Home TVEpisódio Crítica | Stargirl – 2X09: Summer School – Chapter Nine

Crítica | Stargirl – 2X09: Summer School – Chapter Nine

por Ritter Fan
1.478 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Vou dizer logo aqui no começo para já tirar essa questão do bojo da conversa abaixo: a única coisa que eu realmente não gostei neste episódio foi a reação infantil de Courtney quando Pat finalmente conta seu grande segredo e trauma que não só o afetou pessoalmente, como levou à separação da Sociedade da Justiça original e, potencialmente, seu fim pela Sociedade da Injustiça. E a razão principal para eu não ter apreciado a indignação de bater o pezinho e de fazer bico da loirinha mimada é que isso representa um retrocesso para a forma que ela vinha sendo caracterizadas nos últimos episódios da temporada, como se ela involuísse diante de nossos olhos mesmo depois de salvar Mike e Pat das garras ilusórias de Eclipso. Pronto, falei. Agora posso respirar novamente…

É que eu estava gostando demais da conta desse episódio para ele acabar daquele jeito. Havia outras formas de levar a família Whitmore-Dugan à cizânia como o maligno (e cada vez mais assustador) “Bruce” queria e ver bobeira adolescente manchar o que poderia ter sido 39 perfeitos minutos me tira do sério. Seja como for, deixe-me rebobinar e começar do começo e, por começo, eu quer dizer começo de verdade, pois até mesmo o momento narrativo do episódio foi muito bem escolhido, logo após a dissolução da nova SJA pelo trabalho “de formiguinha”, constante e insidioso de Eclipso. Funciona ao mesmo tempo como uma pausa e como uma inteligente maneira de se seguir adiante com o arco macro olhando para trás e não necessariamente com o uso banal de flashbacks, já que tudo pode ser interpretado como resultado da manipulação do grande vilão.

Aliás, o artifício usado com Yolanda e Rick, ou seja, abordar os dramas dos dois sem nos fornecer respostas absolutas sobre o que afinal estava acontecendo e, mais ainda, construindo em cima de traumas passados, continuou sendo brilhantemente utilizado aqui, com a diferença – como aconteceu com Beth no episódio passado – de que, em determinada altura, há a “solução do mistério”, primeiro com a aparição de Penumbra ajudando Barbara em seu carro e, depois, com Court usando o cajado para quebrar os transes do irmão e padrasto. Isso indica, claro, que boa parte do que vimos acontecer com Yolanda e Rick foi também manipulação do cospobre de Duende Verde, já apontando para a obviamente vindoura reunião do grupo adolescente.

A atmosfera de filme de terror que o prelúdio imprime ao episódio com uma bonita fotografia lúgubre ao lidar com a possessão final do arqueólogo Bruce Gordon (o pequeno Bruce só pode ser ele quando jovem, não?) décadas atrás é inteligentemente mantida nas demais manipulações de Eclipso, seja a aparição de Jordan Mahkent para Barbara, ou a de Cameron para Mike, a primeira trabalhando o medo e a segunda a culpa. E os dois sentimentos são aplicáveis à terceira vítima da entidade que habitava o diamante negro (sou só eu que estou pensando em chocolate agora?), Pat Dugan, que começa a se lembrar dos eventos que levaram ao assassinato do hospedeiro do Orc maligno.

O caráter híbrido de manipulação mental e flashback é excelente, com as sequências no passado a partir do enterro da filha do Dr. Meia-Noite original sendo usadas para fazer as últimas conexões que restavam e, claro, para abrir a oportunidade para que os antigos membros aparecessem mais detalhadamente na série, inclusive e especialmente o Jay Garrick de John Wesley Shipp, uma das mais inspiradas escalações da CW lá atrás primeiro como pai de Barry Allen e, depois, como o velocista original em The Flash. Essa é, aliás, a primeira aparição de Shipp em Stargirl e até nisso o roteiro de Alfredo Septién e Turi Meyer acertou em cheio ao trabalhá-lo de forma reverencial, como um bastião da integridade que, mesmo com o apoio de Pat (só um motorista…), perde na votação sobre o destino de Bruce Gordon e, claro, do próprio supergrupo.

A temporada, com esse nono episódio, tem absolutamente tudo o que precisa para que Courtney – assim que parar com o beicinho – comece a reconstruir a Sociedade da Justiça 2.0 e Geoff Johns ainda tem tempo hábil para promover a integração razoavelmente orgânica dos personagens que apareceram por alguns minutos lá no começo para nunca mais serem sequer citados novamente. Foi a sempre escorregadia retal final que acabou contribuindo para o descarrilamento completo da temporada inaugural da série, pelo que só nos resta agora esperar, com alguma tensão, que a qualidade surpreendente deste segundo ano seja mantida pelas próximas quatro semanas.

Stargirl – 2X09: Summer School – Chapter Nine (EUA, 05 de outubro de 2021)
Showrunner: Geoff Johns
Direção: Andi Armaganian
Roteiro: Alfredo Septién, Turi Meyer
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Cameron Gellman, Trae Romano, Meg DeLacy, Amy Smart, Hunter Sansone, Nick Tarabay, Ysa Penarejo, Joel McHale, Stella Smith, King Orba, Milo Stein, Jonathan Cake, Jim Gaffigan, Max Frantz, Christopher James Baker, Jake Austin Walker, John Wesley Shipp, Brian Stapf, Lou Ferrigno Jr., Jason Davis, Neil Jackson
Duração: 39 min.

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