Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi (Marvel Comics)

Espaço: D’Qar (base da Resistência), D’Qar (órbita), Ahch-to, Cantonica (Canto Bight), Crait, Frota Imperial, Frota da Resistência
Tempo: 34 d.B.Y.

Todos os longas-metragens da franquia Star Wars já ganharam adaptações em quadrinhos. Isso é tradição desde 1977, quando a Marvel Comics inaugurou a extremamente bem sucedida publicação mensal com uma bela versão em quadrinhos de Uma Nova Esperança em seis edições que foi seguida de dezenas de outros números que oficialmente começaram o tão querido Universo Estendido. No entanto, com o tempo e com o sucesso da Trilogia Original, essas adaptações tornaram-se cada vez mais escravas de suas respectivas versões cinematográficas, sem espaço para que os autores inserissem seu toques pessoais.

Com isso, as transposições dos filmes para os quadrinhos perderam muito de sua força original durante a Era Dark Horse Comics, com o mesmo valendo para a volta da franquia para a Marvel. Mesmo assim, em linhas gerais, os trabalhos de adaptação nessa galáxia muito, muito distante são acima da média, demonstrando um cuidado bem maior do que outras adaptações modernas de obras cinematográficas. O Despertar da Força ganhou uma minissérie correta por Chuck Wendig e Rogue One uma adaptação bem acima da média por Jody Houser. Depois do lançamento do polêmico e divisivo Os Últimos Jedi, foi a vez de Gary Whitta, que já roteirizara alguns episódios de Star Wars Rebels, tentar sua versão.

O resultado é mais um trabalho que não arrisca desvios do material fonte, permanecendo substancialmente confinado ao que é possível verificarmos no filme, sem tentar ir além ou aproveitar a oportunidade para mergulhar com mais profundidade na mente dos personagens que aborda. Claro que isso não é culpa de Whitta, já que tenho certeza que todo adaptador dos filmes segue um manual ditado pela produção do filme, sem poder desviar-se sem autorização prévia. Mas isso nem de longe é mortal para a narrativa, mas ela, claro, passa a depender mais fortemente da qualidade da obra original em si. Como sou um dos que fortemente defende Os Últimos Jedi, mesmo reconhecendo a existência de alguns problemas de ordem técnica (fiz comentários em forma de crônica, aqui), tenho para mim que a transposição para os quadrinhos funcionou bem, ficando, em termos qualitativos, entre as HQs O Despertar da Força e Rogue One só para fins de comparação.

A narrativa é fluida e Whitta consegue resumir bem os diálogos e eventos do roteiro de Rian Johnson nas seis edições que compõem a minissérie, consistentemente mantendo a voz dos personagens conforme o diretor e roteirista imaginou. Há alguns poucos diálogos e frases que vão além do filme, mas que nada realmente acrescentam à narrativa. Além disso, um dos problemas de Os Últimos Jedi – a montagem falha que torna a temporalidade dos eventos em Ach-to e na órbita de Crait, com a aventura em Canto Bight no meio – é suavizado na minissérie, permitindo transições menos bruscas e menos solavancos nas ações paralelas.

O que desaponta um pouco é a arte de Michael Walsh (Josh Hixson apenas trabalhou com Walsh na última edição) já que seu estilo normalmente mais “rabiscado” e que funciona bem em outras HQs que li, aqui parece corrido, quase um rascunho que foi aproveitado como obra final por falta de tempo para caprichar mais aqui e ali. As feições são muito duras, pouco emotivos e ele perde oportunidade para trabalhar imagens maiores e mais detalhadas de alguns dos momentos mais épicos. Nas sequências de pura ação, por outro lado, ele consegue manejar bem a movimentação dos personagens, algo que pode ser visto especialmente na luta de Rey e Kylo contra a guarda de Snoke depois que o Supremo Líder é morto. As cores de Mike Spicer, por sua vez, são bem escolhidas e aplicadas, mantendo a exata paleta do filme, mas emprestando um toque mais pessoal do artista.

A minissérie Os Últimos Jedi consegue cumprir bem sua função de colocar em quadrinhos todos os eventos do longa-metragem mesmo que Gary Whitta tenha que ter ficado preso ao que vimos nas telonas. Não é uma adaptação que maravilhará o leitor, mas é eficiente o suficiente para justificar sua leitura por aqueles que apreciam HQs baseadas em filmes.

Star Wars: O Despertar da Força (EUA, 2018)
Contendo:
 Star Wars: The Last Jedi #1 a #6
Roteiro: Gary Whitta (com base em roteiro de Rian Johnson)
Arte: Michael Walsh, Josh Hixson (#6)
Cores: Mike Spicer
Letras: Travis Lanham
Editoria: Heather Antos, Tom Groneman, Emily Newcomen, Jordan D. White, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio a setembro de 2018
Páginas: 148

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.