Crítica | Supergirl – 5X09: Crisis on Infinite Earths, Parte Um

O grande crossover anual do chamado Arrowverse da The CW começa com um episódio de Supergirl que tem a grande (ou seria única?) vantagem de ser mais sobre o evento em si do que sobre questões voltadas à série da super-heroína, o que estabelece as boas intenções do roteiro. Mas adaptar para a televisão Crise nas Infinitas Terras, provavelmente a saga mais famosa da DC Comics, não é uma tarefa fácil sob qualquer perspectiva que se analise. Afinal, nem mesmo nos quadrinhos Marv Wolfman soube manejar bem os tempos, os espaços e a quantidade de heróis nas páginas de maneira equilibrada, resultando em um trabalho sem dúvida memorável, mas intrinsecamente falho (e, se você é daqueles fãs que fazem bico, batem o pezinho e dizem “parei de ler” quando se deparam com algo que consideram heresia, beleza, tem minha autorização para parar de ler!).

Apesar de a Crise estar sendo preparada em tese desde que o Arrowverse começou, e mais acentuadamente no crossover anterior, Elseworlds, e ao longo das temporadas atuais de Flash e Arrow, a história precisava se manter de pé sem obrigar os espectadores a acompanhar tudo e o roteiro de Derek Simon e Jay Faerber faz todo o malabarismo possível para pelo menos estruturar em pinceladas macro o que está acontecendo. E, nesse aspecto, ele consegue, até porque a premissa da história original de Wolfman é simples: há um força de anti-matéria destruindo o multiverso e os heróis de vários universos precisam se reunir sob o comando de Mar-Novu, o Monitor, para combatê-la e evitar a destruição completa da vida.

O problema é quando a dupla escritora entra nos aspectos micro e tem que equilibrar tecno-baboseiras explicativas do que está acontecendo com personagens insuportáveis como Brainiac-5 e toda a quantidade de fan service que a produtora quer inserir para agradar o público, no caso as participações a jato de Alexander Knox (Robert Wuhl), revelando que a Terra-89 é a Terra do Batman de Tim Burton (até com a trilha de Danny Elfman!), Rapina (Alan Ritchson) e Robin II (Curran Walters), da série Titãs, na Terra-9, Ray (Russell Tovey reprisando seu papel de Crisis on Earth-X e da série animada do herói) na Terra-X e, finalmente, o Dick Grayson da série sessentista do Batman vivido por um hoje volumoso Burt Ward, com direito às cores de seu personagem, à música-tema clássica e um sensacional “Santo Céu Escarlate da Morte!” lá na Terra-66. E isso sem nem contar com Will Wheaton fazendo um profeta do apocalipse na Terra-38 que é referência ao “mesmo” profeta que vemos rapidamente em Superman II, duas Lois Lanes (Elizabeth Tulloch, de Supergirl + Erica Durance, de Smallville) compartilhando a tela em Argo City e Arthur (Griffin Newman) de The Tick naquele bar de trivia.

Confesso que foi momentaneamente divertido ver tudo isso e apontar para a tela com um sorriso no rosto, mas, em termos de construção narrativa, o resultado é uma bagunça inacreditável que mistura discursos motivacionais chorosos (aquele da Supergirl com o Superman foi de arrancar os olhos com colher) com as já citadas tentativas de explicações cheias de palavras pseudo-técnicas completamente desnecessárias que só distraem e nunca – NUNCA, eu reitero com maiúsculas negritadas – servem para alguma coisa e uma subtrama da busca do super-bebê que não se justifica no episódio para além de, sim, você acertou, o fan service. E o pior é que o elenco, que já não é lá muito chegado a detalhes como atuar, fica completamente travado em meio a esses diálogos truncados e isso mesmo em momentos de ação que se resumem a ordens sendo gritadas por Oliver Queen (um episódio só com dois Stephen Amell ninguém merece – ainda bem que o velho e o novo não apareceram juntos, senão a onda de anti-matéria destruiria até nossa Terrazinha querida) e executadas fora da tela para economizar efeitos especiais.

Aliás, falando em efeitos especiais, o que foram aqueles dementadores raquíticos que atacaram os heróis na torre do Monitor? Sério. Vergonha alheia total e absoluta, daquelas que deu vontade de parar de assistir no momento em que aparecem e colocar alguma coisa mais bem feita como… sei lá… os filmes do Ed Wood. E pior: são esses bichos escrotos que não criaram nenhuma dificuldade a herói algum (eles viram fumaça com socos da Batwoman!!!) que matam o mais antigo super-herói da CW. Antes que alguém aqui me chame de louco por chorar pela morte do Arqueiro Verde, deixe-me esclarecer e contextualizar. Ele morrer era esperado e isso poderia ter acontecido há sete anos que eu ficaria feliz, mas deixar o personagem amadurecer esse tempo todo para ele apanhar fora da tela (novamente) de monstros genéricos de CGI ruim e ter seu sacrifício aplaudido pelo Monitor que precisa explicar que, segundo seus cálculos, Oliver salvou um bilhão de pessoas (sem que tenhamos visto ou sentido qualquer coisa minimamente parecida com isso) foi incrivelmente patético, quase que um tapa na cara no fã do sujeito que, mesmo com todo o multiverso sabendo sua identidade, insiste em usar máscara. Fica aqui a esperança de que essa não foi a morte dele e que ele voltará à vida para morrer de maneira mais digna, pois até eu, detrator-mor desse arqueiro mequetrefe, fiquei revoltado.

É perfeitamente possível ver um semblante de esforço da produção nesse começo da Crise, mas, infelizmente, tirando as referências (hoje, filmes e séries pop vivem dessa muleta narrativa, é impressionante!) divertidas e a reunião dos heróis em si, não sobra muita coisa em pé seja na direção, no roteiro, ou no CGI. Infinitas possibilidades e o que ganhamos é uma crise de criatividade. Haja paciência…

Supergirl – 5X09: Crisis on Infinite Earths, Parte Um (EUA, 08 de dezembro de 2019)
Showrunners:
 Ali Adler, Greg Berlanti, Andrew Kreisberg
Direção: Jesse Warn
Roteiro: Derek Simon, Jay Faerber (baseado em história de Robert Rovner e Marc Guggenheim)
Elenco: Melissa Benoist, Stephen Amell, Grant Gustin, Katherine McNamara, Brandon Routh, Caity Lotz, Tyler Hoechlin, Elizabeth Tulloch, Ruby Rose, LaMonica Garrett, Tom Cavanagh, Audrey Marie Anderson, David Harewood, Chyler Leigh, Katie McGrath, Jesse Rath, Nicole Maines, Azie Tesfai, Robert Wuhl, Burt Ward, Russell Tovey, Curran Walters, Alan Ritchson, Erica Durance
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.