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Crítica | Stranger Things (quadrinhos)

por Ritter Fan
162 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers da série.

Stranger Things foi um fenômeno pop instantâneo quando lançado em 2016 no Netflix, atraindo uma legião de espectadores de todas as idades pelo cativante elenco mirim e uma história com alta carga nostálgica. Chega a ser até estranho, portanto, que tenha demorado tanto tempo, mais precisamente até setembro de 2018, para que a série fosse aproveitada também nos quadrinhos, especialmente considerando a avalanche de produtos estampando a marca e os rostos das crianças que invadiu o mercado como em um passe de mágica.

Mas havia um problema de ordem prática. Se os quadrinhos não fossem uma adaptação das temporadas, o que eles poderiam ser? A Dark Horse Comics, que obteve a licença, partiu para o caminho mais difícil e escolheu apresentar material inédito ou, pelo menos, razoavelmente inédito em uma minissérie de apenas quatro edições de tamanho regulamentar. Como abordar eventos antes do início da 1ª temporada ou mesmo entre uma e outra poderia trazer problemas de desinteresse e/ou de inconsistências, a editora optou por abordar a temporada inaugural sob o ponto de vista de Will Byers, o garoto que passa quase o tempo todo no Mundo Invertido.

Sem dúvida é uma jogada inteligente, mas, claro, faz a minissérie funcionar apenas para quem viu a série de TV, já que Will trafega pelo lado de lá conectando-se de tempos em tempos com o lado de cá, falando com sua mãe pelo rádio, telefone e iluminação de Natal, além de testemunhando e até interferindo com eventos que são abordados na série. A questão é que só vemos a perspectiva de Will e o roteiro de Jody Houser é cuidadoso nesse sentido para não se trair, permitindo-se, tão somente, a paralelização da jornada de Will à de uma partida de Dungeons & Dragons que ele joga como Will, o Sábio com seus amigos e que vemos de tempos em tempos nas edições. É uma forma orgânica e lógica de também incluir Mike, Dustin e Lucas na narrativa, sem realmente inclui-los.

(1) Will vs. Demogorgon e (2) Will, o Sábio.

Em outras palavras, a minissérie é “companheira” da 1ª temporada da série, funcionando como a visão a partir do Mudo Invertido de todos os acontecimentos que seguimos no outro lado. Por isso mencionei que é uma abordagem inédita sem ser inédita, mas que complementa bem a mitologia e até acrescenta alguns elementos interessantes que desconhecíamos sobre as ações de Will em seu exílio. Por outro lado, exatamente por não mudar nada do que já aprendemos vendo a série, a HQ é “desnecessária” e só realmente terá valor para aqueles que querem conhecer cada detalhe da história, o que é perfeitamente legítimo e que, no final das contas, afasta o caráter de puro caça-níquel que a história poderia ter.

A arte de Stefano Martino é bonita e detalhada, reproduzindo o Mundo Invertido da série com um viés um pouco menos sombrio, algo em que ele é ajudado pelas tintas de Keith Champagne e pelas cores azuladas de Lauren Affe. Ele também é muito feliz ao criar o mundo fabulesco de D&D que é intercalado à história de forma onírica. No entanto, ele peca pela falta de dinamismo nas poucas sequências de ação e por picotar demais as páginas em pequenos quadros, algo desnecessário para o baixo grau de complexidade do roteiro de Houser. Martino teria beneficiado mais a minissérie se trabalhasse mais splash pages ou páginas duplas para lidar com os momentos mais importantes.

Stranger Things em quadrinhos é uma leitura agradável e rápida que acrescenta pequenos detalhes a esse fascinante universo nostálgico infanto-juvenil. Não é um tesouro, mas é sem dúvida um divertimento enquanto uma nova temporada não vem.

Stranger Things (Idem, EUA – 2018/9)
Contendo: Stranger Things #1 a 4
Roteiro: Jody Houser
Arte: Stefano Martino
Arte-final: Keith Champagne
Cores: Lauren Affe
Letras: Nate Piekos
Editoria: Spencer Cushing
Editora original: Dark Horse Comics
Data original de publicação: 26 de setembro, 31 de outubro e 28 de novembro de 2018 e 02 de janeiro de 2019
Páginas: 93

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14 comentários

Maurilei Teodoro 7 de janeiro de 2019 - 17:45

Será que vai lançar por aqui?

Responder
planocritico 8 de janeiro de 2019 - 07:16

Cara, é um tiro no escuro o esquema de publicações no Brasil. Não saberia mesmo dizer…

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 7 de janeiro de 2019 - 10:03

Essa forma de adaptação me lembra isso:
https://uploads.disquscdn.com/images/e239e366dc37c9909f4bc13873da03d289d966c23ccceb3c16f898e70df7b28c.jpg
Depois de me encantar com o filme no cinema (meu Deus, 1989!!!), o adolescente foi correndo comprar nas bancas a hq que era fiel ao filme. E não me arrependi!

Responder
planocritico 7 de janeiro de 2019 - 10:30

Noooooooossa!!! Mas essa aí você tirou do fundo do baú… Fiz que nem você na época!!!

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 7 de janeiro de 2019 - 10:47

Decorei cada detalhe da revistinha – rsrsrrs; e como era bem feita. O “evento” Batman foi algo realmente grandioso na época.

Responder
planocritico 7 de janeiro de 2019 - 10:50

Era algo incomparável com a proporção dos eventos de hoje em dia, mas certamente tinha um sabor especial, de coisa não diluída, com o pessoal dando mais valor e perenidade ao que havia…

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 7 de janeiro de 2019 - 11:02

Exato, a divulgação mais modesta perante os dias atuais (assunto que até geraria uma matéria sobre os excessos dos trailers e “vazamentos” atuais), tornava tudo mais concreto e – principalmente – com um toque do inesperado que faz parte da magia do cinema.
Mas a coisa parece que está melhorando, o primeiro trailer dos Vingadores parece que foca apenas nos minutos iniciais…

planocritico 7 de janeiro de 2019 - 11:21

Eu nem quero ver!!!

Abs,
Ritter.

Fórmula Finesse 8 de janeiro de 2019 - 08:26

Sou ainda mais radical, como não tenho IMAX de alta definição por aqui (redundância?), vou pular o cinema e esperar MESESSS para ver em Blurei – rsrsrsr

Lucas Casagrande 7 de janeiro de 2019 - 18:36

Primeira revista de super heróis que comprei na minha vida ( na verdade meu pai comprou, eu tinha 6 anos na época ) e foi poucos dias após eu ter ido ai cinema com ele ver esse filme, obrigado por isso, me bateu uma nostalgia ótima agora

Responder
planocritico 8 de janeiro de 2019 - 07:14

Momentos inesquecíveis da vida de um leitor de quadrinhos!

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 8 de janeiro de 2019 - 08:24

Sim, essa revistinha também só me lembra coisas boas.

Responder
planocritico 8 de janeiro de 2019 - 08:33

Quem chama HQ de revistinha tem automaticamente meu respeito!

HAHAHHAAHAHAHHAHAHAH

Abs,
Ritter.

Responder
Fórmula Finesse 8 de janeiro de 2019 - 09:21

#VÉIPAIA rsrsrsrsrsrsr

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