Home TVEpisódio Crítica | Star Wars: The Bad Batch – 1X06: Desmontagem

Crítica | Star Wars: The Bad Batch – 1X06: Desmontagem

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

O maior problema de The Bad Batch é a falta de propósito de seus protagonistas. Diria, com um certo grau de certeza, que Dave Filoni tem um plano bem definido em sua cabeça para eles, algo que responda à pergunta base da série até agora: o que soldados treinados para a guerra e que guerrearam durante anos a fio fazem depois que a guerra acaba? Claro que sabemos que a ascensão do Império é algo que será importante nessa equação, assim como a dissidência de Crosshair e os problemas ainda mais claros agora do chip inibidor de Wrecker e o que isso pode significar para a equipe, mas a grande verdade é que, até agora, a série parece estar confortável em deixar seus protagonistas à deriva.

E isso não seria um problema seríssimo se dois fatores concomitantes não estivessem acontecendo. O primeiro deles é que estamos, ainda, nos episódios iniciais de uma série nova – mesmo sendo spin-off/continuação de The Clone Wars – e, normalmente, são eles que definem o destino da produção em termos de atenção do público. Sim, estamos na era do streaming em que números de audiência são relativos, mas o que não faltam são séries canceladas a destempo, algo que ainda não aconteceu de verdade no Disney+, ainda que Os Eleitos tenha sido limada sem cerimônia. O segundo é que a estrutura de “aventura da semana” pode até ser divertida, mas essa ação tem sido tão genérica que ela não consegue realmente trazer algo novo para a mesa, algo que diferencie a série de sua série mãe ou de outras séries neste rico universo.

Se Tumulto teve como único verdadeiro atrativo a surpresa que foi a revelação de que Muchi era um rancor adolescente, em Desmontagem o que chama a atenção é o retorno das irmãs Trace e Rafa Martez (Brigitte Kali Canales e Elizabeth Rodriguez), o que, considerando a história das duas, pode significar a conexão dos Mal Feitos com Ahsoka Tano mais para a frente. A ação em si, que se origina de outra missão dos clones que eles aceitam de Cid, é recuperar dados de um robô tático separatista que está prestes a ser derretido em uma fábrica de desmontagem em Corellia, gerando mais uma daquelas sequências alongadas que se passa em uma série de esteiras à la Mario Bros., jogo que George Lucas deve adorar considerando a quantidade de vezes que as vemos em sua Trilogia Prelúdio.

Se temos que aceitar que se tornou natural levar Ômega, uma criança, em toda missão dos clones, fica um pouco mais difícil enfrentar os longos minutos de pulos de esteira em esteira, quase mortes em metal derretido, equipes rivais que acabam se unindo e tudo mais que faz parte integrante desse tipo de narrativa óbvia. Se o arco de luz de Ômega diverte por alguns segundos iniciais, com Cid tornando-se uma personagem bem interessante, ainda que naturalmente com pouco tempo de tela, depois ele se torna apenas um tropo cansado, assim como as irmãs Martez lutando contra e depois ao lado da menina e dos clones e assim por diante. Por outro lado, foi bom ver Wrecker e seu medo de altura e, mais ainda, sua dor de cabeça tomando a forma que suspeitávamos, com consequências futuras imprevisíveis, além de Hunter, ao final, começar a perceber que sua equipe precisa mesmo encontrar um norte e parar de simplesmente pular de planeta em planeta ao deus dará sem se preocupar com as consequências de suas ações.

É essa luz no fim do túnel que me deixa esperançoso. Há um reconhecimento dentro da trama até que os Mal Feitos estão é Mal Parados e precisam tomar uma posição firme sobre o Império e, claro, a nascente Aliança Rebelde. A consciência crescente de que há algo muito ruim acontecendo e que eles não podem simplesmente negligenciar essas mudanças precisa ganhar mais destaque na série, ainda nessa sua metade inicial, com a subtrama de Crosshair sendo também colocada novamente em evidência de maneira mais constante para não arriscar de ficar perdida e esquecida por aí só reaparecendo quando conveniente.

Por enquanto, porém, The Bad Batch é apenas aquela obrigatória dose semanal de Star Wars, uma que tomamos porque precisamos, não exatamente porque queremos. Tomara que a série saia logo do automático e mostre realmente a que veio antes de o remédio amargar de vez.

Star Wars: The Bad Batch – 1X06: Desmontagem (Star Wars: The Bad Batch – 1X06: Decommissioned – EUA, 04 de junho de 2021)
Criação: Dave Filoni
Direção: Nathaniel Villanueva
Roteiro: Amanda Rose Muñoz
Elenco: Dee Bradley Baker, Michelle Ang, Rhea Perlman, Brigitte Kali Canales, Elizabeth Rodriguez, Liam O’Brien, Matthew Wood
Duração: 24 min.

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