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Crítica | Supergirl – 6X08: Welcome Back, Kara

por Davi Lima
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kara

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

 

Sometimes, even thought you’re Kryptonian…i’ts okay to be human. – Zor-el

 

Muito o que se reclamou da quinta temporada de Supergirl e que mudou muito nessa temporada de encerramento é a centralidade dramática na protagonista título. Após três temporadas, que poderiam ser definitivas para um arco heroico e virtuoso para a kryptoniana Kara Zor-El, foram se acrescentando novos personagens e novos arcos que aumentavam a equipe dita “Super Amigos”, na qual Supergirl não é líder, e sim a maior preocupação dramática da equipe. As questões políticas e a trama do Lex Luthor na quarta temporada suspenderam os espectadores numa aparente qualidade, mas o suspiro desse inchaço chegou no ápice de excesso de vilões e com a Crise nas Infinitas Terras esbanjou a necessidade de uma arrumação, uma síntese para a série que mais focava em temáticas contemporâneas do que em Supergirl e seu heroísmo além de discursos. Esse episódio Welcome Back, Kara é o resultado do desafogamento narrativo que a série circulou, chegando a um ensaio de fotos da protagonista Kara que o espectador pode aproveitar, com seus sorrisos como Supergirl e suas preocupações como jornalista, que a atriz Melissa Benoist pode expressar a humanidade heroica antes do início do conflito da última temporada contra seus amigos.

A volta da mid-season queima a língua de quem reclamou (eu) do resgate insosso de Supergirl no episódio Fear Knot, pois a organização travada deixou um grande espaço nesse episódio para momentos alegres e humanos de Kara com seu pai Zor-El junto com sua família heroica. Diferente do costume da CW de criar festinhas, que normalmente acontecem nos finais da temporada como modelo de sitcom, a volta de Kara da Zona Fantasma parece trazer uma unidade heroica completa da essência da protagonista para um ensaio fotográfico, não Kara Danvers, ou apenas Kara Zor-El para uma comemoração ordinária, apesar do bolo e dos balões. O efeito nos heróis, nos abraços fotografados individuais de cada membro da equipe, soa como uma Liga da Justiça voltando a ter esperança com Superman no filme do Zack Snyder, da mesma forma que o episódio parece tão concentrado em Kara que a piada pronta dos títulos dos episódios anteriores quanto ao filme Fantasma da Ópera e o prelúdio de Star Wars A Ameaça Fantasma parece um tom metalinguístico “dramédico” quando ela comenta o trauma com o nome Phantom.

Parece que Kara pode exigir tudo, até mesmo um segundo abraço da irmã para preservar o sentimento plácido do capítulo. O diretor Armen V. Kevorkian, já conhecido por seus trabalhos de efeitos visuais em The Flash, Patrulha do Destino, Titãs, Legends of Tomorrow e Raio Negro, inclusive Supergirl, valoriza muito os planos estáticos e as posições dos atores em espaços que contribui para isso, além de ter coragem de trabalhar com ângulos mais complexos de câmera para com os efeitos visuais produzir tanto momentos heroicos do pai e filha kryptonianos quanto de um vilão monstruoso. Junto com a trilha sonora mais acentuada e com uma segurança muito forte da direção, como se houvesse uma decupagem (seleção boa da montagem de cenas) de Armen para dividir os personagens no espaço e nas cenas para organizar as linhas narrativas, é possível por esse ritmo de ensaio fotográfico imponentemente suave para Supergirl.

Por essa forma de narrativa, os impactos de Welcome Back, Kara acontecem com uma base simples numa história procedural do vilão da semana, que surge pela tentativa de Zor-El ser um herói ambiental, mas extremamente pontuada pelas proporções que dá à protagonista, ao gancho do episódio anterior e as novas propostas para o resto da temporada. A dificuldade de voltar após uma parada de produção de série CW é acertar os focos que não desvirtuem da linha formada da sequência dos episódios anteriores. Embora isso pareça óbvio, tanto para essa sexta temporada quanto para séries de TV aberta, os contratos de roteiros e o controle dos showrunners por vezes são bem mais incertos do que se imagina, e o alvo temático maior em Kara nesse último ano acabam por tornar essa recepção dela ao círculo dos amigos mais certeira do que se imaginava.

Tanto se responde aos defeitos da temporada anteriores como conserva a ideia de focar em Kara como protagonista nesse sexto ano (que surgiu, provavelmente, porque Melissa Benoist teve licença maternidade e precisou gravar separado da sua família de super-heróis), em que seu drama de levar o mundo nas costas e ser humana pelo seu anseio de heroísmo na Terra cresce ainda mais quando Zor-El, se sentido poderoso pela luz solar, confunde a obsessão por ajudar com altruísmo, tratando a Terra como Krypton. Ainda mais, sobra tranquilidade no episódio nesse tema paterno para firmar a volta do heroísmo de Kara, em como ele enxerga-a como uma kryptoniana humana, e triangular esse drama com a subtrama de Nia Nal, vulgo Sonhadora, em relação a falta de sua mãe e seus sonhos que revelam o perigo já conhecido da Nyxlygsptlnz, junto a nova rivalidade dos “Super Amigos” que Andrea Rojas provoca na CATCO no final do episódio.

Assim, a excelência da recepção de Kara passa por todo um resumo heroico da melhor fase da série aliada à qualidade técnica da direção surpreendente para o acabamento de como o roteiro organiza a história, centralizando em Supergirl humana até o último minuto junto com sua irmã, com Alex sofrendo por super proteção que a faz como uma personagem única, e Kara se sentindo pressionada pela lista de vítimas dos fantasmas da Zona Fantasma que invadiram a Terra quando tentaram salva-la. Da volta alegre vestida de heroína na Torre de Vigilância no começo do episódio à preocupação vestida de Kara Danvers no final dele, Welcome Back, Kara não é tão comemorativo como o título indica, mas define nominalmente bem qual pessoa e protagonista é recepcionada.

Pode ser um sonho que esse encerramento da série siga a qualidade corajosa com os efeitos visuais aplicados em monstrão de lixo, mais as cenas de voo inspiradas, e a organização narrativa que consegue tornar o jornalista William uma peça relevante sem precisar ser par romântico de Kara. Entretanto, não é a primeira vez nessa temporada que um plano holandês, aquele que entorta a linha horizontal da câmera, é usado com êxito, nem mesmo apresentar efeitos especiais em geral bem decentes, com os práticos nos fantasmas e com os gráficos computacionais na Zona Fantasma. O que se pode afirmar com certeza é que foi preciso Supergirl ser excluída da novela dos amigos para que o melhor de sua novela heroica das primeiras temporadas volte à tona. Um “Seja bem vinda, Kara” atrasado, mas dentro do tempo que a heroína ainda é contemporânea.

Supergirl – 6X08: Welcome Back, Kara – EUA, 24 de agosto de 2021
Direção: Armen V. Kevorkian
Roteiro: Dana Horgan, Jay Faerber
Elenco: Melissa Benoist, Chyler Leigh, Katie McGrath, Jesse Rath, David Harewood, Jason Behr, Peta Sergeant, Nicole Maines, Azie Tesfai, Julie Gonzalo, Staz Nair, Arran Henn, Jaymee Mak, Mark Sussman, Jon Cryer
Duração: 43 minutos

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