Home TVEpisódio Crítica | Star Trek: Lower Decks – 3X04: Room for Growth

Crítica | Star Trek: Lower Decks – 3X04: Room for Growth

O estresse de não fazer o que gosta.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

É no mínimo curiosa a escolha de Mike McMahan de colocar Room for Growth como o episódio seguinte a Mining the Mind’s Mines. Afinal, os dois episódios compartilham diversos conceitos e linhas narrativas sem, porém, terem ligações entre si. Se o capítulo anterior lidava com a rivalidade entre os alferes da Cerritos com os da Carlsbad em meio a uma situação que envolvia momentos alucinógenos, com foco em engenheiros que pesquisavam um planeta, Room for Growth lida com a rivalidade entre os alferes de dois turnos diferentes da Cerritos em meio a uma situação que envolve momentos alucinógenos, com foco em engenheiros que precisam desestressar em um spa.

Tudo bem que Room for Growth é mais contido, com ameaças que se restringem ao lado psicológico da equipe de engenharia depois que a Capitã Freeman é dominada por uma máscara que altera a configuração interna da nave para algo que se parece com uma masmorra medieval cheia de templos sacrificiais (não tem nada mais Star Trek do que isso, não é mesmo?) e eles precisam fazer tudo voltar ao normal e à competição entre os turnos Beta (dos nossos heróis) com o Delta em razão do sorteio de cabines privativas em outro deque da Cerritos, mas é inegável como há um grande tangenciamento temático entre os dois episódios, tangenciamento esse que deixa ainda mais evidente o quanto Minding the Mind’s Mines foi pouco inspirado. É como ver um episódio do Universo Espelho do anterior, com elementos ao mesmo tempo mais básicos e mais bem estruturados, sem digressões ou tentativas de abocanhar mais do que o necessário.

O deslocamento de Freeman e dos engenheiros para o spa espacial The Dove é, talvez, o melhor exemplo disso, com Rutherford e os demais engenheiros da Cerritos simplesmente não conseguindo se desligar de sua função primordial, que é arrumar soluções para problemas científicos e mecânicos, revelando, no final das contas, que a única pessoa realmente estressada ali é a própria capitã. E, nesse aspecto, fica uma lição para a vida que, claro, ganha uma abordagem reducionista no episódio, mas que não é menos verdadeira se soubermos colocar em perspectiva: quando se está fazendo o que gosta, o esforço físico e mental não é realmente sentido. E os engenheiros da Cerritos são exatamente assim, olhando o mundo com um olhar clínico para resolver pequenos e grandes problemas, algo que eles não deixam de fazer ao chegarem no spa, para a profunda indignação de Freeman que quase explode de estresse até que, claro, seus engenheiros resolvem tudo com um gadget “desestressador”.

Na Cerritos, por outro lado, a narrativa ganha contornos mais aventurescos, com Mariner, Boimler e Tendi usando um atalho para chegar ao computador que fará o sorteio dos novos aposentos para alferes de forma a fraudá-lo como o turno Delta também pretende fazer. O que segue, daí, é uma expedição pelas surreais entranhas da nave da Federação, começando pelo holodeck em que T’Ana e Shaxs vivem uma programação em preto e branco em que eles são como Bonnie e Clyde assaltando um banco, com todas as conotações e atos sexuais de algo nessa linha e passando pela parte inferior das plantações hidropônicas, com direito a gases alucinógenos que quase põem tudo a perder. Já vimos muito, ao longo dos anos, dos detalhes de bastidores das naves da Federação e Lower Decks, aqui, nos oferece uma viagem interessantíssima e quase surreal que aproxima a trinca protagonista do “turno inimigo” somente para cegá-la sobre o verdadeiro significado da amizade e o quanto compartilhar experiências e também alojamentos faz parte do processo.

Room for Growth não se vale do ótimo uso da mitologia de Grounded ou goza da força cinética de The Least Dangerous Game, mas o episódio é, sem dúvida alguma, uma versão aprimorada de Mining the Mind’s Mines que, porém, perde um pouco de sua força simplesmente pelo fato de ele ser tematicamente semelhante ao episódio anterior, de certa forma diluindo a mensagem e criando uma quase que inevitável comparação. Mesmo assim, trata-se de mais um capítulo de qualidade de Lower Decks que não para de surpreender na forma como explora os personagens de fundo da cada vez mais vasta saga espacial originalmente criada por Gene Roddenberry.

Star Trek: Lower Decks – 3X04: Room for Growth (EUA, 15 de setembro de 2022)
Showrunner: Mike McMahan
Direção: Jason Zurek
Roteiro: John Cochran
Elenco (vozes originais): Tawny Newsome, Jack Quaid, Noël Wells, Eugene Cordero, Dawnn Lewis, Jerry O’Connell, Fred Tatasciore, Gillian Vigman, Paul Scheer
Duração: 24 min.

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