis
Elenco (vozes originais): Tawny Newsome, Jack Quaid, Noël Wells, Eugene Cordero, Dawnn Lewis, Jerry O’Connell, Fred Tatasciore, Gillian Vigman, Robert Duncan McNeill
Duração: 25 min.

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