Crítica | Star Wars: Galaxy of Adventures (2018 – 2019)

Lado Sombrio da Crítica:

Lado da Luz da Crítica:

Dentre os vários produtos da franquia Star Wars lançados pela Lucasfilm depois de sua aquisição pela Disney, os menos falados por aí são suas “micro” webséries animadas focadas no público mais infantil. De 2017 a 2018, essa tendência foi inaugurada com Forces of Destiny, com capítulos de dois a três minutos dedicadas às personagens femininas desse universo, seguida por Galaxy of Adventures, objeto da presente crítica e, mais recentemente, Roll Out, uma surreal microssérie que transforma os famosos personagens em versões de BB-8 (sim!). É uma interessante diversificação da linha audiovisual de Star Wars, com a vantagem de todos os episódios estarem disponíveis legalmente online.

Galaxy of Adventures, composta até o momento de 36 episódios entre um minuto e um minuto e quinze segundos, foi lançada em 2018 e deixou-me com sentimentos conflitantes. Primeiro, não dá para dizer que é uma série propriamente dita, mas sim recriações de determinadas cenas icônicas principalmente da Trilogia Original (tem alguma coisa da tenebrosa Trilogia Prelúdio, mas muito pouco – indiretamente um reconhecimento de como esses três filmes são ruins) ou compilações de momentos interessantes da vida de algum personagem importante por vezes retirados dos filmes, outras criados para a série. Mas não há uma história por trás que leve de um episódio ao outro ou mesmo dentro dos episódios em si. É, mal comparando, uma sucessão de breves trailers – tira-gostos animados – das obras originais. E não, essa não é a razão pela qual eu tenho sentimentos conflitantes sobre Galaxy of Adventures, apenas uma constatação preliminar sobre sua natureza para fins de expectativa dos leitores que porventura não a conheçam.

Meu conflito é parecido com o de Kylo Ren, dividido entre o lado sombrio e o lado da luz. A questão é que um dos maiores objetivos da série (vou chamar assim para facilitar), além de vender bonequinhos novos, porque sim, há uma linha deles, é introduzir a saga aos bem pequenos em doses homeopáticas de um minuto. Isso parte da premissa que os baixinhos (he, he…) têm algum tipo de limitação cognitiva que os impedem de apreciar os filmes de sua forma mais basal. Afinal, esqueçam os bebês que nem sequer deveriam estar vendo produtos audiovisuais (muito menos Teletubbies ou Galinha Pintadinha, pois isso é viciá-los desde cedo demais) e pensem nas crianças um pouquinho maiores que já encaixam aquelas “peçonas” de Lego uma nas outras, por exemplo. Essas podem muito bem “ver” os filmes ou as animações de duração normal já existentes para terem sua primeira dose de Star Wars e não precisam de animações de um minuto para isso, pois um minuto parece ser o tempo que a Lucasfilm/Disney acha que esses pequenos mantêm a atenção em uma coisa só, enquanto eles mal sabem que são os adolescentes e jovens adultos de hoje que só conseguem ver ou escutar algo por um minuto apenas e, mesmo assim, com esforço.

Se estou soando como um velho querendo ditar como se deve ver e ouvir as coisas, não tenham dúvida: eu sou um velho querendo ditar como se deve ver e ouvir as coisas. E sim, eu sei que o mundo mudou, mas isso não quer dizer que ele precisa emburrecer no processo. E ter a capacidade de processar pequenos trechos de um monte de coisas ao mesmo tempo não é – eu repito, não é – uma característica positiva. Muito ao contrário. Portanto, se, nesse momento, você estiver revirando os olhos, cuidado para não ter câimbras oculares, ok?

Dito isso, há o outro lado – eu disse que eu tinha um conflito, não é mesmo? – e esse lado é bacana demais: a animação em um estilo de animê, só que mais “polido” e em computação gráfica, é absolutamente espetacular. Sério. Com exceção do estilo de animação daquela microssérie de extrair lágrimas de marmanjos que Genndy Tartakovsky fez (mais conhecida como a única coisa realmente boa a sair da Trilogia Prelúdio – podem continuar a rolar os olhos) em 2003, Galaxy of Adventures é a melhor de toda a franquia. Há um cuidado incrível com reflexos, com os detalhes de fundo, com a recriação de cada personagem com um toque mais leve e jovial, mas sem perder suas características marcantes, que eu fico triste em saber que alguém não teve a ideia ainda de literalmente refazer todos os filmes originais em animação com essa pegada, talvez em forma de minisséries. Seria uma (outra) máquina de fazer dinheiro nessa galáxia muito, muito distante, eu garanto.

Além disso, mesmo com a curtíssima duração de cada episódio, há algumas variações nos tais momentos icônicos que são de cair o queixo de tão lindas. Por exemplo, vemos Darth Vader, com o uso da Força, estourando a porta blindada da base rebelde de Hoth no 28º episódio; Luke jogando uma caveira e não uma pedra para baixar a porta que mata o Rancor no 30º episódio; uma versão do duelo de Luke contra Vader em Bespin capaz de rivalizar a original no 12º episódio e uma breve visão do que Chewie está pensando no momento em que R2-D2 ganha uma jogada dele no xadrez holográfico na Millenium Falcon, no 10º episódio. E isso sem contar com alguns episódios de conteúdo quase que completamente original tematizado ao redor de Stormtroopers variados, da amizade entre Han Solo e Chewie ou, claro, no melhor personagem da franquia, Boba Fett (quem não acha isso, está errado!).

E a cereja no bolo é que todos os episódios se beneficiam não só das vozes originais retiradas diretamente dos filmes, como também das trilhas sonoras de John Williams, em uma combinação perfeita de som e imagem que, como já disse – mas não canso de repetir – dá vontade de ver todos os filmes refeitos dessa forma linda e maravilhosa. Chega a ser revoltante quando o pouco mais de um minuto acaba, por vezes até no meio da pancadaria, deixando o espectador tão enfurecido quanto Leia no compactador de lixo, mas ao mesmo tempo tão feliz quanto Luke ao destruir a Estrela da Morte.

Galaxy of Adventures não deveria ser o primeiro contato de alguém com Star Wars, mas a microssérie é uma deliciosa adição às possibilidades audiovisuais desse universo. Se a intenção não é um dia refazer os filmes dessa maneira, então, pelo menos, que ela não acabe em 2019 como programado, porque é viciante ver esses tão queridos personagens nesse traço.

Star Wars: Galaxy of Adventures (EUA – 2018/9)
Direção: Barry Kelly
Elenco: Dante Basco, Nicolas Roye
Duração: 1 min. a 1’15” (36 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.