Home TVEpisódio Crítica | Star Wars: The Bad Batch – 1X01: Depois do Fim

Crítica | Star Wars: The Bad Batch – 1X01: Depois do Fim

por Ritter Fan
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Com o renascimento da série The Clone Wars para um sétima e última temporada oito anos depois de seu fim para ajudar a robustecer o lançamento do Disney+, Dave Filoni mostrou que ainda tinha muito a explorar nesse recorte do universo Star Wars. The Bad Batch vem justamente com esse objetivo, funcionando não só como uma continuação para The Clone Wars, como também um spin-off, já que a série é focada no grupo do título, os clones conhecidos como Mal Feitos ou, mais tecnicamente, Força Clone 99, introduzidos na finada série, em momento logo posterior ao encerramento das Gerras Clônicas e o início do Império Galáctico.

Diferente das demais séries animadas recentes da franquia – Rebels e ResistanceThe Bad Batch mantém o estilo de sua imediata predecessora, uma escolha que, apesar de fazer todo sentido estético, pessoalmente me desagrada, já que sempre considerei o design dos personagens de The Clone Wars, especialmente os rostos dos humanos e humanoides, muito feito, com uma animação que deixa a desejar em muitos momentos. Teria sido muito mais interessante se Filoni tivesse arriscando e alterado o estilo da computação gráfica, mas, como disse, sua escolha não pode ser condenada, especialmente se tivermos em mente aquele bom e velho ditado que afirma que não se deve mexer em time que está ganhando.

A boa notícia é que Hunter, Wrecker, Tech, Crosshair e Echo (todos com o sempre excelente e variado trabalho de voz de Dee Bradley Baker) são tão diferentes de seus demais irmãos clones, seja em aparência física, seja em suas armaduras, que o CGI utilizado funciona muito bem para eles, especialmente a tonalidade cinza desgastada de seus figurinos, algo que, infelizmente, não se repete com a jovem Omega (Michelle Ang), personagem introduzida na série como alguém que imediatamente se afeiçoa pelos clones mutantes, já que seu rosto e expressões faciais são sofríveis. Eu disse clones mutantes, mas deixe-me ser mais exato para aqueles que não conhecem os Mal Feitos – e o conhecimento da série anterior não é essencial para a compreensão da nova – e afirmar que apenas Hunter, Wrecker, Tech e Crosshair são mutantes de uma literal “fornada ruim”, cada um com habilidades especiais, Hunter sendo o líder e estrategista, Wrecker o pancadeiro, Tech com facilidades tecnológicas e Crosshair um ás na mira. Echo, por seu turno, é apenas um clone “normal” – ou norm  – que foi alterado não genética, mas sim tecnologicamente, sendo semelhante ao androide Lobot, fiel escudeiro de Lando Calrissian em O Império Contra-Ataca.

O episódio alongado que é, na verdade, a costura de três episódios consecutivos muito semelhante ao longa-metragem que iniciou The Clone Wars e que chegou até mesmo a ser lançado nos cinemas, funciona muito bem exatamente para introduzir os cinco soldados começando minutos de a famigerada Ordem 66 ser executada, o que os deixa atônitos, sem entender absolutamente nada que está acontecendo já que suas mutações (e enxertos tecnológicos no caso de Echo) tornam inócua a instrução. Há também uma boa conexão com o jovem Padawan Caleb Dume (Freddie Prinze Jr.) – futuro Kanan Jarrus, de Rebels – já que é sua tragédia pessoal que serve para ilustrar a Ordem 66, servindo de gatilho para que os Mal Feitos comecem a duvidar do que estão vendo ao seu redor com a ajuda de Omega, introduzida logo em seguida, em Kamino.

Não há grande complexidade narrativa aqui, que fique bem claro. O roteiro se fia bastante nas personalidades dos guerreiros, oferecendo as referências de praxe (Caleb, claro, é a primeira), mas fazendo pelo menos uma escolha interessante e inesperada: Crosshair mostra-se desde o começo tendente a cumprir as ordens da ex-República, agora Império, inclusive perseguindo Caleb com o objetivo de matar, para desespero de Hunter. Ao criar uma cisma no seio dos Mal Feitos, esse início de série dá uma boa guinada narrativa e parece prometer encarar a questão seriamente, além de estabelecer um gatilho narrativo que pode ser explorado largamente nos episódios seguintes. Afinal, sabemos que Filoni não tem problemas em expandir sua narrativa, mas a premissa de The Bad Batch seria muito facilmente, em mãos menos hábeis, mantida confinada em si mesma, ou seja, um grupo de elite, cada um com sua característica, tendo que lidar com o desmoronamento do que conheciam e o nascimento do Império Galáctico, receita perfeita para a “aventura da semana”, o que, espera-se, será evitado com esse problema que vem de dentro da equipe.

The Bad Batch promete muita diversão e mais uma infinidade de bonequi… digo, figuras de ação ofertadas pela máquina de fazer felicidade efêmera chamada Disney. Filoni tem em mãos mais uma obra para derramar sua criatividade e demonstrar sua capacidade de ampliar ainda mais uma já gigantescamente ampliada galáxia muito, muito distante.

Star Wars: The Bad Batch – 1X01: Depois do Fim (Star Wars: The Bad Batch – 1X01: Aftermath – EUA, 04 de maio de 2021)
Criação: Dave Filoni
Direção: Steward Lee, Saul Ruiz, Nathaniel Villanueva
Roteiro: Jennifer Corbett, Dave Filoni
Elenco: Dee Bradley Baker, Michelle Ang, Ben Diskin, Archie Panjabi, Freddie Prinze Jr., Ian McDiarmid, Bob Bergen, Gwendoline Yeo, Tom Kane, Andrew Kishino, Stephen Stanton
Duração: 74 min.

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