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Crítica | Superman & Lois – 1X02: Heritage

por Ritter Fan
2566 views (a partir de agosto de 2020)

Depois que nosso agora não mais tão querido colaborador Davi Lima desistiu de fazer as críticas por episódio de Superman & Lois, a mais nova série da DC na CW, relegando o primeiro episódio à coluna Plano Piloto, resolvi mais uma vez arregaçar as mangas para encarar essa jornada. Como muitos leitores de longa data sabem, minha experiência com o chamado Arrowverse não foi das melhores, já que tive o desprazer supremo de acompanhar Arrow por oito dolorosos anos, ainda que somente a última temporada por episódio (não sou o Homem de Aço…), além de ter dado meus pitacos também em The Flash e Supergirl, com resultados não muito superiores. Por outro lado, poucos devem lembrar que também fiz a crítica dos dois primeiros anos de iZombie, uma surpreendente boa adaptação do mesmo canal (ok, é fora do Arrowverse, mas vocês entenderam), além de ter recentemente encarado (e me decepcionado com) Stargirl que, ainda que não tecnicamente da CW, tinha a mesma atmosfera, além de, agora, ser oficialmente dela. Feito esse introito, não pude resistir ao que tinha chances de ser mais uma demonstração de meu incurável masoquismo.

E foi assim que tive uma agradabilíssima surpresa, tendo gostado até mesmo mais do que meu colega do piloto de Superman & Lois que, em pouquíssimas palavras só para não perder a oportunidade de abordá-lo diretamente, conseguiu equilibrar muito bem um show de efeitos visuais de qualidade com uma história que captura a essência do Superman clássico, mas adicionando, aqui e ali, pitadas de um tempero mais forte para de certa forma “atualizá-lo” aos anseios do público atual. Em muitos aspectos, chega a ser irônico que a pegada mais “família” que Superman – O Retorno tenha trazido talvez da forma certa, mas certamente no momento errado, seja exatamente a tônica da nova série do Azulão e que tenha sido tão bem recebida agora. Até mesmo o antes (por “antes” leia a época em que ele era o coadjuvante de luxo de Supergirl) completamente insosso Tyler Hoechlin passou a funcionar, não sei se em razão de um maior tempo de tela ou da história ou até mesmo uma combinação disso tudo com um uniforme muito melhor que só precisa mesmo do cuecão vermelho do lado de fora para encaixar-se 100% à ambientação estabelecida na série capitaneada por Greg Berlanti (sim, estou elogiando o Berlanti!!!) e Todd Helbing (que foi produtor supervisor de Black Sails, uma das melhores séries já feitas, então o cara tem seu valor para além de material da CW).

O recorte feito na série faz o que tradicionalmente as séries da CW fazem, que é aproximar a narrativa de um drama adolescente e o clichê de irmãos diametralmente opostos em suas personalidades chegou a me fazer rolar os olhos tamanha a obviedade (inclusive sobre quem manifesta poder primeiro), mas a grande verdade é que há algo mais ali. Há uma ode à simplicidade, um retorno do Superman às suas raízes humildes de fazendeiro em uma cidadezinha no Kansas que torna a narrativa, até o momento, absolutamente irresistível. Sim, é dificílimo conciliar o dever de Kal-El como protetor da Terra e as obrigações de Clark Kent como marido da mais famosa jornalista do mundo e pai de dois filhos adolescentes, mas isso é reconhecido dentro do próprio texto da série, algo que é amplificado em Heritage que, como não poderia deixar de ser, lida primordialmente com a investigação exata sobre os poderes de Jordan lá na Fortaleza (ou seria caverna?) da Solidão.

Não tenho dúvidas que haverá um incessante vai e volta em relação a esse elemento da série, ou seja, se Jordan tem ou não poderes e em que nível e quando (não “se”) Jonathan manifestará os seus e como isso acontecerá, mas o que realmente importa nesses passos iniciais é a relação familiar entre os quatro protagonistas, mesmo que isso signifique que muito da minutagem não terá Superman sendo Superman e sim Clark Kent sendo pai, marido e fazendeiro, o que é esperado e, devo dizer, muito agradável de se ver considerando que há o reconhecimento do enorme abismo que existe entre essas duas figuras mitológicas (não sou muito amigo em não haver esforço algum para diferenciar Clark Kent e Superman fisicamente para além do uso quase desnecessário dos óculos, mas não se pode ter tudo…). Com isso, a investigação de Lois Lane sobre o magnata inescrupuloso Morgan Edge, retirado diretamente dos quadrinhos e que já aparecera em Supergirl, ainda que vivido por outro ator e o conflito de Superman contra o Capitão Luthor de Wolé Parks, com direito à careca lustrosa e armadura, fazendo um callback ao Lex Luthor clássico dos quadrinhos (e um pouco, claro, do Batman de Frank Miller) e que parece vir de outro universo, com a série aproveitando o resultado do crossover Crisis on Infinite Earths, parecem, apenas, aquelas bonitas decorações de bolo. Em outras palavras, o que interessa mesmo é o que está abaixo delas e isso, a relação familiar, Heritage faz muito bem mesmo quando emprega artifícios batidos de dificuldades amorosas e escolares dos garotos ainda tentando entender quem exatamente são e de Lane galgando novos caminhos agora também fora do Planeta Diário.

No entanto, de forma alguma eu quero dizer que o que eu chamei de “decoração” não funciona, pois, muito ao contrário, funciona muito bem. Não me interessei ainda particularmente pela linha narrativa de Lois Lane, pois ela me parece trivial demais, mas a do Capitão Luthor, incluindo sua estratégia de semear dúvida na mente do general Samuel Lane, tem grande potencial de se tornar uma “decoração” realmente saborosa, ainda que, claro, esteja cedo demais para bater o martelo. O que realmente interessa nesse fronte é que não só há verossimilhança narrativa, como há um delicioso olhar de trama de quadrinhos envolvendo o multiverso que pode facilmente ocupar a temporada toda em termos de foco de ação que, aliás, tem sequências muito bem executadas, especialmente a pancadaria na órbita da Terra. Vamos ver onde isso vai dar!

Se alguém estava achando que, depois do episódio piloto, Superman & Lois iria esmorecer, só tenho boas notícias a dar. Heritage mantém a solidez do início, aprofundando as relações familiares dos Kents em meio a duas ameaças que colorem sem exageros em potencialmente fascinante universo que está sendo criado para essa mais nova versão do Superman em série solo. Para o alto e avante!

Superman & Lois – 1X02: Heritage (EUA, 02 de março de 2021)
Criação: Greg Berlanti, Todd Helbing
Direção: Lee Toland Krieger
Roteiro: Todd Helbing
Elenco: Tyler Hoechlin, Elizabeth Tulloch, Jordan Elsass, Alex Garfin, Erik Valdez, Inde Navarrette, Wolé Parks, Dylan Walsh, Emmanuelle Chriqui, Michele Scarabelli, Fred Henderson
Duração: 44 min.

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30 comentários

Guilherme Gomes 17 de março de 2021 - 13:34

Concordo com a crítica; Esse episódio também foi muito bom, mas acho levemente inferior ao primeiro, que foi excepcional ao me ver. Mas a diferença é mínima, ambos são realmente muito bons. Aqui, a trama entre os irmãos funcionou bem até, talvez a conclusão não foi tão boa assim, no entanto devem encontrar o “ponto” certo ” daqui pra frente. E o Superman também ”melhorou” muito, se o compararmos com ele na Crise, tanto o ator e personagem, não estavam sabendo lidar muito com ele e finalmente conseguiram. A trama da Lois também está interessante, errei minha teoria do episódio passado (aparentemente), mas mesmo assim quero ver onde isso vai dar. Parece que a CW está se superando, A 7ª temporada de Flash está tão boa como igual. Quem diria, não é mesmo? Mas agora é torcer pra manter essa qualidade, afinal não podemos cantar a vitória cedo demais, principalmente conhecendo o canal.
Abs,
Guilherme Gomes.

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Gabriel Filipe 16 de março de 2021 - 00:11

O Tyler sempre me convenceu como superman, só o traje q eu nunca fui com a cara. Esse ep 2 pra mim foi um pouco superior ao primeiro. Sobre o Edge, rapaz, eu nem lembrava desse nome em Supergirl de tão esquecível q foi lá. Aq foi o núcleo q mais me interessou, entendo qdo vc diz q essa trama do bilionário qrdo destruir uma cidadezinha é clichê, mas eu sempre amo ver bilionário se ferrando, ent kkkk. A atriz da Lois é mt carismática, me convence total. Já os adolescentes, eu acho o ator do Jonathan meio sem sal, parece q ele tá sempre com a msm cara. E sobre o Berlanti, acho q essa série (até o momento) e Com Amor Simon são as únicas duas coisas, nas quais, eu me permito elogiá-lo.

Ps: Sabia q vc nn ia aguentar sem Cw na sua vida. Arrow te marcou mt kkk. Inclusive, fiquei sabendo q vc tá chorando pq Green Arrow and The Canaries foi cancelada

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Haell 11 de março de 2021 - 22:15

Estou gostando demais. Não sei se é impressão minha, mas essa ambientação “novela das 9” contemporânea combina tanto com o universo do Superman. Estou acostumado demais também a ver o Johnathan a ser mentor do Clark, e não o próprio tomando as rédeas da situação para “cuidar” dos filhos…não que seja ruim, só diferente.

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planocritico 12 de março de 2021 - 15:24

Combina mesmo. E a questão da mentoria, a lógica é justamente essa. Basicamente, o filho está se tornando o pai (adotivo) e passando o conhecimento adiante. É uma boa subversão do que nos acostumamos ver.

Abs,
Ritter.

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Josué de Morais 6 de março de 2021 - 22:29

Eu acho interessante que a linha narrativa que menos te interessou, foi justamente a que mais me cativou kk
Amei como estão lidando o protagonismo da Lois e do Clark, e se continuar de forma orgânica eu acredito ter tudo para dá certo, a personalidade dela está bem legal e gostei das relações construídas entre os irmãos.

Ainda sobre a trama da Lois, se bem construída o que para mim até agora está acontecendo bem, era algo que eu também esperava que acontecesse com a Iris em The Flash, mas lá eles andam em circulos, não chegam a lugar nenhum e quando chegam a algum lugar é o lugar errado kk.

Não gostei de uma trama que está sendo construída de plano de fundo de ciúmes entre o jordan e o jonathan, o jordan claramente com “raiva, inveja, ciume” do relacionamento com a menina lá, tinha que ter algo alá CW, mas veremos como isso vai ser desenvolvido kk

Ah , dito e feito kkkkkkkk sabia que ia acontecer. https://uploads.disquscdn.com/images/e216af6c0ed16f787c7726b5d2cee0ee24b603d3aea88c92d801b6341d6c8112.png

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planocritico 6 de março de 2021 - 22:29

He, he. Não resisti…

Sobre a trama da Lois, não é que ela esteja ruim, mas acho muito comum demais o magnata que quer explorar a cidadezinha…

Já sobre os gêmeos, esse caminho aí que você descreve é inevitável. Tomara que eles acertem o tom…

Abs,
Ritter.

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Gabriel Filipe 16 de março de 2021 - 00:11

Sobre a Iris em Flash, acho q a sexta temporada soube fzr isso, com ela investigando a Black Hole e agr ela dentro Mirrorverse, qro ver onde isso vai dar, mas inicialmente de personagens mais sem graça da série a Iris foi pra tvz mlr personagem da sexta temporada (dps do Nash Wells obv)

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Diego Mello 6 de março de 2021 - 16:09

Hum. Acho que a CW percebeu que agora existe concorrência…

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planocritico 6 de março de 2021 - 16:11

Não sei se a CW precisa se preocupar muito com isso não, considerando o público razoavelmente fiel que ela conquistou ao longo dos anos…

Abs,
Ritter.

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MayB 6 de março de 2021 - 16:09

Rapaz, acho que vou ter que dar uma chance pra essa série. Meu ranço foi com esse superman fraquinho que apareceu na Supergirl, não fui com a cara do Tyler como Super.
Várias pessoas elogiando. Será que vão ser 20 episódios?

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planocritico 6 de março de 2021 - 16:11

Também não fui com a cara dele lá em Supergirl, mas ele funciona bem se você aceitar que não há diferença alguma entre Clark Kent e Superman e ninguém adivinhar de cara que eles são a mesma pessoa é surreal…

Abs,
Ritter.

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Bernardo Barroso Neto 6 de março de 2021 - 16:09

A série tá me surpreendo. Mas ainda continuo com o pé atrás por ser da CW

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planocritico 6 de março de 2021 - 16:11

É inevitável. O passado e o presente da CW a condenam! Mas é aquilo: a esperança é a última que morre. Vai que eles acertam um?

Abs,
Ritter.

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Victor Martins 6 de março de 2021 - 16:09

É melhor que Stargirl ?

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planocritico 6 de março de 2021 - 16:09

É meio injusto comparar dois episódios com uma temporada inteira, mas esses dois episódios iniciais de Superman & Lois prometem bem mais do que os dois iniciais de Stargirl prometeram. Assim ajuda?

Abs,
Ritter.

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Dialógico 6 de março de 2021 - 22:29

Não precisa de muito…

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Davi Lima 5 de março de 2021 - 17:47

Vejo mais valor aí pelo Todd Helbing na série, algo mais inventivo. O Berlanti sabe mais vender drama (Dawson Creek?), o que ele já está acostumado rsrs.

Além disso, caro escritor, me senti homenageado por essa introdução. Boa sorte na sua jornada por mais uma novela promissora da CW, embora essa ambientação esverdeada do Berlanti aí…vamos ver até onde esse tom mantém kkkkkk.

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planocritico 5 de março de 2021 - 17:48

Também acho que é coisa mais do Helbing mesmo. O Berlanti é um Midas da TV, como o Aaron Spelling foi um dia, mas ele é mais o supervisor geral, eu diria.

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista 5 de março de 2021 - 17:47

é necessario algum conhecimento sobre as series anteriores da CW, ou da pra seguir com essa apenas?

Responder
planocritico 5 de março de 2021 - 17:47

Não. Pode encarar na boa sem ter visto nada da CW antes!

Abs,
Ritter.

Responder
Bruno S. 5 de março de 2021 - 17:47

Que milagre você falando bem de uma série da CW

Responder
planocritico 5 de março de 2021 - 17:48

Basta a série ser boa para eu falar bem. Não tem mistério!

Abs,
Ritter.

Responder
Mago Cartman 5 de março de 2021 - 17:47

Eu gostei muito do primeiro episódio, vou ver essa temporada toda, se começar a ficar CW demais eu paro. Mas desde Nikita não via algo tão bom desse canal.

Responder
planocritico 5 de março de 2021 - 17:48

Pois é. Realmente diferenciada essa série até agora (o que, claro, é pouco ainda para ter algum grau de certeza).

Abs,
Ritter.

Responder
Kevin Rick 5 de março de 2021 - 17:47

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Ritter, o incansável.

Responder
planocritico 5 de março de 2021 - 17:47

Será a melhor série de todos os tempos e vocês todos ficarão com inveja!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

HAHAHAHAHHAHAHAHAAHAHAHAHAAH

Abs,
Ritter.

Responder
Vitor Guerra 5 de março de 2021 - 17:47

;Aeee vão continuar com as criticas, fiquei feliz.
Acho que gostei mais do piloto do que desse mas ainda gostei muito do episodio, gosto muito da relação do Clark com a Lois ela bem amorosa e madura e os dois mostram mutio bem que entende um ao outro(“Você faz suas coisas de Superman e eu faço minhas coisas de Lois Lane”)
Gosto dos filhos como personagens mas ainda presico de q a mais da relação deles com os pais pra ficar totalmente cativado. Eles so tem que tomar cuidado com o Jordan ele já tem uma vantagem em relação a outros birrentos da CW pq ele tem uma doença mental bem estabelecida então as atitudes são compreensiveis eles so não podem usar isso de muleta pois periga de o tornar esteriotipado e até chato.
To gostando muito da serie até aqui vamo ver se dura.

Responder
planocritico 5 de março de 2021 - 17:47

Vi o primeiro episódio e fiquei surpreso. Então, resolvi continuar! Tomara que eu não me arrependa…

E eu concordo com seus apontamentos. Há que se desenvolver melhor os filhos e é importante que o Jordan não tenha seu problema transformado em muleta narrativa.

Abs,
Ritter.

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