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Crítica | Stargirl – 1X13: Stars & S.T.R.I.P.E. Part Two

por Ritter Fan
2248 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Depois que a parte um de Stars & S.T.R.I.P.E. acabou, tive poucas esperanças para o encerramento da temporada inaugural de Stargirl. No entanto, é alvissareiro notar que pelo menos no final Geoff Johns soube novamente acertar o tom de sua série xodó e entregou um episódio que, mesmo não sendo excepcional, pelo menos ajudou a reduzir o gosto amargo que o imediatamente anterior deixou, conseguindo até mesmo recuperar um pouco do espírito da Era de Ouro que a temporada tentou, mas fracassou em canalizar por quase a totalidade de sua duração.

O bem-vindo tom mais camp do episódio já começa com um flashback para três minutos antes do cliffhanger anterior que, aliás, mais uma vez força a entrada do filho da violinista como futuro vilão, o “Tuba Boy”. Mas o mais importante é o campo de futebol americano da escola de Blue Valley abrindo para revelar as antenas do plano de controle mental da Sociedade da Injustiça, em um daqueles exageros bem típicos dos quadrinhos que imediatamente traz um sorriso no rosto dos fãs justamente por parecer sair diretamente das páginas da Nona Arte. E, quando a ação retorna para o presente, a divisão em grupos continua firme e forte, com Beth e Chuck tentando hackear o hacker que hackeou o sistema do Dr. Meia-Noite e usando, para isso, o ponto fraco do Jogador: dinheiro. Uma bobagem conveniente, mas, novamente, bem no tom que a série podia ter mantido o tempo todo de maneira mais uniforme. Enquanto isso, no calabouço da SIA, Court tenta fazer com que Pat, comandando S.T.R.I.P.E., saia do transe, finalmente admitindo que ele é um pai para ela em outro momento “bonitinho” e Yolanda e Rick vão se aproximando do coração do QG, com Rick prometendo voltar para liquidar Solomon Grundy.

E, com isso, finalmente temos o grande embate entre a velha SIA e a jovem SJA em sequências de pancadaria de bom nível, repletos, como de costume, de wire-fu, mas também de CGI competente. Claro que temos que aceitar que os poderes de praticamente todos os presentes são reduzidos a quase nada para estender a luta por mais tempo. Como dizem por aí, “nerfaram” os super-heróis e os super-vilões, pois o tão ameaçador Geada nem sequer se transforma em gelo, não soltando mais do que uns raiozinhos ineficientes, o Rei Dragão anti-climaticamente morre espetado por sua própria filha, que finalmente sai de sua prisão, o Mestre dos Esportes e a Tigresa levam dois tapas e já saem da jogada, e Stargirl usa seu cajado de forma esparsa e discreta ao ponto de ser chocante ela empregando seu instrumento senciente na versão full power ao destruir as gigantescas parabólicas alguns minutos depois (é aquilo: se ela usasse esse poder todo no calabouço, a luta acabava em cinco segundos).

Além dos poderes reduzidos, não podemos esquecer que Justin, o Cavaleiro Andante, é confirmado como aquilo que ele é realmente, não mais do que um figurante com algumas linhas de diálogo que não tem função alguma ali no set de filmagens que não seja ser usado em futuro incerto e não sabido em vindouras temporadas. Por outro lado, todos os demais heróis têm tempo e espaço para brilharem de seu jeito. Pat ganha seus 15 segundos de pancadaria contra Solomon Grundy (finalmente o vemos em toda sua glória computadorizada), somente para ver seu robozão trucidado – e depois mais 15 segundos enfrentando o Geada de peito aberto na torre com visão panorâmica para a cidade -, Rick tem seu merecido momento catártico contra a criatura que matou seus pais, com um final digno para a peleja em que ele percebe que o monstro foi só mais um peão dos vilões e que matá-lo não mudará nada e Yolanda recebe no colo uma guinada sombria em sua vida quando ela assassina, cortando a jugular (!!!), o Onda Mental. Muito interessante essa escolha para a Pantera que, espero, tenha efetivas consequências para seu futuro na série.

Claro que o momento de Yolanda exige que fechemos os olhos e respiremos fundo – bem fundo – para que seja possível aceitá-lo tranquilamente. Afinal, não só não faz sentido algum o Onda Mental sair do Cérebr… ops, do aparelho controlador de mentes faltando poucos minutos para tudo acabar, como faz bem menos sentido ainda ele usar seu poder para alterar a percepção de Yolanda, fazendo-se passar por seu próprio filho. Considerando o que Henry Sr. já fez na série, era evidente que, se era para ele se levantar de sua cadeira para fazer o que seus colegas não conseguiram fazer (o que por si só dá vontade de revirar os olhos, já que aquele mesmo grupo derrotara a SJA adulta, mas esqueçamos disso…), bastava ele controlar Yolanda imediatamente, fazendo-a cortar sua própria garganta. No entanto, essa tosqueira leva ao momento sombrio do episódio que, se for bem utilizado lá para a frente (o condicional é muito importante, reparem bem), pode dar bons frutos, mesmo que isso tenha custado a morte de mais um ótimo vilão. Além disso, a jornada da heroína é inteligentemente o exato oposto da de Rick, que encontra redenção ao não matar.

Falando em morte de bons vilões, eis que o próprio Geada – que só conseguiu “matar” o Chuck no episódio, pois ele foi bonzinho e não congelou Beth inteira, algo que ele obviamente deveria ter feito – também se vai, liquidado por ninguém menos do que Mike, o personagem mais criminosamente subutilizado da temporada que ganha não seus 15, mas sim cinco segundos de brilho no encerramento. Outra morte desnecessária no meio de uma verdadeira chacina que praticamente levou ao fim da SIA original ao ponto de vermos Shiv recorrendo ao Coração das Trevas, que contém Eclipso, na primeira sequência preparadora da próxima temporada.

Afinal, como é de praxe, os minutos finais do episódio são dedicados a rearrumar o tabuleiro, ainda que isso seja feito de maneira extremamente picotada aqui, como se tudo que viesse após o final da pancadaria fosse uma sucessão de cenas pós-créditos costuradas juntas pelo estagiário do montador. Não há nenhuma tentativa de se criar fluidez ou estabelecer um movimento conjunto lógico. Entre Shiv revirando o depósito do Mago para achar a tal joia que contém Eclipso, Justin saindo para procurar seu cavalo e seus colegas do Sete Soldados da Vitória, o Sombra aparecendo no quartel-general da SIA para mandar um “eu te disse, eu te disse” como a motoquinha chata de Carangos e Motocas e, claro, o retorno surpresa de Sylvester Pemberton, vulgo Starman, tudo parece literalmente despejado nos minutos finais de maneira apressada e atabalhoada para criar pontas soltas forçadíssimas sem que elas fossem verdadeiramente necessárias.

Mesmo que o derradeiro episódio da temporada nem de longe compense os diversos problemas que a série teve, especialmente em seu começo completamente perdido e mal-estruturado, pelo menos a impressão que fica é de uma tentativa de recuperação nos 45 minutos do segundo tempo. Ainda que a série vá agora fazer parte da família CW, fica a esperança – não muita, admito – de que o que vimos aqui neste episódio e em alguns seletos outros repita-se com mais frequência e de maneira mais homogênea na segunda temporada.

Stargirl – 1X13: Stars & S.T.R.I.P.E. Part Two (EUA, 10 de agosto de 2020)
Showrunners: Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Geoff Johns
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Christian Adam, Trae Romano, Meg DeLacy, Jake Austin Walker, Neil Jackson, Christopher James Baker, Amy Smart, Hunter Sansone, Henry Thomas, Eric Goins, Neil Hopkins, Joy Osmanski, Hina Khan, Mark Ashworth, Nelson Lee, Geoff Stults, Joel McHale
Duração: 41 min.

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