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Crítica | Superman & Lois – 1X08: Holding the Wrench

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Holding the Wrench tinha uma excelente história para contar, uma que lidava com um segredo do passado de Lois Lane, a revelação (para os personagens) de que o Superman do mal matou a família de John Henry Irons, o filho sem poder tendo que lidar justamente com esse fato em meio a uma família super-poderosa e assim por diante. E mais: a história macro, ou seja, a possibilidade de uma guerra contra pseudo-kriptonianos que pode levar à destruição do mundo dá muito, mas muito pano para a manga, especialmente considerando que é extremamente fácil o general Samuel Lane ou bandear-se para o lado anti-Superman ou ele mesmo querer os pseudo-kriptonianos (que, não tinha ideia, são mais do que humanos ativados pela kriptonita X) de Morgan Edge como suas armas.

No entanto, o roteiro de Kristi Korzec simplesmente não conseguiu criar um episódio engajador como os anteriores, com algumas escolhas narrativas de se coçar a cabeça, levando a situações artificiais para atrasar a reunião de Irons com Lois Lane somente para que a repórter pudesse chegar no último segundo para salvar seu marido de uma lança de kriptonita no peito (sério que uma das armas desenvolvidas secretamente pelo exército é uma lança medieval e não uma metralhadora com balas verdinhas???). O primeiro e mais evidente problema de Holding the Wrench é a tentativa de ser “esperto” e “descolado” com o uso de uma sessão de terapia de Lois Lane que aborda algum fato que vamos aos poucos descobrindo qual é e, principalmente, o porquê de ele ter acontecido.

Seria interessante até se houve alguma função para isso dentro do roteiro, mas a grande verdade é que não há e o que resulta daí são sequências que literalmente atrapalham a fluidez do episódio. Se pensarmos bem, sequer era necessário que houvesse um segredo no passado de Lois para justificar sua explosão com seu filho Jonathan, depois que ele burramente entra no trailer de Irons para fuçar as coisas. Fica parecendo que dar esporro em filho é algum pecado mortal que nenhum pai ou mãe poderia jamais fazer, pois tudo poderia ser resolvido como serenidade e uma conversa com palavras amáveis. Com todo respeito, esse é um papinho psicológico ridículo para boi dormir ou para inglês ver de quem nunca foi pai ou mãe, já que explosões como a de Lois são mais do que naturais (ainda que a reação de Jordan Elsass na cena tenha sido horrorosa…).

Mas tudo bem. Se havia a intenção de se introduzir o aborto de Lois que, claro, faz conexão com a Natalie de Irons em seu universo, para criar as circunstâncias perfeitas para a gritaria, então tudo bem, mas mesmo assim a sessão com a terapeuta pareceu-me fora de esquadro, uma verdadeira partícula expletiva que simplesmente tinha que ter sido evitada para criar uma costura melhor no episódio. Foi muito vai-e-vem e muita enrolação só para atrasar a chegada de Lois do Departamento de Defesa e para criar todo tipo de mal-entendido possível entre Superman e Irons e para a revelação de que os seres superpoderosos de Edge, aparentemente, estão infiltrados em todos os lugares.

Aliás, vamos combinar que a infiltração daquele sujeito debaixo das barbas de Sam Lane foi tratada como a coisa mais  corriqueira do mundo, sem consequências diretas e com um epílogo que deixa Irons livre, leve e solto, como se nada tivesse acontecido em seu universo ou no universo da série. Tudo bem que nem de longe eu quero realismo extremo em uma série dessas, mas Irons precisava ficar mais tempo trancafiado para que cada detalhe do que ele sabe pudesse ser extraído dele e para amplificar as dúvidas do próprio general que, mesmo envergonhado por seu arsenal secreto anti-Superman, lá no fundo com certeza gostaria de utilizá-lo se não contra seu genro, pelo menos contra uma das buchas de canhão de Edge.

Até mesmo o drama de Jon, com mãe e filho se reconciliando ao final, teve uma construção que ficou devendo algo, especialmente se lembrarmos do sensacional diálogo de Clark com Jordan sobre o que ele precisa fazer todo dia, toda hora para se controlar, sob pena de arrasar quarteirões com um soco raivoso. Aqui, o que tivemos foi algo bem mais simplificado para um assunto absolutamente fascinante que passa muito claramente pelo horrível, mas compreensível sentimento de inveja já que, por mais maduro que Jon pareça, ele ainda é um adolescente e ver o irmão desenvolver poderes enquanto ele sequer consegue sair de um trailer blindado não deve ser lá muito fácil, especialmente quando seu pai é quem é.

Holding the Wrench parece um quebra-cabeças semi-desmontado, com as peças restantes espalhadas por todos os lugares, ou seja, dá para perceber perfeitamente a beleza do que ele gostaria de mostrar, mas, do jeito que está, não é mais do que um rascunho com sequências fora de ordem. Ainda há conteúdo suficiente na confusão para tornar o episódio bom de se assistir, mas com viés de baixa, bem longe da qualidade do material que veio antes.

Superman & Lois – 1X08: Holding the Wrench (EUA, 1º de junho de 2021)
Criação: Greg Berlanti, Todd Helbing
Direção: Norma Bailey
Roteiro: Kristi Korzec
Elenco: Tyler Hoechlin, Elizabeth Tulloch, Jordan Elsass, Alex Garfin, Erik Valdez, Inde Navarrette, Wolé Parks, Dylan Walsh, Emmanuelle Chriqui, Michele Scarabelli, Fred Henderson, Fritzy Clevens-Destiny, Dylan Kingwell, Wern Lee, Tayler Buck
Duração: 44 min.

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