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Crítica | Supergirl – 1X01: Piloto

por Melissa Andrade
123 views (a partir de agosto de 2020)

Supergirl não começou tão bem quanto era o esperado. O episódio piloto vazou meses antes da estréia original e a emissora teve que lidar com todos os comentários e se manter firme na decisão de não alterar nada.

Bem, não tenho como tecer um comparativo entre os dois, mas posso afirmar que me surpreendi com o que vi.

O que para muitos pode parecer juvenil demais ou até feminino demais, é na verdade uma quebra de paradigmas estabelecidos há muito pela indústria do entretenimento, a qual todos consumimos vorazmente e sempre queremos mais e mais. Afinal, as séries com super-heróinas costumavam fazer sucesso na época dos nossos pais. Sem mencionar clássicos como As Panteras e Golden Girls. Entretanto, em pleno século 21, parece que o papel da mulher nesse cenário ficou limitado a ser a sidekick gostosa e que salva a pele dos heróis em dados momentos (oi para a Viúva Negra, Maria Hill e mais recentemente, Feiticeira Escarlate. Se bobear, Mulher Maravilha vai entrar nessa dança também!).

Logo, uma série que foque nos percalços de uma heróina em descobrir seu verdadeiro valor perante uma sociedade acostumada ao seu primo popular e carismático tem mais é que ser bem recebida.

Tem falhas? Sim. Muitas. Mas, é só o primeiro episódio. Qual série parece promissora em apenas um único episódio? 

Kara nasceu e cresceu com o único propósito de proteger o primo Kal-El, que, vocês sabem, se torna o Superman. Acontece que algo deu errado na decolagem da nave e ela ficou presa na Zona Fantasma. Quando chegou à Terra, seu primo já havia se tornado o herói e ela não mais possuía uma missão. O que fazer? Kara então aprendeu a se adaptar e ser apenas mais uma na multidão, nada de poderes. Mas, algo dentro dela dizia que poderia ser bem mais do que isso. Afinal, o mundo sempre precisa de mais heróis. E quando a oportunidade perfeita aparece, por que não utiliza-la? Mas, sem qualquer prática, a vida de heroína se mostra mais complicada do que parece e Kara precisará lidar com tudo de frente.

O ritmo do episódio é acelerado e tudo acontece meio que em um relâmpago, o que prejudica bastante o conteúdo do roteiro e a apresentação de personagens. Alguns núcleos são dispensáveis e há uma clara necessidade de enxugar a base da trama e torná-la mais crível e não tão amadora.

Melissa Benoist, apesar da minha inicial relutância com a escalação da xará, adequa-se bem ao papel criado para ela e é a única que parece entender o que está fazendo no episódio inteiro. Outro ponto acertado foi a escalação de Helen Slater e Dean Cain para o papel dos pais de Kara e Alex. Mesmo em se tratando de pequenas participações, é sempre bom ver as séries atuais e seus criadores honrando aqueles que já interpretaram o papel anteriormente (Slater foi a Supergirl do filme de 1984 e Cain, claro, o Superman da série de TV Lois & Clark), como no caso de The Flash, por exemplo.

Infelizmente, o restante acaba caindo numa rede enorme de clichês, que, espero, tenham sido todos sanados nesse episódio para enfim seguir em frente como deve ser.

Agora, se esperam uma Supergirl porradeira, sem qualquer medo de enfrentar os inimigos e, principalmente, o total oposto de seu primo, talvez essa série não seja para você. A proposta aqui é atrair um público que aos poucos vem crescendo exponencialmente e precisa de personagens fortes para se espelhar. Kara é tímida, insegura e determinada, forte e com princípios e valores bem estabelecidos. Ela é uma mulher que também é uma heroína e isso é Supergirl, desconstruir a personagem e torná-la mais humana.

Supergirl 1X01: Piloto (EUA, 2015)
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti e Ali Adler
Direção: Glen Winter
Roteiro: Greg Berlanti, Ali Adler, Andrew Kreisberg
Elenco: Melissa Benoist, Mehcad Brooks, Chyler Leigh, Jeremy Jordan, David Harewood, Calista Flockhart, Dean Cain, Laura Benanti, Helen Slater, Owain Yeoman, Faran Tahir, Ben Begley, Robert Grant, Malina Weissman
Duração: 43 min.

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18 comentários

Lion 30 de novembro de 2015 - 19:02

Gente de deus..que série mais ridícula! atuação, cenário, efeitos, história..nada presta. Simplesmente intragável!

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Caio Vinícius 12 de novembro de 2015 - 21:49

Olha, eu estava muito cético quanto à essa série. E devo dizer que o começo me surpreendeu, o carisma da personagem é muito intenso. Mas aí começou o draminha do vilão da vez e a protagonista destreinada se enche de confiança (e artes marciais) num deus ex machina que simplesmente arruinou o episódio pra mim. Não sei se continuarei a assistir.

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Ricardo Heydersoon 29 de outubro de 2015 - 20:34

Assisti e não gostei do que vi. Pra ser sincero, a única coisa que me agradou foi a protagonista. De resto, parece seguir a cartilha de Arrow e The Flash, que sinceramente é chato e repetitivo. Arrow me empolgou na metade da primeira temporada até saber do plano ridículo dos vilões e The Flash tinha tudo pra ser boa, mas é desperdiçada em tramas rasas e infantis (Nota 10 pela ousadia em alguns casos, que infelizmente usa apenas pra alimentar os fãboys: vide Grood e Multiverso).
Supergirl podia ser bem melhor, mas prefere segui a receita das outras séries. Sério, essa coisa de vilão da semana pra série de super-heróis é o pior caminho que se pode seguir. Como sempre, as séries da DC são apenas mais do mesmo, um enorme potencial desperdiçado.

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Maycon Oliveira 29 de outubro de 2015 - 18:31

Essa Kara não era pra ser quase um oposto do homem de aço?

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Melissa Andrade 30 de outubro de 2015 - 23:27

Na HQ sim, na série de tv não.

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Ezequiel 29 de outubro de 2015 - 14:49

Parece que ele tem uma tatuagem na perna.

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Luiz Cardoso 28 de outubro de 2015 - 21:00

Piloto bem confuso e com exposição exagerada, a “presença” do Superman me incomodou um pouco, podiam ter usado o personagem de maneira mais eficiente, ou então nem deveriam citar ele e caramba, bem raso e forçado o ‘manifesto girl power’ no roteiro hein? “No meu planeta, as mulheres se curvam […]”, xenofobia seletiva do maluco do DOE… Enfim, empoderamento é ser mais que mostrar a mina como coitada/excluída e logo depois chutando bundas…

De positivo tem o fato de ter uma voz diferente de Arrow e Flash, os efeitos são bem honestos pra TV, a fotografia (graças a Odin) não lembra nada as séries da CW, a sequencia dela salvando o avião começou bem brega mas foi muito bem feita e ver ela impedindo crimes comuns também foi bem divertido. Melissa parece bem ambientada como Kara, assim como o amigo da friend-zone e, na boa mesmo cheio de defeito esse foi um piloto muito melhor que o de Flash, Arrow e Constantine (RIP).

To realmente ansioso e curioso pra ver se conseguem entregar uma série que realmente traga diversidade pro gênero, mas pra ser bem sincero, no final do piloto eu fiquei com um duplo gosto ruim na boca, pela premissa da primeira temporada (caçar os fugitivos da prisão qualquer coisa fede a vilão da semana) e pelo plot mais mexicano das séries de quadrinho, tia-gêmea malvada é um pouco demais, por sorte a atriz tem alguma bagagem, é torcer pra conseguirem transformar essa pataquada em algo bacana.

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Melissa Andrade 29 de outubro de 2015 - 14:09

Foi realmente um episódio corrido e acho que tudo de ruim ficou gravado nesse episódio e que daqui para frente eles cresçam e melhorem.

Quanto ao fator do empoderamento devo dizer que discordo de você. Foram usadas algumas frases, mas significa mais do que isso e está representada na série como um todo.

Também não gostei da Tia gêmea má, mas é aguardar para ver o que vão fazer e a fotografia não tem como ser igual pois são emissoras diferentes, ainda que o criador seja o mesmo.

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Luiz Cardoso 29 de outubro de 2015 - 15:05

Eu tb acho que eles devem entrar forte nesse assunto (sexismo), só não acho que ele foi abordado de forma eficiente no piloto, quanto a “mão” da CW não ter chegado na CBS, eu tive medo disso acontecer e fiquei muito aliviado de ver que isso não aconteceu.

To estranhamente empolgado por essa série (pq sinceramente nunca liguei nada pra Supergirl, nem pra Poderosa), então acho que o piloto cumpriu o seu papel, mesmo com as ~52~ falhas.

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jcesarfe 28 de outubro de 2015 - 18:32

A série da Supergirl parece uma versão feminista da fusão de Flash com Arrow, a primeira em decadência criativa a segunda no tédio de não saber quando e como para. Espero estar errado, mas não levo fé.

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Melissa Andrade 29 de outubro de 2015 - 14:04

@@jcesarfe:disqus todos esperamos estar errados quanto as nossa suposições. Prefiro me manter positiva sempre 😉

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jcesarfe 30 de outubro de 2015 - 19:38

Somos dois, afinal eu pretendo assistir pelo menos a primeira temporada.

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João Victor 28 de outubro de 2015 - 16:02

Eu não gostei muito do episódio. Ele até começa legal, mas o roteiro é cheio de furos e odiei aquele Jimmy Olsen. As partes no trabalho dela parecem o diabo veste prada e muitos personagens clichês e unilaterais. Daria uma estrela. Espero q ela melhore com o tempo.

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Melissa Andrade 29 de outubro de 2015 - 14:04

Que pena @@disqus_wHaToaAYWX:disqus acho que no geral não foi dos melhores, mas, acho que pode ser muito mais do que isso.

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Henrique Valle 28 de outubro de 2015 - 13:12

“Mas é só o primeiro episódio. Que série parece promissora em apenas um único episódio”
Demolidor!
Chupa DC
Vai Marvel!
Brincadeirinha =P

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Melissa Andrade 28 de outubro de 2015 - 14:44

@henriquevalle:disqus confesso que prefiro Marvel a DC apesar de ter pego todas as críticas (praticamente) das séries para fazer por aqui. Mas, no consenso geral, nenhuma série tem um episódio piloto muuuito foda. Demolidor é exceção, você sabe hehehehe

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Cristiano de Andrade 28 de outubro de 2015 - 11:50

A formula vai ser a mesma de Arrow e Flash, se a galera pira nessas duas vai curtir isso tambem.Eu vou acompanhar mas sem esperar muita coisa.

Melissa, o que você está achando da segunda temporada do Flash?E a quarta do Arrow?Acredita que não tive coragem ainda de começar a quarta do arqueiro, tô com medo de passar raiva de novo kk

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Melissa Andrade 28 de outubro de 2015 - 14:46

@cristianodeandrade:disqus Também ainda não comecei a ver Arrow, mas cheguei de viagem semana passada, estou colocando a vida em ordem ainda. E Flash, bem, sou suspeita para falar, mas no geral começou bem fraca para o que eu esperava.

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