Crítica | Star Wars: Rebel Mission to Ord Mantell (Dramatização Radiofônica)

Espaço: Espaço profundo, “planeta-selva” sem nome, Hoth, Ord Mantell
Tempo: A Rebelião – Eventos imediatamente anteriores a O Império Contra-Ataca (3 d.BY)

Lembram-se quando, em O Império Contra-Ataca, Han Solo diz para a Princesa Leia que havia mudado de ideia sobre ficar com os rebeldes em razão de um caçador de recompensas que ele encontrara em Ord Mantell? Pois bem, a segunda vez em que essa história é contada – a primeira foi em tiras de jornal escritas por Archie Goodwin – foi, por incrível que pareça, em um audiodrama lançado em vinil pela Buena Vista Records (curiosamente parte do conglomerado Disney) em 1983, com direção e roteiro de ninguém menos do que Brian Daley, o responsável pelos roteiros das quase que completamente irretocáveis dramatizações radiofônicas da Trilogia Original.

Bem menos sofisticada que as referidas outras obras e com uma pegada decididamente mais juvenil e bem diferente do que Goodwin escreveu para publicação nos jornais dois anos antes, a história de aproximadamente 30 minutos no total é simples e objetiva, além de ser dividida em dois momentos bem separados. No primeiro deles, o Lado A, vemos Luke Skywalker (Corey Burton) e Han Solo (não se sabe o nome do ator que viveu o personagem aqui) pilotando X-Wings para desviar a atenção do Império da base que a Aliança Rebelde está construindo em Hoth. É curioso imaginar Solo pilotando qualquer outra coisa que não a Millenium Falcon, mas é isso que vemos aqui muito antes de ele manejar o shuttle imperal Tydirium, em O Retorno de Jedi. Retornando à Hoth, a dupla reúne-se a Leia (Pat Parris), C-3P0 (Tony Pope) e R2-D2 para ouvir sobre a nova missão que dá nome ao audiodrama e que consiste em roubar o Império para fundear o que falta para a construção da base no planeta gelado.

Han, Leia e R2, então, têm que infiltrar o planeta Ord Mantell para permitir que Luke e C-3P0 pousem com uma nave roubada. Como no Lado A, o B preza pela mais completa simplicidade, com o roteiro de Daley não tentando exagerar ou arriscar, mantendo tudo mais ou menos seguro e, diria burocrático. Estranhamente, porém, o roteirista escreveu diálogos e ações para o droide dourado de protocolo que em nada combinam com sua personalidade mais acovardada, só para usar um eufemismo. Aqui, 3P0 toma a ação para si e efetivamente engana um soldado do Império, de certa forma encarnando o que seu parceiro R2 faria com a maior naturalidade. Não é algo mortal, certamente, mas chama a atenção do ouvinte o quanto esse C-3P0 é diferente do original e sem qualquer necessidade disso.

A mixagem e edição sonoras são de boa qualidade, mas não chegando à variedade e detalhismo das adaptações da Trilogia Original, o que era de se esperar, convenhamos, dada a natureza e o público-alvo do produto. Mesmo assim, Daley preza pelo material que tem e usa sons diretamente retirados dos filmes, especialmente o som de blasters, das turbinas dos X-Wings e da Millenium Falcon, além dos blips de R2 e os grunhidos de Chewbacca. Com isso, ele consegue manter uma familiaridade muito próxima ao material das dramatizações radiofônicas de alto orçamento a ponto de ser possível encarar essa aqui como um simpático prelúdio de O Império Contra-Ataca.

Rebel Mission to Ord Mantell cumpre sua função de ser uma história simples, para ouvidos ainda de idade tenra, que expande um detalhe da mitologia de Star Wars sem querer ser mais do que é. Certamente não é o trabalho mais memorável de Brian Daley, mas sua competência é sentida a todos os momentos aqui.

Star Wars: Rebel Mission to Ord Mantell (EUA – 1983)
Direção:
 Brian Daley
Roteiro: Brian Daley (baseado em personagens criados por George Lucas)
Elenco: Chuck Riley, Corey Burton, Pat Parris, Tony Pope
Duração: 30 min. aprox.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.