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Crítica | Sucker Punch: Mundo Surreal

por Gabriel Ferreira Vieira
603 views (a partir de agosto de 2020)

Um dos motivos pelos quais o diretor norte americano Zack Snyder é tão escrachado, principalmente pelos auto denominados cinéfilos — e que, na verdade, deveria ser um motivo de mérito –, é a assinatura particular de seus filmes, considerados muito infantis, em cujos lançamentos já se espera comentários engraçadinhos do tipo “será que Snyder já saiu dos 8 anos de idade?”. E o que geralmente se vê como infantil nos filmes do diretor também pode ser visto como uma criatividade infinita, inocente, porém infinita. Pois o mundo dele não tem os idiotas limites demarcados pela oligarquia cinematográfica internacional. Sucker Punch, sua primeira história original, prova esse ponto e mostra um artista tentando fazer algo diferente.

Há todos os tipos de fantasia ali dentro. Muitas críticas pode se fazer em relação aos conteúdos pesados misturados com toda a inventividade, por parecer estar sendo explorado algum tipo de fetichismo absurdo — algo que, aliás, se fosse feito por qualquer diretor europeu cult viraria motivo para lindos comentários sobre a eternidade da obra. Mas nada no longa em relação à violência tem a ver com fetichismo, ao contrário, é uma exposição de um mundo perturbado por ela. Não é uma mente que se aproveita dela, é uma mente tentando fugir o tempo todo de sua avassaladora destruição, que está por toda parte.

De fato, há um Zack Snyder criança ali dentro — como também há uma criança Jacques Tati em todos os filmes do francês, como também há uma criança Vertov, uma criança Godard, uma Cronenberg… não é necessário falar mais. Essa criança presente no filme é a criança que há em todos nós, quando tentamos fugir da realidade por meio de nossa infinita imaginação. É um filme sobre fuga, sobre a fuga de um hospital psiquiátrico, a fuga de uma escabrosa casa de dança com suas dançarinas escravas, fuga da violência (às vezes até sexual). Nessa fuga Snyder mora em sua protagonista, cuja mente vai a mundos dignos de videogames épicos – todos eles, todas essas terras, sofrem com guerras em escalas de destruição total, guerras apenas grandes o suficiente para comportar toda a ansiedade vivida pela personagem: são mundos conflituosos porque sua cabeça está sempre em conflito, ela vive a violência todo dia, o dia todo, e é o conflito que mora nela que vemos nesses espaços fantasiosos.

O que acontece com toda essa fantasia é a continuidade nos planos das prisioneiras. E depois… bem, depois não há muito o que achar. A finalização lembra, no sentido da conversa com o expectador (literalmente nos dois casos), O Procurado de Timur Bekmambetov – outro diretor cuja inventividade é impressionante para o nível do cinema. Porém, no caso do segundo, a proposta é tal, não precisando nem da cena última para deixar entendido, enquanto em Sucker Punch não parece o caso. A mensagem de luta, claro, está presente na história, mas por todas as suas escolhas da metade para o final, incluindo a mudança de protagonismo, parece na verdade mostrar uma extrema falta de confiança. Como se para Snyder, apesar de toda a luta, não há o que fazer – há apenas o vazio. O filme por fim, parece sem saber muito o que dizer ao seu público, depois da incrível exploração da inventividade humana. E, após a luta, após todas as músicas – escolhidas de forma tão pessoal pelo diretor, que nos prende de cara –, após uma exposição cinematográfica brilhante o quanto quis, não sobra espaço para chegar a um final que tenha algo a dizer com tudo isso. Deixando-nos apenas no desejo. E os cinéfilos na felicidade de sair da sala do cinema para falar mal de Zack Snyder mais uma vez, viva.

Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch) – EUA, Canadá, 2011
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Zack Snyder, Steve Shibuya
Elenco: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm, Scott Glenn, Richard Cetrone, Gerard Plunkett
Duração: 110 min.

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31 comentários

Camilo Mateus 27 de maio de 2020 - 23:21

eita filmezinho meia boca.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de maio de 2020 - 03:37

RUIM DEMAIS, SÔ!!!

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Park Naty 26 de agosto de 2019 - 23:47

Eu tenho que defender esse filme. Eu não concordo com muita coisa, mas respeito sua opinião, pois sempre tem quem ame e quem odeie. Acho que o filme vai bem além do que você vê por cima, é cheio de partes soltas que você tem que pegar e juntar pra no final entender.
Achei uma análise muito boa dele, queria quê você desse uma olhada, eu mudei minha opinião bastante depois de ler.
( https://www.proibidoler.com/cinema/sucker-punch-uma-analise-sobre-simbolismo-e-controle-mental/ )

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Park Naty 26 de agosto de 2019 - 23:47

Eu tenho que defender esse filme. Eu não concordo com muita coisa, mas respeito sua opinião, pois sempre tem quem ame e quem odeie. Acho que o filme vai bem além do que você vê por cima, é cheio de partes soltas que você tem que pegar e juntar pra no final entender.
Achei uma análise muito boa dele, queria quê você desse uma olhada, eu mudei minha opinião bastante depois de ler.
( https://www.proibidoler.com/cinema/sucker-punch-uma-analise-sobre-simbolismo-e-controle-mental/ )

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Matheus Ayato 18 de abril de 2019 - 00:00

Eu amo o jeito fantasioso que Snyder dá a “doenças mentais” como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático (que é visto tanto na Babydoll quanto nas irmãs Rocket e Sweet Pea). Já traços infantis não é só presente nas lutas nem só no figurino das protagonistas, mas o jeito como o filme se caminha após Babydoll ter a realidade do hospício trocada pela realidade da casa noturna, como se fosse uma série de imaginações em uma imaginação. Há tantas metáforas simples, tantos rumos ao filme, tem tantas possibilidades de final, é incontável o número de possibilidades que podemos encaixar perfeitamente nesse filme. Tem seus pontos ruins como a erotização extrema das protagonistas, que no meu ponto de vista, deveriam demonstrar tamanho poder feminino sem vulgaridade (mas talvez seja proposital). Também me estressa o fato de que, talvez nunca iremos saber o que aconteceu pra Amber estar lá, assim como Blondie, já que o brilho do filme se limitou a Babydoll, a Sweet Pea e Rocket. “O senhor que ajuda elas é alguém vivo?” “Que fim levou o manicômio?” “Babydoll realmente perdeu a memória?” fica essas e mais perguntas no final. Mas de forma breve, o filme é bom, bem feito e com um elenco perfeito, onde todos ali se encaixaram bem em seus papéis. Estou esperando ansiosamente uma continuação ou uma explicação sobre o filme hehe

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pabloREM 16 de julho de 2018 - 16:12

Estava olhando a filmografia do Snyder. Tirando Guardiões que não assisti, acho que ele tem uma visão bem particular das coisas que, na minha opinião, as vezes funciona (Watchmen, Madrugada dos Mortos) outras não (300, BvS). Sucker Punch fica no meio do caminho e acho que funcionaria melhor se ele tivesse feito um filme +18 e escancarado a parte sexual do filme. É como se ele tentasse ao mesmo tempo agradar adultos sexualmente ativos e adolescentes espinhentos virgens.

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Gabriel Ferreira Vieira 17 de julho de 2018 - 17:11

Concordo perfeitamente. Até daria pra dizer que o fato de o filme trazer essa infantilidade torna a violência desnecessária de ser mostrada graficamente. Mas não vem ao caso já que ela existe, sim, graficamente – só não é explícita. Quanto aos outros filmes de Snyder ainda bem que não escrevi sobre 300 – adoro histórias gloriosas, mas consegui achar nada de bom nesse filme.

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Diego/SM 16 de agosto de 2020 - 18:31

Aí, Gabriel… nem vi o filme em questão aqui (tô só dando aquela “passeada” de uma ociosa tarde de domingo rss), mas bota curiosa nisso a sua visão – um apreciador do Snyder… mas que não curte 300!! kkkk… (que já eu, por outro lado, não sou o maior fã do cara, mas acho 300 um baaaaita filme! hehe casa uma baita história – com H maiúsculo, né – , fotografia legal, um som massa, e tudo temperado com um ritmo empolgante… mas, enfim, é a velha história, né, “gosto é gosto” – teve um amigo que não gostou de 300 e curtiu aquela porqueira de “Imortais”… vai entender kkkkk) Abraço!

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Crítica | Sucker Punch: Mundo Surreal – Críticas 16 de julho de 2018 - 14:55

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Henrique Valle 14 de julho de 2018 - 18:29

Ah, Sucker Punch…
Sou ferrenho defensor desse filme, mas, sendo um dos poucos (único?) filme completamente original do Zack Snyder, me pergunto como que alguma pessoa com poder de decisão na Warner termina esse filme e pensa: “é EXATAMENTE isso que a gente quer pro Maior Escoteiro do Mundo”

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vc falou em pipoca? 14 de julho de 2018 - 19:56

Verdade, ainda bem que o super dos filmes não tem nada a ver com os conceitos desse filme, diria que o batman foi quem ficou com essa vibe.

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vc falou em pipoca? 14 de julho de 2018 - 18:13

Dizem que a versão estendida melhora o filme, como não vi vou expôr o que eu acho dessa versão. Simplesmente uma diversão bem feita, nem muito complexa mas sabe que diversão é coisa séria então se dá o trabalho de fazer algo agradável para expectador ávido por ação. Não muito diferente do que del toro fez em círculo de fogo (apesar desse ter a trama mais rica eu diria).

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Luiz Santiago 14 de julho de 2018 - 11:34

Embora discorde de cada palavra que você escreveu, especialmente em relação às comparações a filmografias — porque o conceito de “criança interior” dos diretores que você cita são, na minha leitura, imensamente opostas a qualquer coisa que Snyder faz. O tal “elemento infantil” de Snyder não passa pelo crivo do conteúdo e sentido entre exposição e drama, diferente de todos os diretores citados — foi muito interessante conhecer mais uma leitura defensiva a respeito, mesmo com o cinismo acusatório às outras interpretações, que preferi ignorar hehehehehehehe.

Pontualmente: acho o filme bastante ruim, a pior coisa do Snyder que eu já vi. Mas ao mesmo tempo, concordo totalmente com vc que existe um gigantesco elemento criativo em pauta. Snyder é mesmo um diretor criativo. O que pesa em sua assinatura é o exagero, o modo vazio e majoritariamente sem sentido com o qual ele usa seus caprichos visuais. Penso que há diferença entre cacoetes de um diretor que sempre põe algo X em tela, e outro que só o faz porque acha legal fazer. O critério pelo critério. Isso não é técnica. É desperdício.

Aí que pega o negócio de Sucker Punch, eu acho. E a divisão de opiniões começa justamente nessa recepção do exagero como algo simplório ou como algo simbólico. São visões diferentes, apenas. E sempre inconciliáveis. Eu já li inúmeras outras críticas de defesa a respeito, buscando caminhos para tentar me fazer ler a obra com outros olhos. Muitos desses textos apresentam bons caminhos de visão, como o seu o faz, através de uma análise da criatividade como concepção de toda a obra, mas para mim, ainda não consta como algo sensível para tirar esse filme do poço — tirando o fato de discordar da argumentação em si, claro. Mas cara, esse é ou não é o verdadeiro “ame ou odeie” por excelência? Acho que já virou padrão da divisão de opiniões AHUAHAUAHUAHUAHAUHAUAHUAHAUHUAAUAAU.

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Gabriel Ferreira Vieira 15 de julho de 2018 - 03:52

Pois sim. É um divisor de opiniões verdadeiro esse filme. E tudo isso sobre conteúdo e simbologia do filme tem a ver com o que a oligarquia cinematográfica pede e isso, na verdade, torna-se castração criativa para qualquer artista – muitas das artes já superaram suas oligarquias e o cinema está atrás por ainda não o ter feito. Não invalidaria a obra simplesmente por ser vazia de conteúdo (que na verdade não é), quando cada diretor deveria ter sua liberdade em relação a isso. O problema mesmo mora em começar com tudo e não saber finalizar, esgotarem-se as idéias. Quanto a questão acusatória, abada existindo justamente por estarmos revistando o filme, analisando sua passagem no tempo e comparando sua importância atual à sua importância na época.

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Ruqui 17 de julho de 2018 - 15:36

Sion Sono fez um filme, TAG, que lembra alguma coisa de Sucker Punch. De longe não é a melhor coisa feita por ele, mas acho muito melhor que o filme do Snyder. E mais, para alguém que fez Watchmen para nos livrar de Terry Gilliams deste mundo, Sucker Punch mais do que tem influencias de Brazil.

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Anônimo 31 de dezembro de 2020 - 11:06
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Luiz Santiago 31 de dezembro de 2020 - 16:05

Deurr me defenderay

Responder
Anônimo 31 de dezembro de 2020 - 12:57
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Lucas Alves 16 de maio de 2018 - 02:22

Pior crítica que já li.

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Marcos Aurelio Bitencourt Dos 7 de novembro de 2017 - 13:00

Eu gostei do filme. Nao entendo muito das teorias da linguagem cinemática/visual ( sei lá), mas mesmo assim esse filme me fez pensar em questões pertinentes ao que é humano e na profundidade da nossa psique. rsrs

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JGPRIME25 1 de março de 2017 - 17:55

Me sinto ruim por gostar tanto desse filme.

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Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 18:13

Hahahah não se sinta!

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Davenir Viganon 22 de abril de 2016 - 18:42

Se eu vivesse em um mundo sem xvideos, com certeza gostaria desse filme, no mais é inútil.

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Davenir Viganon 22 de abril de 2016 - 18:42

Se eu vivesse em um mundo sem xvideos, com certeza gostaria desse filme, no mais é inútil.

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Diogo Maia 28 de março de 2016 - 20:33

Esse filme divide a opinião dos espectadores como nenhum outro na história recente do cinema. Eu tento ver as qualidades presentes no longa tanto quanto os defeitos, o que faz dele uma obra razoável, quase boa. De qualquer maneira já o acho melhor que Madrugada dos Mortos e Watchmen.

Responder
Diogo Maia 28 de março de 2016 - 20:33

Esse filme divide a opinião dos espectadores como nenhum outro na história recente do cinema. Eu tento ver as qualidades presentes no longa tanto quanto os defeitos, o que faz dele uma obra razoável, quase boa. De qualquer maneira já o acho melhor que Madrugada dos Mortos e Watchmen.

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Diego Molezine 9 de fevereiro de 2016 - 07:20

O cara quer ser crítica classificando o filme como filma de ação e dizendo que foi um 300 de calcinha ! aff! Não conseguiu nem entender a proposta central do filme !

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Wagner Pires 31 de agosto de 2015 - 11:50

O filme é um grande caso de mandar o seu cérebro dar uma volta e tentar curtir o filme, ou melhor, as cenas, o filme como um todo acho que não dá.

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paulo ricardo 9 de julho de 2015 - 18:24

Só vale pelas beldades, em especial a Emily , o filme é uma porcaria !

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Luiz Santiago 9 de julho de 2015 - 16:10

Eu ri do começo ao fim! hahahaha. Excelente crítica, Matheus! Refletiu bem o que eu achei sobre o filme! 😀

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Matheus Fragata 9 de julho de 2015 - 20:06

Dedicatória especial a você, meu amigo!

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