Home TVEpisódio Crítica | Stargirl – 2X13: Summer School – Chapter Thirteen

Crítica | Stargirl – 2X13: Summer School – Chapter Thirteen

Um team-up desperdiçado.

por Ritter Fan
1.365 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Em poucas palavras, o episódio de encerramento da 2ª temporada de Stargirl tinha ótimas intenções e todos os ingredientes para funcionar perfeitamente, mas sua concepção talvez tenha sido ambiciosa demais tanto para sua duração quanto para a alocação de recursos do orçamento, resultando em algo consideravelmente aquém do que poderia ter sido, ainda que não uma decepção completa e nada que desabone demais o conjunto. Trata-se de um daqueles raros casos em que mais – mais duração, provavelmente dividida em dois episódios, e mais fogos de artifício, o que deveria incluir um capricho extra no CGI – teria feito muito bem.

Era óbvio que a quantidade de personagens, aí contando os principais, os antagonistas da primeira temporada e os que surgiram neste segundo ano, seria um problema e comprimir tudo em apenas 39 minutos, sendo que vários deles usados como dénouement para estabelecer as linhas narrativas da 3ª temporada, que se chamará Frenemies, acabou criando momentos decepcionantes, como a subutilização de Jenny, o uso apenas protocolar de S.T.R.I.P.E., Relâmpago e Solomon Grundy, e a completamente inútil – ainda que engraçada – chegada dos Crocks no último segundo. Até mesmo a dupla de Drs. Meia-Noite ficou perdida em meio as “vinhetas” de luta, sem conseguir fazer muito mais do que olhar para os pais de Beth em um loop supostamente mortal que apenas o bem-vindo retorno do Penumbra conseguiu quebrar.

Além disso, a ótima trinca formada por Courtney, Cindy e Yolanda teve pouco destaque, basicamente uma luta dentro de um cenário fechado e, mesmo assim, com Eclipso usando suas habilidades para separar as três. Sim, foi ótimo ver mais do vilão em sua assustadora forma infantil e as coreografias funcionaram bem, mas o que deveria ter sido um destaque foi apenas mais um momento perdido entre tantos outros. Até mesmo a tão aguardada – e, no caso, sonhada – possessão de Court por Eclipso foi mal aproveitada, com Brec Bassinger tendo que passar por horas de maquiagem (se aquilo for maquiagem, pois tem boas chances de ser só CGI) para rir como uma louca, andar de um lado para o outro e ser derrotada por Sylvester Pemberton (ou uma versão dele, não sei) finalmente aparecendo na série depois de ficar perdido pelos EUA por 12 episódios e pela boa e velha “força do amor”.

E todos esses problemas poderiam ter sido resolvidos ou, na pior das hipóteses, minimizados, se o clímax da temporada fosse dividido em dois episódios, o que daria tempo para que cada pequeno núcleo fosse trabalhado de forma mais convincente e ninguém aparecesse só por obrigação de aparecer. Até mesmo o retorno do Starman original poderia ter tido mais peso se ele fosse reintroduzido ainda no começo da sugerida dobradinha. Do jeito que ficou, tivemos um grande vilão, que vinha atuando por meio de seus poderes de sugestão, sendo transformado em um Orc mequetrefe que lança raios pelas mãos e que fala mais do que age, ou seja, perdendo toda sua sutileza e entrando no rol dos vilões genéricos que lutam contra os heróis na base de um por vez com o uso de fotografia escura para esconder o CGI simplório.

A duração maior seria benéfica, inclusive, para evitar aquela profusão de pequenos epílogos que tomam conta dos minutos finais, com a introdução do Senhor Bones (Keith David), a aliança hesitante com Cindy e os Crocks, que serão os tais frenemies da próxima temporada e que potencialmente perderão muito em termos dramáticos bandeando-se para o lado do bem, Jenny partindo para novamente procurar o irmão, Cameron sendo formalmente apresentado à sua herança gélida (no meio da rua, claro, pois é sempre o lugar mais íntimo e deserto da cidade), Sylvester mudando-se para o porão dos Whitmore-Dugans com o objetivo de ser o mentor de Court, o Dr. Meia-Noite ganhando um final feliz com Beth informando-o do paradeiro de sua esposa e que ele tem um filho de 10 anos e o Penumbra acalentando Rick ao dizer que Grundy não morreu e que, claro, ele ficará pela cidade (ainda bem!). Repararam na quantidade de coisa comprimida em poucos minutos inorgânicos que teriam se beneficiado de mais espaço para esticar as pernas?

Claro que havia outra solução para isso tudo, que era simplesmente ter trabalhado todos esses assuntos ao longo da temporada, como eu aliás mencionei algumas vezes em minhas críticas. Houve uma queima lenta em termos da utilização dos personagens novos da temporada, que acabaram sendo empurrados, no melhor dos casos, para a segunda metade da temporada, o que lhes retirou tempo de desenvolvimento e resultou, no agregado, neste episódio final bastante tumultuado que muitas vezes se auto sabota ao esvaziar a importância dos personagens e de linhas narrativas promissoras. É um defeito sistêmico que inegavelmente foi suavizado pela boa qualidade geral dos episódios, mas que acabou exigindo a correria aqui.

O final do ótimo 2º ano de Stargirl, em termos de conteúdo, tem absolutamente tudo o que queríamos ver, mas exatamente por fazer a convergência geral em tão pouco tempo, acaba realizando apenas lampejos do potencial que cada personagem e cada linha narrativa tinha, como uma distribuição descuidada de amostras grátis. Em um nível simplório, apenas de uma série adolescente de super-herói, talvez seja o suficiente, mas a grande verdade é que a temporada vinha sendo mais do que apenas isso e, portanto, merecia mais do que esse “final tira gosto”…

Stargirl – 2X13: Summer School – Chapter Thirteen (EUA, 26 de outubro de 2021)
Showrunner: Geoff Johns
Direção: Greg Beeman
Roteiro: Geoff Johns
Elenco: Brec Bassinger, Luke Wilson, Yvette Monreal, Anjelika Washington, Cameron Gellman, Trae Romano, Meg DeLacy, Amy Smart, Hunter Sansone, Nick Tarabay, Ysa Penarejo, Joel McHale, Stella Smith, King Orba, Milo Stein, Jonathan Cake, Alex Collins, Keith David
Duração: 39 min.

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