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Crítica | Stargirl – 2X11: Summer School – Chapter Eleven

Sem cor e com absinto. Olha o déjà vu!

por Ritter Fan
1.500 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Começo a desconfiar que ficção se tornou realidade e o Eclipso está atrás de mim com meus piores pesadelos a tiracolo, não é possível. Coloco o 11º capítulo de Stargirl para ver e com o que me deparo de imediato? Ora, com um episódio em preto e branco que se passa nas Terras das Sombras ou, como Cindy deixa bem claro, um Purgatório em que há um desfile de gente morta. O alarme de déjà vu acendeu imediatamente, pois a malfadada 3ª temporada de Titãs teve exatamente a mesma coisa em Souls, só que com uma ponte fazendo as vezes do cinema à la A Rosa Púrpura do Cairo que é usado por Geoff Johns. Eis que o episódio avança mais um pouco e o Dr. Meia-Noite original (Alex Collins), preso lá no purgatório, conta para Court que ele e o Penumbra tomaram uma garrafa de nada menos do que absinto, exatamente a mesma bebida desgraçada que Dick pede em Troubled Water

Eu ri e imediatamente fiquei com má vontade com Stargirl, já preparado para vir aqui esculhambar o episódio com todas as minhas forças. Mas eu não consegui. Na verdade, o capítulo 11 só deixou duas coisas ainda mais evidentes, coisas essas em lados completamente opostos do espectro da DC Comics na televisão: Stargirl, depois de uma temporada inaugural apenas mediana, vem se revelando um achado em seu segundo ano, ao passo que Titãs, que começou com uma temporada até boa, vem caindo vertiginosamente. Basta notar como o absinto é usado. Podemos chamar de Medidor Absinto, se quiserem.

Em Titãs, o absinto é introduzido da maneira mais ridiculamente aleatória para criar aquela impressão de série adultona, rangedora de dentes. Afinal, quem é que em sã consciência pede uma dose de absinto em um bar em pleno século XXI? Em Stargirl, o absinto não é o centro das atenções do momento em que ele é citado, mas sim um detalhe que acentua a tristeza e a amargura do contexto em que ele passa a existir e, ainda por cima, a bebida é trazida por um (não tão) vilão britânico que tem mais de 200 anos de idade. Em outras palavras, em nível absinto, Titãs é a certeza de uma dor de cabeça terrível no dia seguinte, enquanto Stargirl é a medida exata para uma boa noite de sono.

Mas chega de falar de Titãs por agora. Deixe-me focar em Stargirl que, independente de qualquer coisa, começou o episódio de maneira decepcionante, devo admitir. Afinal, no início tínhamos apenas Blue Valley na versão em preto e branco, em uma daquelas escolhas tão absurdamente preguiçosas que minhas pálpebras reviraram na hora. Mas, interessantemente, na medida em que o episódio evolui, ele conseguiu ficar muito mais interessante e desafiador. Há o encontro esperadíssimo de Court com Cindy e, depois, com o Dr. Meia-Noite, enquanto Barbara e Pat fazem de tudo para convencer um moribundo Penumbra a abrir um portal para as Terras das Sombras, algo que ele faz daquela maneira elegante que esperamos dele, ou seja, usando uma tela em que O Retrato de Dorian Gray está sendo projetado.

Só que Court não iria simplesmente pular para a salvação com o Dr. McNider. Seu coração é bom demais para isso e ela retorna para resgatar Cindy, tendo que enfrentar o maligno Eclipso na forma do pequeno e absolutamente assustador Bruce em uma sequência muito bem construída que me remeteu aos ensinamentos de Yoda a Luke em O Império Contra-Ataca. Um ser que se alimenta dos sentimentos negativos dos outros tentando extrair de Court justamente esses sentimentos foi uma jogada previsível, mas muito bem conduzida, com a jovem Brec Bassinger novamente conseguindo entregar uma performance respeitável (é raro, mas acontece!).

E o melhor é que o peso das ações da jovem cobram seu preço e o Penumbra morre ao final salvando todo mundo e pedindo para ser lembrado por esse seu sacrifício em um belo fim para um ótimo personagem, ainda que, claro, considerando que ele virou “fumaça”, ele ainda pode voltar. Aliás, falando nisso,  o que será aquela segunda localidade para onde Mike e Jenny se deslocaram? Será que terá alguma relação com o Penumbra ou é alguma armadilha do cospobre de Duende Verde?

Seja como for, mesmo me lembrando de Titãs e começando de maneira pouco imaginativa, o 11º episódio de Stargirl conseguiu se erguer e entregar uma “aventura em preto e branco” que cativa, abre espaço para a protagonista mostrar seus dotes dramáticos e, pelo momento, parece eliminar o vilão mais bacana da série até agora. Com mais dois episódios pela frente e com a promessa de Cindy de ajudar a eliminar Eclipso, quer parecer que teremos uma reunião de mocinhos e vilões para surrar o pequeno Bruce…

Stargirl – 2X11: Summer School – Chapter Eleven (EUA, 19 de outubro de 2021)
Showrunner: Geoff Johns
Direção: Sheelin Choksey
Roteiro: Paula Sevenbergen, Robbie Hyne
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Cameron Gellman, Trae Romano, Meg DeLacy, Amy Smart, Hunter Sansone, Nick Tarabay, Ysa Penarejo, Joel McHale, Stella Smith, King Orba, Milo Stein, Jonathan Cake, Alex Collins
Duração: 42 min.

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