Crítica | Star Wars: Droids – A Série Completa

Depois do fim da Trilogia Original em 1983, os fãs de Star Wars ficariam em um vácuo cinematográfico que só seria quebrado em 1997 com o relançamento dos três filmes em versões especiais como forma de hypear o começo da tenebrosa Trilogia Prelúdio em 1999. Apesar da manutenção das HQs da Marvel Comics até 1986 e da continuidade da publicação de obras literárias do Universo Estendido, o vigor da franquia sem dúvida esfriara, mesmo que, na televisão, George Lucas e a Lucasfilm tenham bravamente tentado empacotar seus produtos na forma de obras voltadas somente ao público infantil, com os telefilmes Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok e Caravana da Coragem 2: A Batalha de Endor em 1984 e 1985, além das séries animadas Droids e Ewoks lançadas simultaneamente em 1985.

No entanto, mesmo que essas obras derivadas, no final das contas, tenham razoavelmente deixado sua marca em uma geração, elas tiveram vida curta, com Droids, objeto da presente crítica, só sobrevivendo por uma única temporada de 13 episódios que foram ao ar nos EUA entre setembro e novembro de 1985 com um último capítulo, de duração dobrada, sendo televisionado no ano seguinte, mais precisamente em 07 de junho de 1986. Como o nome não esconde, trata-se das desventuras solo da dupla C-3P0 e R2-D2 em um período anterior a Uma Nova Esperança.

Com Anthony Daniels voltando ao seu personagem e com o uso dos efeitos sonoros clássicos dos filmes, especialmente os “bips” de R2-D2, cortesia de Ben Burtt, o “gênio sonoro” das duas primeiras trilogias cinematográficas e que, com Pete Sauder, foi desenvolvedor da série animada, Droids é indubitavelmente focada no público infantil, mas trazendo algo relativamente raro para animações oitentistas: arcos narrativos. No lugar de estrutura a curta série ao redor de episódios soltos, cada um com seu começo, meio e fim, a obra tem como base a troca de “donos” dos dois droids, com três histórias muito bem separadas começando com a chegada do novo master e terminando com os dois tendo que, por alguma razão, largá-lo. Esses arcos até ganharam títulos: A Batalha Contra Sise Fromm (The Battle Against Sise Fromm), que vai do episódio 1X01 até o 1X04; Os Piratas e o Príncipe (The Pirates and the Prince), que vai do episódio 1X05 até o 1X09 e Espaço Desconhecido (Uncharted Space), do 1X10 ao 1X13.

Cada arco tem sua temática e seus personagens próprios criados para a série, além de participações especiais de personagens dos filmes, notadamente Jabba, o Hutt e Boba Fett (o saudoso Don Francks, que dublou o personagem em sua primeira aparição no indescritível Star Wars Holiday Special) e gira em torno de corridas de speeders no deserto, variados contrabandistas e bandidos do submundo da franquia e buscas de pedras poderosas em linhas narrativas simples, mas bem estruturadas que, apesar de não esconderem o tipo de público-alvo que miram, não as trabalham de maneiras exageradamente simplistas e bobinhas. Há um certo grau – de leve, sem dúvida – de escória e vilania que não trai o espírito da Trilogia Clássica e que acaba tornando toda a jornada divertida o suficiente também para os espectadores mais velhos.

Sem dúvida, porém, há uma repetição temática ao longo dos episódios e, mesmo dentro de cada um deles separadamente, por vezes tornando a duração regulamentar de 23 ou 24 minutos mais longa do que deveria. Não é, portanto, uma daquelas séries que é particularmente fácil de ver em uma sentada só, pelo menos não para este crítico que tem algumas dezenas de anos a mais do que as crianças a que a obra se destina. A animação é típica dos anos 80, ou seja, básica. Mas é um básico avançado, por assim dizer, com uma boa quantidade de naves e criaturas novas e originais que mostram o esforço criativo da equipe em manter a novidade acesa para os pequenos. Não gosto de como C-3P0 é desenhado, com suas seções do pescoço e do ventre na cor azul, algo que não só destoa demais de sua contrapartida do cinema, como também revela um atalho evidentemente demais para tornar o trabalho de animação um pouco mais fácil e barato.

Droids ganhou sua versão em quadrinhos também e sua curta temporada marcou a época de seu próprio jeito, saciando um pouco a sede dos fãs em ver mais de Star Wars além dos filmes. Hoje, a animação não é mais canônica, ainda que não haja grandes problemas em mentalmente encaixá-la no período entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança, com alguns personagens que até podem ter sido proto-versões de alguns criados para a trilogia atual, já embaixo da bandeira da Disney, além de menção expressa em Star Wars Rebels e de eventos e lugares na Trilogia Prelúdio. Sem dúvida uma fonte de diversão descompromissada nessa galáxia muito, muito distante.

Star Wars: Droids – A Série Completa (Idem, EUA – 07 de setembro a 30 de novembro de 1985 e 07 de junho de 1986)
Desenvolvimento: Peter Sauder, Ben Burtt (baseado em obra de George Lucas)
Direção: Ken Stephenson, Raymond Jafelice, Clive A. Smith
Roteiro: Peter Sauder, Richard Beban, Steven Wright, Joe Johnston, Ben Burtt, Michael Reaves, Gordon Kent, Sharman DiVono, Paul Dini
Elenco: Anthony Daniels, Don Francks, Winston Rekert, Graeme Campbell, Peter MacNeill, Taborah Johnson, John Stocker, Rob Cowan, Dan Hennessey, Cree Summer, Jan Austin, Long John Baldry, Lesleh Donaldson, Chris Wiggins, Stephen Ouimette, Winston Rekert
Duração: 23 min. aprox. (13 episódios) + 46 min. (especial de encerramento)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.