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Crítica | Star Trek: Prodigy – 1X01 e 02: Lost & Found

Guardiões Trek: Rebels

por Kevin Rick
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios e, aqui, de todo nosso material sobre Star Trek.

Enquanto o lado cinematográfico do Universo de Star Trek continua mais parado que as expressões faciais de Vin Diesel, o campo televisivo está a todo vapor, com a CBS investindo cada vez mais em variedade de conteúdo. Temos a controversa Star Trek: Discovery e a animação genialmente simples Star Trek: Lowers Decks, ambas tentando trazer novidades narrativas para o cânone de 55 anos da franquia, assim como há a velha nostalgia em cena, com Star Trek: Picard – além de uma penca de show em desenvolvimento. A mais nova adição ao mundo “Trek” é Star Trek: Prodigy, mais uma animação – agora em 3D e focada em uma audiência infantil -, que segue a linha de tentar inovar ou “trazer algo novo” para uma franquia de temas e narrativas conhecidas pelos fãs – e os puristas amam isso, não é mesmo?

A ideia de inovação aqui é simples, mas extremamente efetiva: Prodigy é o primeiro programa da franquia que não segue os oficiais da Frota Estelar. Assim como acontece em Lower Decks com os tripulantes sem posições de prestígio, os showrunners Kevin & Dan Hageman querem mostrar um lado pouco explorado de Star Trek, sendo, aqui, os fora-da-lei estelares. Uma espécie de mistura entre Star Wars: Rebels e Guardiões da Galáxia, o primeiro episódio, Lost and Found, se passa no asteroide da colônia de mineração Tars Lamora, onde o prisioneiro adolescente Dal R’El (Brett Gray) está fazendo sua enésima tentativa de fuga malsucedida.  Ao longo do episódio, Dal reúne um improvável grupo para sequestrar uma nave estelar abandonada e fugir das mãos do ditador local, o Diviner (dublado pelo sempre sinistro John Noble).

O episódio inaugural faz um ótimo trabalho em apresentar os personagens e estabelecer a trama sem cair num didatismo infantil, considerando o público-alvo da série. Novamente, à la Guardiões da Galáxia, o grupo de párias vai sendo exibido de acordo com a missão, de maneira desorganizada e extremamente carismática. O fato de todos terem uma caracterização alien bastante distante do humano – e diversos entre si também – é mais um elemento bacana da proposta divergente e plural do show. Além do já citado Dal, seu típico protagonista safo e sarcástico, temos o mecânico falastrão Jankom Pog (Jason Mantzoukas); o irônico robô/corpo celestial/telepata Zero (Angus Imrie); a brucutu e também meninona Rok-Tahk (Rylee Alazraqui); e, por fim, Gwyn (Ella Purnell), filha do antagonista que acaba no grupo como refém – temos até um mascote fofo.

Apesar de contar com um elenco colorido e visualmente encantador, Lost and Found parece dar uma base de arquétipos bem comuns ao grupo, algo que me preocupa em termos de arcos de personagens e identificação com a trupe para além da estética. Ainda é muito cedo para tocar nesse ponto, mas é um pensamento receoso que mantive nas introduções de personalidades batidas, sem apresentar traços que os tornem memoráveis – o diálogo extremamente infantil não ajuda nesse ponto. A interação entre eles é, no entanto, bem divertida e pueril, especialmente no flerte/respeito entre Dal e Gwyn. Os vilões, por outro lado, não me interessaram pelo pouco que vi, mas há espaço para desenvolvimento, principalmente pensando no arco dramático de Gwyn, já que o roteiro deixa algumas pistas e indícios da relação conturbada entre ela e seu pai.

Para além da história já bem estabelecida de desajustados desbravando a galáxia, algo ainda não visto na utópica e burocrática Star Trek, me peguei algumas vezes pensando em como a obra iria se distinguir, enquanto fizesse sentido para a mitologia e linguagem da franquia. Não é uma questão de “purismo” bobo de fã, mas, bem, tem que haver um contexto com este universo – muitas vezes a série me parece mais SW que ST com a animação realista. Contudo, foi em meio a esses devaneios que Prodigy me fisgou. Tem todo um conflito de linguagem entre as espécies, que desconhecem o tradutor universal, além de alguns momentos belíssimos de descobrimento dos personagens, como quando eles entram na U.S.S. Protostar ou quando saem das minas e veem as estrelas, que demonstram uma proposta curiosa: um “olhar de fora”, como se os excluídos estivessem sendo apresentados à Star Trek e vice-versa.

E nessa ideia eu embarco, e embarco muitíssimo feliz. Prodigy soa um tantinho batida às vezes, como um produto infantil clichê que usa o nome de ST, mas quando Dal fica deslumbrado com a cadeira de capitão ou Rok-Tahk encontra o tradutor universal, a série mostra seu potencial com uma inovação de elenco mesclada com homenagem narrativa/visual ao fantástico universo de Gene Roddenberry.

Star Trek: Prodigy – 1X01 e 02: Lost & Found (EUA, 28 de outubro de 2021)
Showrunners: Kevin Hageman, Dan Hageman
Direção: Ben Hibon
Roteiro: Kevin Hageman, Dan Hageman (baseado na obra de Gene Roddenberry)
Elenco (vozes originais): Brett Gray, Ella Purnell, Jason Mantzoukas, Angus Imrie, Rylee Alazraqui, Dee Bradley Baker, Jimmi Simpson, John Noble, Kate Mulgrew
Duração: 45 min.

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