Crítica | Stargirl – 1X01: Pilot

Como muitos de vocês já sabem, a origem do personagem central dessa série tem raízes na Era Ouro. Criado por Jerry Siegel e Hal Sherman em 1941, Star-Spangled Kid (Sylvester Pemberton) e seu parceiro Stripesy (Pat Dugan) são a base central para a composição dos protagonistas do show, mas deve-se fundi-los com outro personagem também criado em 1941, por Jack Burnley: o Starman (Ted Knight). E para terminar a fusão, juntemos Stargirl (Courtney Whitmore) à sopa. Co-criada por Geoff Johns na série Stars and S.T.R.I.P.E. (1999 – 2000), a personagem ganha neste programa da DC Universe o protagonismo que deve, de alguma forma, colocar a Sociedade da Justiça da América — ou ao menos algum tipo de versão dela — nas telinhas. Que as estrelas nos ajudem.

SPOILERS!

Lá por 2016, em Legends of Tomorrow 2X02: The Justice Society of America, tivemos um interessante vislumbre de como a SJA poderia funcionar bem na TV, com Sarah Grey no papel da Stargirl, um papel que agora cai de forma completamente sem graça no colo de Brec Bassinger. Na época, falava-se da então nada louvável possibilidade de a CW pegar o grupo da Era de Ouro e fazer uma série com base nele. Em médio prazo, isso coube ao próprio serviço de streaming da DC Comics, que no presente piloto mata a Sociedade original e nos coloca num “tempo presente“, onde uma nova versão desse grupo, ao que parece, com adolescentes vestindo os mantos, será criada e dirigida por Pat (Luke Wilson), ex-parceiro do Starman.

Geoff Johns faz questão de acompanhar a desintoxicação do público, deixando mais do que claro que é necessário nos desvencilhar da visão clássica da SJA e abraçar os novos tempos, as novidades. Conhecendo bem esse mercado, a gente sabe que a revisão de equipe nem sempre gera algo interessante, mas vez ou outra pode trazer bons resultados. No presente caso, a única coisa segura que dá para dizer é: se as absurdamente colossais doses cavalares de didatismo desse capítulo forem a tônica da série, eu realmente me espantarei se alguém acima de 12 anos conseguir terminar a temporada. Num piloto, didatismos podem ser aceitos, até porque nem todo o público já leu sequer um quadrinhos da Sociedade da Justiça e talvez não faça ideia do que trata esse Universo. Para esse caso específico pode funcionar, embora tenham ultrapassado qualquer linha do aceitável. Ainda assim há uma desculpa. Resta ver se vai continuar da mesma forma.

A sequência de abertura do episódio é excelente. A luta contra um poderoso grupo de vilões e o belíssimo movimento do Cetro Cósmico em meio à batalha dá ao Starman uma interessante movimentação, algo que igualmente se repete quando Courtney reacende o Cetro, sendo essa sua dinâmica de movimento e a hilária relação dela com o objeto as únicas coisas que eu gostei da personagem. À parte isto, ela é uma garota irritada por ter que mudar de cidade e que acaba descobrindo segredos interessantes do padrasto, entrando de vez para o ramo dos super-heróis quando ~magicamente~ o Cetro Cósmico responde ao seu toque.

A abordagem básica de séries adolescentes nos Estados Unidos é utilizada aqui para falar de problemas familiares, escolares e também apontar o enfrentamento entre antigos vilões e novos heróis. Como disse mais acima, a graciosidade dos movimentos de Courtney utilizando Cetro e a sua própria relação com ele são coisas chamativas e bem realizadas, mas tirando isso, tudo o que vem depois da cena de abertura é artificial e facilmente causador de vergonha alheia. Pode melhorar no futuro, claro, mas entre didatismo e teenizaçãoCW-zada da SJA sugeridos por este piloto, prefiro mesmo seguir lendo os crossovers dos personagens da DC com a Gangue do Scooby-Doo. De toda forma, os adolescentes vão gostar bastante dessa série! Público, grande ou pequeno, essas cosias sempre encontram.

Stargirl – 1X01: Pilot — EUA, 18 de maio de 2020
Showrunners: Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Glen Winter
Roteiro: Geoff Johns
Elenco: Brec Bassinger, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Christian Adam, Julia Armitage, Mark Ashworth, Christopher James Baker, Olivia Baughn, Elizabeth Bond, Sam Brooks, Meg DeLacy, Wil Deusner, Suehyla El-Attar, Lou Ferrigno Jr., Max Frantz, Cameron Gellman, Eric Goins, Neil Hopkins, Neil Jackson, Hina Khan, Joe Knezevich, Joel McHale, Joy Osmanski, Ashani Roberts, Trae Romano, Amy Smart, Stella Smith, Brian Stapf, Henry Thomas, Annie Thurman, Luke Wilson
Duração: 53 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.