Home TVEpisódio Crítica | Star Trek: Lower Decks – 2X09: wej Duj

Crítica | Star Trek: Lower Decks – 2X09: wej Duj

por Ritter Fan
369 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Sabe aquela ideia brilhante que é tão óbvia que dá um pontinha de “raiva” por não a termos tido antes? Essa foi minha reação em um crescendo espelhado por meus sorrisos cada vez maiores ao assistir wej Duj, penúltimo episódio da 2ª temporada de Star Trek: Lower Decks. Afinal, se Mike McMahan foi capaz de criar uma série só sobre os personagens de fundo da franquia, era evidente, óbvio, natural, comezinho e até trivial que ele alguma hora mostrasse os subalternos das naves de outros planetas, mas, mais uma vez, o showrunner surpreende com um capítulo que não só faz isso uma vez, mas sim várias e sem perder o frescor, e, ainda por cima, costurando uma narrativa macro que consegue encapsular tematicamente toda a temporada, reunindo detalhes que vimos aqui e ali para criar aquela sensação de “uma história só”, mesmo que, lá no fundo, ele não precisasse fazer isso.

Durante um uma viagem em velocidade de dobra por 12 horas, a Capitã Freeman dá esse tempo de folga para sua tripulação descansar, mas Mariner, Tendi e Rutherford têm já compromissos variados com oficiais (a mãe quer passar o dia com Mariner, T’Ana convidou Tendi para escalar uma montanha virtual e Shaxs chamou Rutherford para fazer aula de cerâmica), o que deixa Boimler sem seus colegas e, pior, sem um “amigo da ponte” (minha tradução para bridge buddy), o que o leva a uma espiral para arrumar um, com direito a uma sequência que espelha o começo de A Última Fronteira e ele fazendo de tudo para se passar por havaiano. Mas essa linha narrativa é apenas um detalhe (excelente, mas mesmo assim um detalhe), pois o que importa realmente é que o roteiro usa esse tempo para pular da Cerritos para a Ave de Rapina klingon Che’ta onde somos apresentados ao alferes Ma’ah (Jon Curry), que deseja mais do que tudo ascender para a posição de segundo em comando e, em seguida, para o cruzador vulcano Sh’Vahl em que vemos a também subalterna T’lyn (Gabrielle Ruiz) entrar em conflito com seus colegas e comandante em razão de seus instintos.

As três naves – que justificam o título em klingon do episódio – passam, então, a dividir o tempo de tela da infelizmente curta aventura (sério, eu podia ver um longa metragem só sobre isso!), com o pessoal da Cerritos sendo nossa âncora, ou seja, nosso cantinho de conforto que nos permite mergulhar nos lower decks das outras duas culturas que, claro, não poderiam ser mais hilariamente contrastantes. Enquanto na Ave de Rapina tudo é resolvido na base da traição, lutas e assassinatos, o que é não só esperado como fomentado por todos, no cruzador vulcano a paz reina mesmo durante discussões sérias sobre a indisciplina de T’lyn que, claro, provavelmente acabará na Cerritos em razão da punição que leva mesmo salvando todo mundo da morte certa.

Mesmo mantendo o foco nas três naves, o episódio ainda consegue tratar dos pakleds – e de seus alferes que nada fazem – e a fonte de seus armamentos, além da conexão deles com os klingons, o que nos remete a The Spy Humongous, claro, e cria uma potencial ponte para o episódio de encerramento que pode abordar o novo comando de Ma’ah e a redesignação de T’Lyn para uma nave da Federação, além da crescente beligerância dos completamente parvos dos pakleds. Como eu disse, apesar de ser tecnicamente desnecessário esse tipo de cuidado por parte do showrunner, é fantástico ver que ele realmente deseja fazer de tudo para criar continuidade narrativa entre episódios, o que inegavelmente ajuda a expandir esse “cantinho” de universo que ele criou, além de cada vez mais estabelecer Star Trek: Lower Decks como efetiva parte do cânone da franquia.

Com os absolutamente imóveis lower deckers de um Cubo Borg servindo de hilário “papel de parede” para os créditos finais, wej Duj é, sem ficar escolhendo palavras que possam parecer menos hiperbólicas, uma absoluta perfeição, um episódio que oferece o que a série tem de melhor em dose tripla (ou quádrupla, ou quíntupla!) e quase que literalmente dobra a aposta ao criar – ou revelar – um arco narrativo mais amplo do que poderíamos imaginar em um primeiro momento. Lower Decks não para de surpreender e já fico de coração apertado sabendo que só há mais um episódio pela frente até que a 3ª temporada chegue em (espero!) algum momento do ano que vem.

Star Trek: Lower Decks – 2X09: wej Duj (EUA, 07 de outubro de 2021)
Showrunner: Mike McMahan
Direção: Bob Suarez
Roteiro: Kathryn Lyn
Elenco (vozes originais): Tawny Newsome, Jack Quaid, Noël Wells, Eugene Cordero, Dawnn Lewis, Jerry O’Connell, Fred Tatasciore, Gillian Vigman, Robin Atkin Downes, Joy Brunson, Jon Curry, Gabrielle Ruiz, Colton Dunn, Rich Fulcher, Marc Evan Jackson, Jessica Lowe, Jessica McKenna.
Duração: 26 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais