Crítica | Superman vs. Shazam (1978 – 1984)

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O presente compilado traz histórias publicadas no encadernado americano Superman vs. Shazam, lançado pela DC Comics em 2013. Neste encadernado, a editora juntou aventuras que saíram originalmente em diferentes revistas entre 1978 e 1984, contando não só com Shazam e o Azulão, mas também com diferentes membros da Família Marvel e vilões icônicos de ambos os heróis, como Mr. Mxyzptlk, Senhor Cérebro, Capitão Nazi e Adão negro.

As tramas aqui coletadas são das seguintes publicações: All-New Collectors’ Edition #C-58 (1978); DC Comics Presents #33 e 34 (1981); DC Comics Presents #49 (1982) e DC Comics Presents Annual #3 (1984). Algo que precisa ser dito é que mesmo o encadernado americano utilizando esse título chamativo (e comercialmente acertado e compreensível também), nem todas as histórias que nele constam são de enfrentamento direto entre o Vermelhão e o Homem de Aço.

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Quando Terras Colidem

Vamos lá. Quando Terras Colidem é um roteiro de Gerry Conway, então a gente já sabe o que esperar: provocações às vezes vindas do nada, roupagem épica e interessante quando falamos exclusivamente do campo de batalha (no caso, entre Superman e Shazam) e dificuldade de coordenar a roupagem épica com a explicação científica ou teóricas, sempre tão cara ao autor. Mesmo gostando bastante de Conway, não tem como não esperar ao menos um par dessas caraterísticas, coisas que muitas vezes são responsáveis por impedir que seus roteiros alcem voos maiores — algo mais intenso à medida que a roupagem épica fica mais intensa. Ocorre que desta vez o problema não está ligado aos protagonistas, já que todo o arco individual dos dois é ótimo. O problema está no vilão Karmang the Evil. Quem? Pois é. Se fez essa pergunta, então você já começou a entender os problemas dessa história. E tudo começa em Marte…

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Eu não tenho problemas com grandes catástrofes engendradas por vilões desconhecidos, desde que eles tenham uma apresentação aceitável para a história da qual será o grande motor; e desde que seus poderes e meios para conseguir destruir ou dominar mundos e povos seja algo coerente. No texto de Gerry Conway, a história do vilão até que funciona. Estamos lidando com um fator de culpa aliado ao resultado malfadado de uma tentativa científica de alcançar a imortalidade, tudo isso em uma civilização marciana anterior àquela que o Caçador de Marte conheceu. Daria para ser mais interessante o contexto, é verdade, mas pensando no modelo de ação que o autor criou para a saga (e certamente se percebe a mão do editor Julius Schwartz em uma porção de escolhas, principalmente as ligadas à condução do Superman), assentimos para o que nos é entregue sobre o passado de Karmang.

O problema é que se a gente começar a sessão de perguntas lógicas — a fim de encontrar maior sustentação para o vilão e para o seu plano –, pouca coisa sobra dessa história toda. Misturando magia e ciência, Karmang cria dispositivos que irão unir a Terra-S e a Terra-1 (lembrando que todas as histórias desse compilado são pré Crise nas Infinitas Terras) e fazer com que estes mundos sejam destruídos. E para isso ele precisa de dois agentes, então força Adão Negro e Quarrmer, o Superman de Areia a assumirem disfarces, infectarem de ira os dos grandes heróis das Terras pretendidas por Karmang e, com eles ocupados, instalarem máquinas destruidoras. É uma bagunça que pouco se sustenta e, olhando para as próprias justificativas, pouco convence, mas no decorrer do processo o leitor acaba focando naquilo que realmente importa: a briga de gente grande (bem…) entre Superman e Shazam.

Definitivamente o grande atrativo para a história, a luta ocorre livre de todos esses problemas maiores ligados às justificativas do vilão. Também participam da história Supergirl e Mary Marvel, com papéis surpreendentemente importantes na resolução do caso e com um caminho de humor bem interessante no final. O grande peso das reviradas de olhos que o plano de Karmang nos causa acaba sendo aplacado pela porradaria e pela fraternidade heroica para a qual a aventura ruma em suas últimas páginas, o que torna Quando Terras Colidem uma trama acima da média, mesmo que isso não tenha nada a ver com o motivo que fez com que ela existisse.

All-New Collectors’ Edition Vol.1 #C-58: Superman vs. Captain Marvel – When Earths Collide! (EUA, maio de 1978)
Roteiro: Gerry Conway
Arte: Rich Buckler
Arte-final: Dick Giordano
Cores: Adrienne Roy
Letras: Gaspar Saladino
Capa: Rich Buckler, Dick Giordano
Editoria: Julius Schwartz
72 páginas

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Superman, Shazam e Família Marvel

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Misturando nostalgia de quadrinhos antigos e crossover de personagens (nesse caso, algo esperado dentro da revista DC Comics Presents) temos aqui duas edições que colocam em ação um plano intricado de Mister Mxyzptlk, que junta forças com o Senhor Cérebro e com o Rei Kull (versão de Kull, O Conquistador na Terra-S) para, como sempre, enganar e se divertir às custas do Superman, só que desta vez com o Grande Queijo Vermelho e a Família Marvel (incluindo Hoppy, o Coelho Marvel) em toda essa bagunça.

A história começa com uma mudança de uniforme do Superman, num momento em que ele deve fazer o resgate de um trem prestes a descarrilar. Sem explicações maiores, ele está com o uniforme do Capitão Marvel e, de pronto, já sabemos que o mesmo acontecerá na Terra-S, um motivo interessante para que a troca de poderes, identidades e ação diante de um vilão como Mxyzptlk ocorra. Mas em pouquíssimo tempo as coisas saem dos trilhos, especialmente entre o final da edição #33 e o absolutamente intragável início da edição #34, totalmente confuso e com um desnecessário e mal realizado flashback para a revista anterior.

Gerry Conway e Roy Thomas conseguem engajar o leitor até certo ponto aqui. Conforme comentei na história anterior, existem coisas nesse tipo de enredo que acabam atraindo muito a nossa atenção e equilibrando o peso das coisas ruins da história. Aqui, porém, a brincadeira estabelecida com a troca de uniformes não é sequer levada adiante pelo próprio roteiro, e sem quê nem porquê, a proposta é desfeita, mas “mantida na mentalidade dos personagens“, o que não faz absolutamente nenhum sentido. Aí o leitor precisa fazer duas trocas de identidades para entender o que falam. Em dois ou três quadros, a coisa fica cansativa e chateante, sendo coroada de problemas com a chegada de Mary Marvel, Capitão Marvel Jr., Tio Marvel e Hoppy. Há um desvio na história que realiza mais uma troca de dimensões e uma batalha na ONU que é uma vergonha à parte.

Como sempre, o ponto de ligação nostálgica salva um pouco os ânimos e há também provocações de colegas de trabalho entre Clark e Jimmy Olsen, ambos lendo quadrinhos antigos no horário do expediente e gerando aquela boa sensação que temos toda vez que encontramos pinceladas metalinguísticas nos quadrinhos. A história tem sérios problemas de desenvolvimento mas com certeza traz um pouco de diversão.

DC Comics Presents Vol.1 #33 e 34: Man And Supermarvel! / The Beast-Man that Shouted ‘Hate’ at the Heart of the U.N.! (EUA, maio e junho de 1981)
Roteiro: Gerry Conway, Roy Thomas
Arte: Rich Buckler
Arte-final: Dick Giordano
Cores: Jerry Serpe / Gene D’Angelo
Letras: John Costanza
Capas: Rich Buckler, Dick Giordano
Editoria: Julius Schwartz
48 páginas

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Superman e Shazam vs. Adão Negro

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Nem Paul Kupperberg conseguiu segurar as rédeas de Roy Thomas nessa história, e o resultado do que poderia ser algo muito interessante entre os heróis versus Adão Negro + o Billy Batson Terra-1 (sem poderes e fã dos quadrinhos do Capitão Marvel), simplesmente cai por terra. A DC até poderia ter antecipado a Marvel em um tratamento muito bonito na relação de uma criança leitora com seu o herói favorito (dois anos depois, Roger Stern viria com a excelente O Menino que Colecionava Homem-Aranha, para a Casa das Ideias), mas o que encontramos aqui é uma desnecessariamente verborrágica e bem chata história de “retorno do Adão Negro”.

Tendo encontrado o Superman em Quando Terras Colidem, o resultado final para Black Adam naquela aventura foi a subtração de seus poderes e essa edição #49 da DC Comics Presents foi feita exclusivamente para retirá-lo dessa condição e colocá-lo novamente na ativa. Ou algo assim. O fato é que o roteiro passa por uma sequência de mudanças que impedem que o leitor realmente mergulhe na história, o que torna ainda mais grave a exposição do pequeno Billy sem poderes aqui. É claro que ele tem a sua “recompensa” e há um belo encontro dele com o Capitão Marvel no fim, mas este não é nem o foco da revista e tampouco a cena é trabalhada a favor da história de retorno do Adão Negro.

Exceto por um momento ou outro durante a luta do Superman contra o vilão ou dos momentos de Billy sem poderes com Shazam, há pouco a se elogiar aqui. Este é um dos casos em que a trama se espalha para muitos lados, mas não dá conta de nem um deles. Nem uma boa sequência de pancadaria consegue elevar a trama pelo menos até a linha mediana de qualidade. Um desperdício de premissa e de bons personagens.

DC Comics Presents Vol.1 #49: Superman and Shazam (EUA, setembro de 1982)
Roteiro: Roy Thomas, Paul Kupperberg
Arte: Rich Buckler
Arte-final: John Calnan
Cores: Gene D’Angelo
Letras: John Costanza
Capa: Rich Buckler, Dick Giordano
Editoria: Julius Schwartz
24 páginas

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Superman e Shazam: Com Uma Palavra Mágica

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Aqui está! Não só a melhor, mas também a mais divertida aventura deste compilado, que traz cenas nas Terras 1, 2 e S, e coloca o Dr. Silvana sob o poder da palavra mágica do mago Shazam, destacando, em cada letra, os pontos negativos dos mesmos deuses que dão o poder a Billy Batson. E eis aí algo que de cara me chamou a atenção nessa história: o roteiro sabe jogar muito bem com o oposto do lado bonzinho dos deuses, sem com isso fazer longos discursos de justificativa ou mesmo criar um parâmetro moral intenso para condenar as ações de Silvana. Curioso é que, a meu ver, trata-se da história mais épica desse bloco e tem o tratamento interno mais… comum, digamos assim, por parte dos heróis envolvidos. E olhem que desta vez eles têm alguém à altura para brigar.

Aqui, o Dr. Silvana inventa uma maneira de dividir o poder do Capitão Marvel. Ao colocar Billy em uma situação em que ele, sem saber, fala a palavra mágica para ativar o dispositivo, o vilão consegue parasitar a energia (tendo já cuidado do mago a esta altura, fazendo-o dormir) e assume uma identidade de super-vilão, o Capitão, Tenente e depois General Silvana. Ao longo de toda sua ação, temos uma ágil e absolutamente fantástica arte de Gil Kane (que também colabora no roteiro) para acompanhar, mantendo uma diagramação muito inteligente, algo especialmente difícil aqui porque estamos em uma narrativa com personagens de diversas Terras em cena.

O texto não trabalha muito bem a parte dos outros dois membros da Família Marvel, mas isso acaba sendo o de menos. E mesmo com algumas interferências que podem confundir o leitor (como a lembrança de Superman por Silvana, na Pedra da Eternidade) ou marcar alguns pontos de conveniências (como o inexplicável trem de kriptonita), o resultado final ainda é sensacional. Com certeza, uma das melhores aventuras e um dos mais instigantes enfrentamentos entre Shazam e o estranho cientista que o apelidou de Grande Queijo Vermelho…

DC Comics Presents Annual Vol.1 #3: Superman and Shazam – With One Magic Word (1984)
Roteiro: Roy Thomas, Julius Schwartz, Gil Kane, Joey Cavalieri
Arte: Gil Kane
Arte-final: Gil Kane
Cores: Carl Gafford
Letras: Ben Oda
Capa: Gil Kane
Editoria: Julius Schwartz
42 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.