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Crítica | Super-Herói Americano – 1X01 e 02: The Greatest American Hero

Nunca deixe de ler as instruções!

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna semanal dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 3
Número de episódios: 45
Período de exibição: 18 de março de 1981 a 03 de fevereiro de 1983
Há continuação ou reboot?: Houve um piloto de uma continuação que transferia o uniforme para uma mulher depois que a identidade do protagonista é revelada para o mundo. No entanto, ele nunca tornou-se série e acabou transformado no último episódio da terceira temporada da série.

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A série Super-Herói Americano provavelmente marcou mais época no Brasil do que em seu país de origem, graças às incessantes reprises no SBT das desventuras do professor Ralph Hinkley (William Katt), que recebe um traje que lhe dá poderes como um presente de seres extraterrestres, juntamente com um manual de instruções que ele imediatamente perde, obrigando-o a aprender a usar suas habilidades na base da tentativa e erro. Magro, loiro e com cabelos encaracolados, a figura de Hinkley – que, famosamente, por algum tempo, teve seu sobrenome trocado para Hanley em razão da tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan por John Hinckley Jr. – é engraçada e meiga por si só e seu pareamento com o veterano agente do FBI Bill Maxwell (Robert Culp), algo também orquestrado pelos E.T.s, leva a situações quase que naturalmente cômicas, daquele jeito pastelão que a premissa pede.

O primeiro episódio da série, na verdade, foi um telefilme de 95 minutos que foi ao ar em 18 de janeiro de 1981 nos EUA, sendo depois convertido nos dois primeiros episódios da curta primeira temporada de apenas nove. É esse telefilme – como telefilme e não como dois episódios, apesar do título – que é objeto da presente crítica, e a impressão inicial da origem e primeira aventura do atrapalhado personagem usando um collant vermelho e capa preta que ele não sabe controlar é bem diferente daquela que guardamos em nossa caixinha nostálgica em algum canto do cérebro. Nada funciona muito bem no telefilme que muito claramente não tinha roteiro para sustentar a duração avantajada do que não passa de um episódio regulamentar – com boa vontade – estendido até não poder mais.

É até interessante como o começo, do ponto em que vemos Hinkley começar a lecionar para alunos problemáticos em uma escola, um deles vivido por um dos piores atores que já singrou o audiovisual, Michael Paré, o heroí do sensacional Ruas de Fogo, até o ponto em que ele finalmente veste o uniforme alienígena, é trabalhado como um drama leve, com Hinkley cuidando de seu filho pequeno e lidando com uma batalha judicial com sua ex-esposa pela guarda do garoto, algo em que é ajudado por sua advogada Pam Davidson (Connie Sellecca), que gosta dele. Toda essa trama pessoal e familiar simplesmente não combina com o que vem a partir do ponto em que o protagonista passa a usar seu uniforme e, mais ainda, quando ele se envolve em uma trama de assassinato do presidente dos EUA (repararam na coincidência com o evento verdadeiro envolvendo Reagan e Hinckley Jr., que ocorreu exatamente 12 dias depois da estreia do telefilme?).

O roteiro do criador da série, Stephen J. Cannell, tem algumas poucas boas ideias, como os capangas do vilão serem todos iguais, carecas e de óculos escuros e o uso da versão zumbi do parceiro de Bill para a entrega da valise contendo o traje, além do uso constante do Superman como inspiração mais do que explícita, o que levou a uma ação contra a produtora pela Warner Bros. (que a Warner perdeu, vale dizer), mas a grande verdade é que, mesmo para uma comédia descompromissada, falta coesão interna e tudo acontece muito mais aleatoriamente do que a partir de eventos encadeados. E isso desde o começo, com uma excursão pelo deserto levando ao encontro aleatório de Ralph com Bill que leva ao encontro aleatório dos dois com os alienígenas (ou com um disco voador, já que os seres não são revelados). Falta uma cola narrativa qualquer que de maneira mais uniforme e lógica leve Ralph a Bill e assim por diante, nem que seja algo simples como é o disco voador de Alf caindo no telhado da garagem da família Tanner, algo que é particularmente sentido pelo fato de esse começo ser um telefilme-piloto e não um mero episódio.

No entanto, olhando apenas para o básico do básico, ou seja, a figura de William Katt como o desajeitado novo herói da cidade que não consegue sequer voar em uma linha reta e não consegue controlar sua força, é inegável o quanto Super-Herói Americano é uma série que tenta fazer o inusitado desde o começo, algo em que é ajudado pela inesquecível música tema Believe It or Not composta por Mike Post (melodia) e Stephen Geyer (letra) e interpretada por Joey Scarbury. Mesmo com um início lento e tonalmente estranho, esses dois elementos encantam imediatamente, o que talvez explique o sucesso duradouro que a relativamente curta série teve por aqui.

Super-Herói Americano – 1X01 e 02: The Greatest American Hero (The Greatest American Hero, EUA – 18 de março de 1981)
Criação: Stephen J. Cannell
Direção: Rod Holcomb
Roteiro: Stephen J. Cannell
Elenco: William Katt, Robert Culp, Connie Sellecca, Faye Grant, Michael Paré, Jesse D. Goins, William Bogert
Duração: 95 min.

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