Home TVEpisódio Crítica | Star Wars Rebels – 3X19: Twin Suns

Crítica | Star Wars Rebels – 3X19: Twin Suns

por Guilherme Coral
157 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 5,0

  • Contém spoilers do episódio.
  • Confiram todas as nossas críticas da série aqui.

Desde que foi liberado o trailer dessa segunda parte da terceira temporada de Star Wars Rebels, os fãs foram à loucura, criando altas expectativas para o duelo entre Obi-Wan Kenobi e Maul. Expectativas, contudo, são difíceis de ser atendidas, visto que a imaginação pessoal de cada fã quase sempre trará aquilo que eles mais esperam e não necessariamente o que melhor se encaixa dentro da proposta da obra. Podemos dizer, então, que Twin Suns, o episódio que, enfim, nos trouxe o esperado combate entre o ex-sith e o mestre jedi, foi atrapalhado pela campanha de marketing do desenho, isso, contudo, não afasta nossa percepção de que acabamos de assistir um ótimo e importante capítulo de Rebels.

O duelo já tem início nos primeiros segundos do episódio: Maul percorre as areias de Tattooine à procura de Kenobi. Eles sabem da presença de cada um, o que vemos aqui é uma luta que vai muito além do encontro de dois sabres de luz e que definirá o resultado do combate muito mais que a habilidade de cada um com a espada. Maul sabe que não irá encontrar Obi-Wan se esse não quiser e, por isso, ele atrai Ezra Bridger através do holocron para o planeta, fazendo com que Kenobi saia de seu esconderijo.

O rápido duelo de sabres de luz entre os dois guerreiros certamente não agradou muita gente, fruto do hype criado pelos trailers. Mas, sem medo de errar, afirmo que esse é uma das melhores lutas de sabres de luz que vemos há anos, mais precisamente desde que Luke Skywalker enfrentou Darth Vader na sala do Imperador. Maul já estava derrotado antes de desferir o primeiro golpe – Obi-Wan estava resoluto, sua missão era clara e ele jamais poderia perder, afinal, sua conexão com a Força se tornara ainda mais forte nesses anos de reclusão. O que vemos aqui é o ex-sith aceitando a morte, procurando por ela, mas ele não poderia simplesmente tirar sua própria vida, ele é um guerreiro e precisa morrer em combate. É criado um paralelo imediato entre ele e o próprio Kenobi, anos mais tarde, quando aceita a morte pelas mãos de Vader.

Dave Filoni, que assina a direção e roteiro, ainda homenageia ambas as versões do jedi – a de Ewan McGregor e Alec Guiness. Vemos a famosa pose do guerreiro, a mesma que ele demonstrara na luta contra Grievous em A Vingança dos Sith, em seguida, ele muda para algo mais sutil, que reflete a trilogia clássica. Stephen Stanton, que já revivera o governador Tarkin através de sua voz, mais uma vez nos surpreende, nos fazendo plenamente acreditar que estamos diante do mesmo Obi-Wan de Uma Nova Esperança – não há como não ser arrebatado pela nostalgia ao ouvir a mesma entonação anos mais tarde. Trata-se de um trabalho respeitoso às origens da série. Outras homenagens ocorrem, também, como quando Ezra é atacado pelo povo da areia, no mesmo local onde Luke seria anos depois. Ou quando Ezra fala para Chopper ir por outro caminho e temos um paralelo criado com C-3PO e R2-D2 assim que eles caem em Tattooine e discutem sobre qual caminho os levará para a civilização.

O auge do capítulo, porém, vem com o desfecho do combate, com Maul nos braços de Kenobi. Vemos aqui o verdadeiro fim de uma luta que perdurara por anos a fio, desde que Qui-Gon e seu aprendiz encontraram com o Sith em Naboo. Ambos aqui são colocados no mesmo patamar, quase como velhos amigos, os dois vítimas do Império e seu imperador. Não há mais rancor entre os dois e Maul, enfim, pode morrer em paz, sabendo que ele será vingado, o que demonstra que ele jamais abandonara os ensinamentos dos Sith. É importante ressaltar, também, que esse episódio, enfim, colocou Luke Skywalker como o escolhido que antes acreditavam ser Anakin – embora isso fosse quase óbvio (por mais que, matematicamente falando, Anakin foi aquele que trouxe equilíbrio à Força), se trata de um detalhe importante dentro da mitologia de Star Wars.

Estabelecido como um capítulo extra dentro da narrativa principal dessa terceira temporada de Star Wars Rebels, como um verdadeiro acerto de contas, Twin Suns é um dos episódios mais dramáticos e expressivos do desenho, rivalizando com Twilight of the Apprentice. A trilogia prelúdio é, enfim, encerrada e de forma magistral, com a despedida de um de seus mais icônicos personagens. Ao respeitar toda a mitologia da franquia, Dave Filoni também faz menção a um dos pontos que inspirou George Lucas: os samurais. Vemos aqui um duelo que soa realista e que não deixa de ser arrebatador por isso. Uma pena que a expectativa por algo grandioso e exagerado possa prejudicar a percepção de alguns em relação a esse episódio.

Star Wars Rebels – 3X19: Twin Suns (EUA, 2017)
Showrunner:
Dave Filoni
Direção:
Dave Filoni
Roteiro:
Dave Filoni, Henry Gilroy
Elenco:
Taylor Gray, Vanessa Marshall, Freddie Prinze Jr., Tiya Sircar, Steve Blum, Dee Bradley Baker, David Oyelowo,  Derek Partridge, Stephen Stanton, Jim Cummings, Sam Witwer, Nathan Kress
Duração: 
22 min.

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21 comentários

João 3 de março de 2021 - 23:44

Achei interessante a interpretação dada pela luta mas para mim não justifica essa ser a melhor luta desde o episódio 6 pois ela é muito rápida mesmo rsrsrs. Diria que até a luta travadona do episódio 4 é melhor, naquela luta pelo menos se passa mais de 1 minuto.

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Paulo Rodrigo Silva de Campos 19 de maio de 2017 - 11:54

Nossa, eu acho que dei sorte em ver o episódio sem ver os trailers então. Fiquei absolutamente maravilhado com o duelo entre Maul e Kenobi!

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Junito Hartley 21 de março de 2017 - 18:16

O episodio foi epico, e o Kenobi tava num nivel muito alto de poder(ele ja era fodao antes imagine naquela epoca). E o final foi a cereja do bolo vendo a pronuncia do nome Luke e vendo ele correndo e o Kenobi observando e a musica tema tocando, meu olho encheu de lagrima.

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:49

Epico define muito bem esse episódio mesmo. Aquele final foi de dar arrepios!

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Dan 21 de março de 2017 - 12:06

Achei maravilhoso o duelo final de Obi Wan e Maul. Me arrisco a dizer que foi um dos melhores duelos de lightsaber da história de Star Wars.
Dave Filoni disse em entrevista que foi inspirado tanto em duelos do Sete Samurais quanto no próprio Ameaça Fantasma – o golpe que Maul tenda dar em Kenobi é o mesmo que ele desfere em Qui Gon, só que naquela vez ele foi bem sucedido e matou o mestre.
O que não gostei no episódio foi Ezra. Claro que ele devia estar envolvido de alguma forma, mas acho que se gastou tempo demais com suas andanças por Tatooine e pouco com sua interação com Kenobi.
Eles se vêem, Obi Wan diz que não vai entrar pra rebelião e… é basicamente isso. Muito rápido. Só faltou Kenobi dizer “Ezra, vc já apareceu no episódio e fez sua única função no plot que era trazer Maul até aqui, agora pode sumir”. Sei lá, acho que podia ter rolado mais 1 minutinho de conversa entre os dois. Ezra podia ter aprendido alguma coisa do mestre.

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:51

Cara, sobre o Ezra, a crítica do IGN (o dos EUA) abordou esse aspecto muito bem. Enquanto que em Clone Wars a gente tinha episódios com os mais diversos personagens, Rebels é mais centrado, toda a ação ocorre sob o ponto de vista de um dos principais: Ezra, Kanan, Hera, Sabine, Zeb ou Chopper. Ele realmente poderia ter tido mais interação com o Kenobi, mas aí é culpa desses raios de 22 minutos curtissimos.

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Dan 24 de março de 2017 - 14:12

Sobre essa diferença entre CW e Rebels vc tem razão (inclusive é um dos motivos que me faz gostar bem mais do segundo do que do primeiro, me sinto mais envolvido com os personagens e com a série desta forma) e acho que seria estranhíssimo o Ezra não estar envolvido neste desfecho do Maul, uma vez que estes personagens tinham um arco a ser resolvido.
A ambientação, o clima de faroeste, o ritmo… achei tudo perfeito. O deserto de Tatooine foi praticamente um personagem no episódio. E, ao meu ver, o desespero e solidão que Ezra sentiu meio que refletia a vida tanto de Maul qto de Kenobi. Estas escolhas do roteiro eu adorei.
Star Wars Rebels realmente faz mágica em seus episódios de 22 minutos e muitas vezes são obrigados a tomar atalhos simplistas em suas resoluções por causa do pouco tempo, entretanto, o encontro entre Ezra e Obi Wan foi superficial demais.
Poxa, Ezra quase morreu procurando o mestre! E ele sabia que OWK havia sido um dos maiores jedi de todos. Não faz muito sentido esses 10 segundos de conversa. Nem precisava muito mais. Talvez 1 minuto a mais de diálogo fosse suficiente para que acreditássemos melhor no fato de Ezra não insistir mais com o mestre e tentar leva-lo para a rebelião.
De qualquer forma, excelente crítica e episódio.

Vou procurar esta crítica do IGN.

Grande abraço

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Dan 26 de março de 2017 - 12:45

Acabei vendo a crítica do IGN e acho que foi lá que vi uma sugestão simples que teria melhorado muito o episódio:

Obi Wan deveria ter falado para Ezra nunca revelar que ele ainda estava vivo, pois tinha uma missão importante lá em Tatooine.

Pronto, com apenas este pequeno diálogo se explicaria pq Ezra não contou para ngm sobre seu encontro com o mestre e pq ele se resignou tão rápido à ideia de Kenobi não se juntar ele na rebelião.

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giovanni fernandes 21 de março de 2017 - 11:18

Man……quem não se arrepiou com aquela música subindo no final do episódio,e o obi wan cuidando do Luke,que incrível VEI,e ainda com os 2 sois,ARREPIANTE!!

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:51

GZUZ, aquilo foi demais!

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Richard Oliveira 21 de março de 2017 - 10:58

Episódio e critica sensacionais.
A questão do de quem trouxe equilíbrio a força é complexo, visto que na serie Clone Wars, em um episodio que não me lembro qual, Anakim subjuga a luz e a escuridão.

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:52

É complexo mesmo, acho que cabe à nossa interpretação!

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NOT jason todd 19 de março de 2017 - 16:59

Só passei pra avisar que o Vader sempre será o Escolhido, o próprio Lucas falou. E se temos que aceitar os episódios 1, 2 e 3, temos que aceitar a fala dele nisso também. Mas que foi foda principalmente a trilha no final, isso foi.

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:52

Negócio que o que ele disse fora dos filmes não vale mais hahahah. Ele não tem mais os direitos. Acho que cabe à nossa interpretação.

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Muppet_Erotico 19 de março de 2017 - 16:39

A primeiro momento queria ver mais luta entra ben kenobi e Maul, mas quanto mais eu penso mais eu entendo que ben kenobi chegou num nivel de poder que, pode sim, com um único golpe, matar Maul. Agora esperar o Season Final!!!!

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:52

Ansiedade a mil!

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João 3 de março de 2021 - 23:44

Não sei se é isso não cara, lembrando que em Uma Nova Esperança o Vader havia falado que Obi Wan estava fraco, acho que no caso da luta desse episódio era o Maul é que estava fraco. Foi mal pela resposta ser 4 anos depois kkkk

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Herbie: O Único 19 de março de 2017 - 16:13

Ansioso.
Viu que o criador do Monstro do Pântano,Bernie Wrightson,morreu?

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:53

Sim, grande tristeza para nós :/

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Homem-Pipa 19 de março de 2017 - 16:03

Meu personagem favorito morreu 🙁

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Guilherme Coral 23 de março de 2017 - 23:53

Ele vai fazer falta!

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