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Crítica | Stargirl – 1X10: Brainwave Jr.

por Ritter Fan
21 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Considerem-me oficialmente impressionado por Stargirl. Apesar de os seis episódios iniciais não terem sido muito mais do que coletivamente no máximo medianos (com boa vontade), os três seguintes conseguiram elevar o nível da temporada e, agora, com seu 10º episódio, Brainwave Jr., parece que ela quer se sedimentar como algo mais do que mera bobagem com adolescentes fantasiados correndo de um lado para o outro.

A maior marca da qualidade do episódio é justamente o personagem que o intitula. O jovem Henry King Jr., vivido muito bem por Jake Austin Walker, é uma figura trágica, alguém cujo destino podemos muito bem deduzir a partir do desenrolar da ação, mas que não queremos que o pior aconteça. Fica evidente que seu pai, que acorda desmemoriado em relação a tudo o que aconteceu nos últimos dez anos a partir do ponto em que sua esposa Merry (irmã de Starman e a Bandoleira dos Mil Truques dos quadrinhos) morreu, é mais frio que o Geada e que toda a tentativa de desviar nossa atenção para o fato de que foi ele que matou a esposa e não Jordan é a base de um enredo para deixar o espectador alerta e Henry Jr. completamente enganado, querendo vingar sua mãe sem que o verdadeiro culpado jamais passe por sua cabeça.

Como mencionei, apesar de tudo estar literalmente escrito nas estrelas, o personagem de Walker conseguiu, muito rapidamente, ganhar desenvolvimento relevante que primeiro o enquadrou como um adolescente inconsequente que foi capaz de distribuir fotos comprometedoras de Yolanda, então sua namorada, depois o colocou como um filho que, apesar de negligenciado, sofre pelo coma do pai, até alguém que descobre seus poderes, vê a podridão humana, mas mesmo assim resiste à tentação. Esse é o tipo de personagem que a série precisava e é de cortar o coração – ainda que perfeitamente lógico e, espero, também necessário – que ele seja assassinado pelo próprio pai salvando os amigos tão cedo na série.

Esse momento climático simplesmente precisa ser O MOMENTO de nascimento da nova Sociedade da Justiça e não apenas mais uma morte qualquer como foi a do garoto (cujo nome nem mais me lembro e não vou procurar) que o Geada matou do nada no episódio que levou seu nome. O peso dramático dos acontecimentos de Brainwave Jr. precisa ser propagado e precisa ser o gatilho que efetivamente reúne o super-grupo teen para valer, sem picuinhas, sem as bobagens infantis do tipo “vamos atacar sem plano mesmo” e assim por diante. Afinal, como não sentir aquela pontadinha de emoção quando Court, achando que Henry é seu primo, abraça-o efusivamente como família, como uma jovem que tem as emoções à flor da pele e que, aqui, a série as utiliza de maneira realmente importante?

Rebobinando um pouco, a pancadaria que antecede a morte de Henry Jr. no calabouço do Rei Dragão foi também a melhor da temporada até agora. Sim, é bem verdade que temos que aceitar que tanto Court quanto Yolanda passaram a ser exímias lutadoras capazes de lidar com uma horda de zumbis e com o próprio grande vilão que, finalmente, mostra sua cara, mas esse preço é baixo para ver lutas realmente interessantes e bem trabalhadas, mesmo que o wire-fu no caso da Pantera continue bem saliente (mas se é possível aceitar isso em filmes asiáticos de artes marciais, porque não aqui?). E, lógico, foi impagável ouvir Shiv gritando desesperada, pedindo para seu pai libertá-la de sua prisão para que ela pudesse acabar com Stargirl.

Rebobinando mais ainda, entramos em um terreno menos do que ideal com o grande plano de Court sendo a divisão do grupo para investigar os túneis, deixando Rick fazendo burrada ao ver Solomon Grundy e Beth, impotente, apenas choramingando para seu colega parar. Entendo o temperamento explosivo de Rick, mas fico desapontado com o nível de poder de sua ampulheta, que mal arranha a porta de aço e, depois, tem dificuldade até de vergar uma barrinha de ferro. Entre esse poderzinho dele e os não-poderes de Beth, creio que metade do grupo precisa de uma vitaminada para que uma futura nova pancadaria generalizada seja mais do que show exclusivo de Court e Yolanda (e Pat no robozão, claro).

Mas vou rebobinar outra vez, já que comecei pelo final e agora tenho o ônus  de cobrir o episódio inteiro. Agora é hora de abordar o momento que se encaixa com o cliffhanger do episódio anterior: a revelação da identidade super-heroica de Court para sua mãe Barbara. Assim como o clímax trágico, essa sequência foi muito bem conduzida desde as formas diferentes de Court e Pat contarem o que aconteceu, passando pela reação radical de Barbara – a única realmente possível diante desse quadro – e incluindo o flashback bonitinho para o momento em que ela e Pat se conheceram em Blue Valley e que abre o capítulo. Se eu tenho algo para reclamar é que a reunião de Pat e Barbara, mais para o final, talvez tenha acontecido muito rapidamente, com ela comprando toda a história que foi contada de maneira muito fácil e com toda aquela conveniência de os pais noruegueses de Jordan a visitarem no escritório e ela ter o sangue-frio de gravar tudo.

O que realmente tive dificuldade de aceitar foi o cajado cósmico de Starman agindo como adolescente bobalhão e atacando, sozinho, Geada e Onda Mental no hospital. O que foi aquilo, afinal de contas? Qual foi a intenção do cajado senciente e, mais importante ainda, qual foi o objetivo do roteiro? Desarmar Stargirl? Não era nem um pouco necessário, já que nada mudaria se ela iniciasse a briga mais poderosa. Criar motivação para o grupo se reunir e invadir as masmorras da Sociedade da Injustiça? Completamente sem sentido, já que entre o “sequestro” de Onda Mental por Geada e a iminente saída de Court da cidade, havia mais do que o suficiente para o texto de James Dale Robinson funcionar perfeitamente sem essa bobagem irritante.

Tenho problemas um pouco menores, mas ainda presentes, com a paternidade de Court. Como disse, ela é uma jovem que sem dúvida precisa “pertencer” e sua obsessão com o pai – e sua esperança de que ele foi um super-herói – faz sentido. O que não faz sentido algum é tanto Pat e, pior ainda, Barbara, alimentarem essa ilusão. Ora, se o pai é Sam Kurtis, como realmente é nos quadrinhos, e mesmo que a mãe não queira dizer quem exatamente ele é, não havia momento melhor para esclarecer tudo que não fosse durante a grande revelação de tudo para Barbara. A manutenção do mistério pareceu-me artificial, sem propósito maior do que desiludir a garota muito brevemente por nada e guardar alguma outra grande revelação para episódio futuro.

Mas os pontos negativos não importam muito, na verdade. Brainwave Jr. trouxe maturidade para a série e é a culminação do grupo de episódios focados em vilões que finalmente tirou Stargirl daquele lodaçal modorrento em que a temporada estava. No entanto, é essencial (1) que essa morte seja mantida e não desfeita imediatamente (isso até pode acontecer no futuro a médio prazo, como é comum nas HQs, mas definitivamente não agora!) e (2) que essa morte seja profundamente sentida por Court, Rick, Beth, Yolanda e Pat, sendo realmente um marco para o grupo. Afinal, ela tem o potencial de ser a cola narrativa que pode garantir não só o encerramento de qualidade da temporada inaugural, como também o futuro da série, mesmo que seja na CW.

Stargirl – 1X10: Brainwave Jr. (EUA, 20 de julho de 2020)
Showrunners: Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Andi Armaganian
Roteiro: James Dale Robinson
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Christian Adam, Trae Romano, Meg DeLacy, Jake Austin Walker, Neil Jackson, Christopher James Baker, Amy Smart, Hunter Sansone, Henry Thomas, Eric Goins, Neil Hopkins, Joy Osmanski, Hina Khan, Mark Ashworth, Nelson Lee
Duração: 42 min.

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