Crítica | Superman e Monstro do Pântano: A Linha da Selva (DC Comics Presents #85)

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A criatura mais poderosa do planeta… enlouqueceu.

Monstro do Pântano

Uma vez perturbador, sempre perturbador… E cá está mais uma baita história escrita por Alan Moore tendo o Monstro do Pântano presente. Mas desta vez, como coadjuvante, em uma história do Superman, na série DC Comics Presents, iniciada em 1978, uma série que tinha por objetivo colocar o Homem de Aço em aventuras ao lado de diversos personagens da Casa das Sombras.

A Linha da Selva é uma história ágil e que visita o mundo onírico de uma forma bastante impressionante, lembrando-nos um pouco uma história que seria lançada três anos depois desta, com o Caçador de Marte passando mais ou menos pelo mesmo problema, a excelente Sonho Febril. Aqui, tudo começa com Clark Kent e Lana Lang em um seminário do Dr. Everett, que descobriu um meteoro com um fungo vivo, em crescente desenvolvimento. Não demora muito tempo para o Superman perceber que o tal fungo é o temido Bloodmorel, da Selva Escarlate do planeta Krypton, conforme ele lembrava do Almanaque de Rem-Ul. O prognóstico não é nada positivo. Em 92% dos casos, o fungo causa a morte do corpo que ele infecta, fazendo com que passe por incapacitação, alucinações e esforço excessivo, que é o gancho para o esgotamento de energia do indivíduo.

Moore utiliza de sua facilidade em construir cenários de perigo, ainda mais com coisas de grande poder, e coloca a intoxicação do Superman como uma ameaça que rapidamente nos angustia. O modelo de narrar a história não é exatamente linear e isso ajuda no estabelecimento do problema e no que ele vai causar ao corpo do Superman. Uma das minhas cenas favoritas é quando ele está no quarto e tem uma alucinação com sua roupa de Clark Kent e seu uniforme de Superman… discutindo sobre o destino do pobre herói doente. Já nesse ponto da história são lançadas as sementes da solidão, trazendo questionamentos de certas atitudes, como a recusa do herói em contatar os amigos; como o fato de ele não saber quem é o Monstro do Pântano e a rápida resolução do problema, com o mergulho do herói no Verde, sem maiores explicações.

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No Verde, o Superman encontra a cura.

Rick Veitch cria um excelente cenário para as alucinações de Kal-El, com monstros que nos lembram o trabalho do artista nas revistas do Pantanoso. A mesma boa interação acontece quando os dois heróis se encontram e, tanto o artista quando o roteirista não resistem à brincadeira de fazer do “mergulho no Pântano” uma espécie de renascimento para o Superman. Neste primeiro momento, o conflito é excelente. Com febre e sem controle nenhum de sua racionalidade, o kryptoniano começa a gir de modo errático, cabendo ao Musguento a tarefa de acalmá-lo. Toda essa sequência é muito bonita e recebe um tratamento visual no mínimo tocante. Embora a ação seja rápida demais e falte pelo menos uma tira de quadrinhos falando sobre o processo de mergulho Verde e da nulificação da febre, com sua consequente cura, a cena não deixa de ser épica e de coroar o encontro entre esses dois solitários, cada um à sua maneira.

Nem todos os bons atos são conhecidos. E às vezes, até mesmo seres muito fortes sofrem, agonizam e esperam morrer, pois não controlam todas as forças do mundo. A Natureza sempre tem os seus meios de impressionar e marcar àqueles que, por algum motivo, encontram um pequeno mistério natural. A intrigante e sempre perigosa linha da selva que até mesmo o Superman não deve cruzar.

Superman e Monstro do Pântano: A Linha da Selva (The Jungle Line: DC Comics Presents #85) — EUA, setembro de 1985
Roteiro: Alan Moore
Arte: Rick Veitch
Arte-final: Al Williamson
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capa: Rick Veitch
Editoria: Julius Schwartz
26 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.