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Crítica | Stargirl – 2X02: Summer School – Chapter Two

por Ritter Fan
1.235 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Como mencionei na crítica anterior, dos quatro adolescentes que formam a nova versão da Sociedade da Justiça da América, Courtney é a que menos evolui. Apesar de isso incomodar, a racionalização é simples e básica e, provavelmente, todos nós já vivemos isso alguma hora: em um grupo heterogêneo, sempre há um que é mais bobo, mais infantil e menos maduro. Faz parte da vida e o fato de os showrunners terem escolhido a protagonista para ser assim indica que sua jornada de amadurecimento será feita na base de uma sucessão de lições de vida e também a partir de contrastes com os demais ao redor, algo que, querendo ou não, funciona bem narrativamente.

Isso não quer dizer de forma alguma que eu simpatizo com ela, pois definitivamente não simpatizo – e isso pode ser fruto justamente dessa escolha deliberada e da boa atuação de Brec Bassinger, vejam bem -, mas a justificativa mais do que procede e ela pode ser vista bem claramente neste segundo episódio da 2ª temporada, em que a jovem basicamente passa o tempo todo com ciúmes de Jennie, filha de Alan Scott e manipuladora do anel e da lanterna do pai. Court não só não aguenta o jeitinho meigo de Jennie (Ysa Penarejo está mesmo encantadora no papel) que imediatamente hipnotiza sua família, como também suas habilidades diversas, seja marcenaria para consertar a mesa quebrada, seja culinária para fazer panquecas no café da manhã. Mas o pior é que Jennie, ao que tudo indica, é herdeira biológica de um grande super-herói, ou seja, alguém que realmente, como Rick Tyler, aliás, efetivamente carrega o legado para uma nova geração de maneira mais legítima na percepção infantil de Court.

E tudo isso gera boas situações de piti adolescente com Court enfurecida em casa, enfurecida na escola, enfurecida na garagem do pai e, depois, com o rabo entre as pernas, tendo que reconhecer seus erros e pedir desculpas (essa é a parte mais inverossímil, claro, pois adolescente assim não pede desculpas tão facilmente, mas tudo bem…), com uma boa discussão, não muito aprofundada, porém, justamente sobre a herança super-heroística se olharmos apenas para os quadrinhos ou, claro, o legado paterno e materno que todos nós, de uma forma ou de outra, precisamos enfrentar, absorver, abraçar, rechaçar ou passar adiante. Fica também acentuado o mistério do porquê o cajado de Starman ter escolhido Court para ser a sucessora do super-herói, algo que, todos esperamos, será desenvolvido mais para a frente.

O desfecho, pelo momento, dessa linha narrativa que tem a futura Jade como ponto focal, chega a ser engraçada e bem típica da série: mesmo fazendo de tudo para esconder suas identidades secretas, quando a lanterna começa a sair de controle, a reação imediata da nova SJA é sair correndo com o artefato para a praça da cidade onde fogos de artifício acontecem, onde Court deduz que Jennie é a fonte de energia e não o contrário, o que segue a linha dos quadrinhos, temos que lembrar e, claro, onde uma explosão acontece, deixando uma cratera por ali. Não tenho a menor dúvida, porém, que nenhum cidadão viu ou ouviu nada que aconteceu ali e os jovenzinhos não terão suas identidades reveladas tão cedo para a população em geral. Completamente sem pé, nem cabeça, claro, mas, mesmo assim, divertido justamente por isso, talvez.

Do lado vilanesco do episódio, confesso que já adorei a introdução de Richard Swift (Jonathan Cake) como o Penumbra (ou Sombra) com um Jaguar 65, ops… 67 chegando à cidade com toda sua fleuma britânica, inclusive o clássico figurino de Mandrake e sotaque tão emplumado que é hilário. Dentro do contexto da série, ele poderá resultar em um ótimo vilão se não resolverem descartá-lo logo cedo, até porque, nos quadrinhos, ele tem poderes que conversam com os de Todd, irmão de Jennie, que deverá aparecer alguma hora. Na mesma linha, fiquei com pena da madrasta de Cindy. Tão feliz, tadinha, preparada para ir embora, e acaba virando pó graças ao maligno e voraz Eclipso controlando Shiv e já mostrando que a adolescente não conseguirá segurar o poder do vilão por muito tempo. Só espero que, mesmo sendo possuída uma vez ou outra pela entidade maligna, Shiv continue sendo Shiv e não sucumba de vez como um avatar do cristal roxo.

Livre daquela “carinha” de episódio introdutório que segurou um pouco o andamento do capítulo de começo de temporada, este segundo andou com mais confiança e, se o espectador conseguir aturar a aborrescente protagonista (se eu consigo, vocês também conseguem!), há bastante coisa para apreciar aqui. Afinal, como não gostar de S.T.R.I.P.E. equipado com, já diria Rick Dalton, um sempre útil lança-chamas, não é mesmo?

Stargirl – 2X02: Summer School – Chapter Two (EUA, 17 de agosto de 2020)
Showrunners: Geoff Johns, Greg Berlanti
Direção: Andi Armaganian
Roteiro: James Dale Robinson
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Cameron Gellman, Trae Romano, Meg DeLacy, Amy Smart, Hunter Sansone, Nick Tarabay, Ysa Penarejo, Joel McHale, Stella Smith, Olive Abercrombie, King Orba, Milo Stein, Jonathan Cake
Duração: 41 min.

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