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Crítica | Supergirl – 6X01: Rebirth

por Davi Lima
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supergirl

Em contextualização, esse primeiro episódio da sexta temporada da série Supergirl, além de ser o começo da última temporada, também encerra a quinta temporada, a fatídica temporada, seja pelas suas temáticas tecnológicas, seja pela Crise nas Infinitas Terras no pacote de episódios. 

A série da CW, protagonizada pela carismática e excelente atriz Melissa Benoist, interpretando a Supergirl/Kara Danvers, sempre foi a série mais diferente do Arrowverse, ao menos entre as que faziam a tríade inicial, Arrow, Flash e Supergirl. Além do explícito discurso político mais vivo nos trajes da série, o ponto de vista feminino, a herança  da CBS, primeiro canal a transmitir Supergirl antes da CW, e a mitologia sci-fi kryptoniana em grande escala, sobrepondo dramas juvenis, acabou registrando a história de Kara Zor-El como algo à parte, felizmente. Assim, a insistência de crossovers, por mais que Crise nas Infinitas Terras tenha sido um alento para os fãs da DC de 2019 para 2020, não à toa, sempre colocaram Supergirl como primeira parte dos capítulos, exatamente porque era a série nichada do Arrowverse, e porque, talvez, sempre foi a série menos influenciada criativamente por Greg Berlanti, ou qualquer hipótese que ainda coloque Supergirl como um produto diferenciado da CW, mesmo com a linguagem televisiva do canal permanecendo. Logo, após a introdução de planos e subplanos eloquentes e elaborados por Lex Luthor (Jon Cryer) no roteiro da quarta temporada de Supergirl, a quinta temporada abraçou um disfarce de grandiosidade que nunca alcançou pela limitação orçamentária de episódios e pela relação da TV aberta com o público que necessita abafar algumas elaborações, e ainda precisa atender e desatender pedidos de fãs que foram determinando o sucesso da série. 

Então, chegamos a um grave problema de medidas, proporções e compensações que Supergirl não contasse, especialmente na adequação temporal e multiversal após a união do Arrowverse numa terra apenas, Earth-Prime, sendo a série antes da Earth-38. Desse jeito, mesmo que alguns não admitam, Supergirl acabou se perdendo dentro do seu labirinto, já complicado com Lex Luthor sabichão, por ter que sair dele por um episódio em mais um crossover, necessitando do antigo santo graal de objetividade que estreou Supergirl da CBS.

Dessa forma, trazer o diretor Jesse Warn para dirigir esse episódio Rebirth tão importante, tão complexo, com responsabilidade de início da sexta temporada, de aliviar os fãs da dispersão que a quinta temporada trouxe, alavancou a importância da objetividade, de resolução de dramas, e tudo que uma retomada de uma nova e última temporada com a inacabada temporada 5 necessitava.  Ao diretor Jesse Warm tem atribuído na sua conta o episódio da Crisis on Infinite Earths: Part One, mas também episódios objetivos, com: ou muito drama, ou novas coisas importantes a colocar na trama de maneira rápida, ou fazer o papel sujo de fazer correções narrativas com reciclagens bem medidas, como em Red Faced (S01E06), Faithful (S03E04) e It’s a Super Life (S05E13), respectivamente. Ao mesmo tempo que ele preserva um final grande em sentidos de conflitos dos heróis contra vilões do final da última temporada, as conclusões não perseveram em se estender. Se a justificativa dramática para resoluções é muito elaborada, como objeto ruim da quinta temporada, cheia de personagens e verbalizações temáticas sobrepostas, soando confuso em storytelling, percebe-se a dimensão conveniente, mas necessária, de restabelecer tudo com dramas contínuos e apagamento de conflitos imediatos para se caracterizar também como início de temporada.

Em suma, o bom do episódio é isso, a conjugação da conveniência do roteiro mais parecida com funcionalidade da boa objetividade. Porque se Lena Luthor (Katie Mcgrath) bate no irmão Lex como resposta do fã ao vilão interessantemente irritante, com a comédia de Luthor sendo reflexo das musicalidades associadas a ele cada vez mais incessantes de uma modernização (o momento “We Are The Champions” do Queen soa desfocado, mas bastante representativo de como Lex é realmente além) que a série busca estabelecer com o espectador; uma Zona Fantasma e um apagador de memórias são objetificados como cisões com qualquer ponta solta, realmente dando a ideia de um renascimento, como diz o título do episódio. 

Soa tranquilizador que as várias Discussões de Relacionamentos (famosas DR da CW) sejam, nesse episódio, realmente para estabelecer algo consistente para os personagens, não extrapolá-los em seus personagens dentro de um infindável reaprendizado. Fora a nomeação heroica de Alex Danvers (Chyler Leigh), Brainiac-5 e Nia Nal (Nicole Maines) representam bem isso, em que o choro do ator Jesse Rath vai do “eu te amo” a Nia repetir a trama clássica da série: as heroínas não precisam ser protegidas. Sem dúvida é repetitivo, assim como Myriad da primeira temporada, já reciclada mais de uma vez, e a ameaça de Lex Luthor falar sobre identidade secreta de Supergirl, que cria ótimas soap operas, mas nada disso passa de um latido que é calado para que o cachorro continue correndo sem cansar em busca do osso de reestruturação da série, ao menos nesse episódio.

Enfim, entre o alívio e a progressão de história, esse início do fim soa realmente como um renascimento de uma série que começou sabendo dosar a objetividade episódica com sequenciamento até encontrar um desenvolvimento pós-moderno, em temática, e integrado de arcos simultâneos, em narrativa. Esse é o ano em que não há crossovers do Arrowverse, nem mesmo com Flash (talvez), e essa é a chance da série ter caminho aberto para fechar com uma temporada esperançosa para tempos de pandemia sem interferências no seu discurso.

Em virtude da chegada de Supergirl a Terra ter sido atrasada quanto a sua missão para proteger Superman, como origem da personagem, na obsessão dos showrunners fazerem uma série politicamente relevante, é esse o momento. Nessa última temporada, para provar de uma vez por todas, mais ainda, que Supergirl é a esperança que chegou na hora certa, a objetividade é um bom caminho para sua verdadeira missão de inspirar e transformar pessoas seja para qual for o tempo drástico.  

Supergirl – 6X01: Rebirth — EUA, 30 de março de 2021
Direção: Jesse Warn
Roteiro: Jay Faerber, Jessica Kardos
Elenco: Melissa Benoist, Chyler Leigh, Katie McGrath, Jesse Rath, Nicole Maines, Azie Tesfai, Julie Gonzalo, Staz Nair, David Harewood, Jon Cryer, Brenda Strong, Sharon Leal
Duração: 43 min.

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