Crítica | Superman e Adam Strange: Charada do Pequeno Planeta Perdido (DC Comics Presents #3)

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__ Ei, eu… nunca fui um herói na Terra! E quer saber? É ótimo!

Adam Strange

Existem situações nos quadrinhos em que o exagero acaba sendo compensado por um bom número de acertos do roteiro e da arte, fazendo com que a obra alcance um nível de qualidade inicialmente impensável para tantos carros na frente dos bois. Na série DC Comics Presents, essa realidade foi percebida nas duas revistas de abertura, Perseguição e Corrida Até o Fim dos Tempos, onde Superman e Flash foram colocados para “apostar corrida” de uma maneira mortal, valendo tanto a vida do Planeta Terra quanto a do Homem de Aço. Naquela ocasião, porém, as loucuras do roteiro acabaram ganhando uma costura charmosa, tendo um resultado final surpreendentemente alto. Já nessa terceira edição da série, os exageros e soluções bizarras trazem um resultado final bem pouco interessante.

Escrito por David Michelinie, que se valeu da consultoria de enredo para Adam Strange, feita a Jack C. Harris, o roteiro de Charada do Pequeno Planeta Perdido é uma estranha bagunça com alguns momentos interessantes de ação para os dois heróis do título. A trama começa com Superman voltando para casa, após uma cansativa missão no espaço. Ao mesmo tempo temos Adam Strange diante de uma coisa estranha no topo de um edifício de… Rann? Não, não. Acontece que nem Superman está em Metropolis e nem Adam está em Ranagar. No início, essa declaração nos faz imaginar como a mudança foi acontecer ou o que pode ter causado esse deslocamento de planetas para lugares diferentes, um de Alpha Centauri e outro do Sol. Inicialmente, essa curiosidade é bem equilibrada pelo autor, com ações curiosas do kryptoniano no primeiro capítulo (Superman… Campeão de Rann!) e do arqueólogo terráqueo no segundo capítulo (Adam Strange… Superman Por Um Dia!).

Essas ações, porém, são o gatilho para que as coisas comecem a dar problemas. E não falo da iniciativa para elas. Os problemas aqui retratados se enquadram naquilo de esperamos de grandes ameaças para os heróis em cena. Porém, a forma como o texto faz com que os homens tomem decisões é algo para rir de nervoso e desgosto. Esta é a parte da bizarrice que não funciona no texto, posição bem diferente daquela mostrada por Martin Pasko no arco de abertura. Talvez pela quantidade de coisas que nos cobram um tsunami de suspensão da descrença ou pela forma um pouco travada com que o roteiro explora as resoluções, o leitor só aproveita mesmo a postura dos heróis sendo os salvadores do dia e, claro, a excelente arte de José Luis García-López que faz tudo parecer muito bom, mesmo que não seja.

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O início de uma coleção de “o que está acontecendo?“.

O bloco de Adam Strange — capítulo dois — é onde os desenhos alcançam o seu maior destaque. A exposição da multidão nas ruas, os planos de destaque em Adam Strange, o belíssimo quadro com Lois Lane e a entrada em cena de Kaskor e dos seus Metabots são pontos aplaudíveis da arte de García-López, que ganha ainda mais dinamismo no capítulo final, A Derrota Dupla de Kaskor!. Mas a esta altura, o leitor precisa de uma grande paciência para conciliar uma concepção visual tão boa, algumas demonstrações de heroísmo e diálogos tão legais, em oposição a ideias nada palatáveis para que a grande ameaça seja contida. O sumo disso tudo é uma saga que funciona em alguns pontos e que, apesar dos pesares, consegue ficar acima da média. Mas este é um daqueles status amargos que o leitor e os heróis elencados não conseguem lidar muito bem. Todos nós queríamos mais e melhor.

Superman and Adam Strange: The Riddle of Little Earth Lost (EUA, novembro de 1978)
No Brasil:
Superman: Lendas do Homem de Aço – José Luis García-López n° 2 (Panini, 2016)
Roteiro: David Michelinie (com consultoria de Jack C. Harris)
Arte: José Luis García-López
Cores: Jerry Serpe
Letras:  Ben Oda
Capa: José Luis García-López
Editoria: Julius Schwartz
28 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.