Crítica | Street Scenes

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Segundo documentário dirigido por Martin Scorsese (o primeiro foi New York City… Melting Point, de 1966) Street Scenes foi filmado no mês de maio de 1970, durante os protestos nacionais contra a guerra no Vietnã, mais precisamente por ocasião dos históricos Hard Hat Riot (8 de maio de 1970) e do Kent State/Cambodia Incursion Protest.

Apesar de ser um documentário politizado, não existe uma abordagem partidária por parte do diretor. Ele mesmo disse, anos depois, que procurou orientar a montagem para algo mais amplo e honesto possível. Quando exibiu o filme para os amigos e para alguns militantes que participaram dos protestos e também das filmagens, a maioria odiou o que viu, e renegaram o filme. O fato é que o debate político levantado em diversos momentos, mais a intenção geral da obra em torno dos protestos (ou seja, o filme é claramente a favor dessas manifestações) não se aferram a uma visão única ou estão o tempo inteiro pregando para o espectador. E isso é o que torna o filme relevante.

A documentação é tecnicamente bem simples, majoritariamente em preto e branco e com algumas cenas em cores. O formato também varia, mas a penetração da equipe de filmagem no espaço de luta e a força desses protestos não se alteram em nenhum momento. Estamos todo o tempo diante de pessoas contra e a favor da tomada das ruas; contra e a favor da violência policial; contra ou a favor da violência contra o patrimônio e, no meio de tudo isso, sobra espaço para os mais variados tipos de agressão entre os diferentes lados da moeda, com direito a hilários “VAI PRA MOSCOU!” e também “SE NÃO GOSTA DESSE PAÍS, VÁ EMBORA, VÁ PARA A URSS!“… gritos de defesa da ordem (estatal e civil) que na verdade ecoam até hoje, com novas nações e cidades na lista de “itinerários comunistas” favoritos dos que sonham com o exílio daqueles que pensam diferente. Ou que imaginam que uma crítica ao Estado, ao governo ou a certos caminhos políticos é uma imediata declaração de ódio ao país.

Alguns intertítulos nos indicam datas e mudança de local, mas não há didatismo nesse processo. São apenas passagens de um evento para o outro, a maioria, infelizmente, feita de maneira abrupta. A excelente trilha sonora, com músicas das bandas Blind Faith e Canned Heat, ajuda a engrandecer a atmosfera de manifestações e de furor político e social, e o espectador está o tempo inteiro esperando que cenas de violência policial ou de manifestantes apareçam na tela, o que de fato acontece algumas vezes.

Rara e importante documentação sobre sonhos de diferentes gerações e pensamentos políticos bem distintos, o longa vai do homem que diz que a Guerra do Vietnã “não é uma guerra“, apenas uma brincadeira de “cowboys e índios” até uma discussão e divergências dentro da própria equipe de produção do filme, após os protestos em Washington, que conversam num quarto de hotel sobre o que acabaram de presenciar. Estão nessa sequência Martin Scorsese, Harvey Keitel, Jay Cocks e Verna Bloom, ao lado de outros estudantes da NYU, trazendo à luz as possíveis consequências dos atos que documentaram. O projeto Street Scenes é um excelente documento histórico e um ótimo início de discussão sobre movimentos anti-guerra nos EUA. Os maiores incômodos da obra estão na edição, mas seu conteúdo e importância superam os erros. Um ótimo documentário do início da carreira de Martin Scorsese.

Street Scenes (EUA, 1970)
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Verna Bloom, Jay Cocks, Harvey Keitel, William Kunstler, Martin Scorsese
Duração: 75 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.