Crítica | Surfista Prateado: Marvel Comics Presents (1988 – 1995)

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A revista Marvel Comics Presents teve a sua estreia no segundo semestre de 1988, começando uma jornada que só terminaria na edição #175, no começo de 1995. O caráter de publicação das histórias aqui era de antologias, com séries segmentadas em capítulos, desenvolvidos pouco a pouco, a cada edição. Além dessas tramas maiores, o volume trazia crônicas complementares, verdadeiras one-shots estrelados por diversos heróis. Neste compilado, reúno para vocês as histórias do Surfista Prateado narradas nas páginas da Marvel Comics Presents.
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O Próprio Medo

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Embora o roteiro de Al Milgrom ceda a algumas facilidades narrativas no desenvolvimento dessa história, não podemos negar que o início aqui é realmente brilhante. Temos uma gentil besta se alimentando tranquilamente de um asteroide (um animal que Norrin depois reconhecerá como sendo de Denak IV), e que é contaminado, sem que o leitor veja, pelo demônio Kkallakki (Fear Eaters), em sua primeira aparição nos quadrinhos.

Daí para frente, avançamos por oito páginas de tentativas desse verme comedor de medo para fazer um verdadeiro banquete com o Surfista Prateado, confrontando-o com coisas que de fato o fariam dar de comer ao verme. Também assinada por Milgrom, a arte aqui é definitivamente a melhor coisa que temos na história, com belos quadros de exploração do espaço, passando por muitas representações do medo do protagonista e até da exposição dos dois bichos, tanto o gentil quanto o vilão. No desenvolvimento, temos linhas muito didáticas do Fear Eaters, e o final é estranhamente clichê, não de uma maneira interessante, mas de uma maneira conveniente demais, adicionando uma dose de irritação ao leitor. Mas a história é positivamente interessante.

Marvel Comics Presents #1: Fear Itself  (EUA, setembro de 1988)
No Brasil:
 Superaventuras Marvel n°115 (Editora Abril, 1992)
Roteiro: Al Milgrom
Arte: Al Milgrom
Cores: Gregory Wright
Letras: Jim Novak
Capa: Walt Simonson
Editoria: Michael Higgins, Mike Rockwitz, Terry Kavanagh
8 páginas

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Você Não Pode Voltar Para Casa

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Enquanto vaga pelo espaço, o Surfista se depara com uma miniatura de um Buraco Negro (sim, os problemas começam aqui, porque Jack Sparling e Chris Ivy não conseguem justificar isso de maneira minimamente aceitável através da arte). Estão presos neste corpo celeste à margem da Singularidade um povo originário do planeta Shunlee, escravizado por um Pirata Especial chamado The Marauder.

O maior problema com o roteiro de Ed Simmons nesta crônica é que a premissa interessantíssima de manutenção do Surfista preso ou mesmo a questão ligada à escravização de um povo são muito boas e, num primeiro momento, prometem uma boa história. Mas o texto se resume a uma dificuldade do Singrador Cósmico em trazer para si a sua prancha e um enfrentamento com o vilão que não tem absolutamente nenhum impacto para o leitor. Primeiro, porque a ideia de representação do espaço interno no QG do vilão — e também o seu exterior — não ficam muito claros na sequência dos quadros, nos confundindo até em relação ao que a Singularidade em miniatura pode ou não fazer diante do controle do Pirata Espacial. Exceto a primeira ideia e a ação do Surfista no final, pouco sobra de realmente bom nesta trama.

Marvel Comics Presents #50: You Can’t Go Home Again  (EUA, maio de 1990)
Roteiro: Ed Simmons
Arte: Jack Sparling
Arte-final: Chris Ivy
Capa: Erik Larsen, Terry Austin
8 páginas

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Um Grito no Vazio

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Neste belo, triste e excelente roteiro de Len Wein, temos os Surfista Prateado indo aos confins do Universo (mais uma vez?). A reflexão inicial, de busca por paz, é rápida, bem colocada e interrompida no tom certo, sem tirar de cena a visão de estranheza que aquele lugar poderia trazer, mesmo a alguém como o herói. Afinal de contas, que tipo de vida, nave ou qualquer outra representação poderiam haver nos confins do Universo? E o mais legal é que encontramos aqui um pedido de socorro, o tal “grito no vazio” que o título da aventura aponta. Nada nesta história é gratuito e a gente percebe isso bem cedo.

O roteirista sabe que tem apenas oito páginas para contar algo relevante e utiliza esse pouco espaço para entregar algo de grande poder dramático, com um dos encontros mais interessantes que já vi do Surfista Prateado (com o ideal da nave orgânica e viva me lembrando coisas tão diferentes como The Claws of AxosAmor AlienígenaA Traição ao Imperador). Depois, temos a própria ideia desenvolvida, com uma busca por reparação ou finalização do sofrimento, condição que torna o encerramento dessa edição algo bastante doloroso de se ver. A arte de Hugh Haynes, com finalização de Chris Ivy, adiciona o tempero do horror e faz com que as expressões de surpresa e descrédito do Surfista sejam também as nossas. Um encontro improvável, imensamente forte e finalizado de modo magistral. Uma triste história sobre vida, tecnologia e as muitas surpresas que o Universo pode trazer, até para quem já está acostumado a explorá-lo.

Marvel Comics Presents #69: A Howling in the Void  (EUA, fevereiro de 1991)
No Brasil: 
Homem-Aranha 1ª Série – n°128 (Editora Abril, 1994)
Roteiro: Len Wein
Arte: Hugh Haynes
Arte-final: Chris Ivy
Cores: Joe Rosas
Letras: Rick Parker
Capa: Sandy Plunkett, Alan Weiss
Editoria: Terry Kavanagh, Kelly Corvese
8 páginas

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Rota de Colisão

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A leitura dessa história me deu a impressão de estar conferindo um conto um tantinho mais rebuscado da Era de Ouro. E isso não é, a rigor, um elogio. O texto de John Figueroa aqui começa muito, muito bem. Ele mostra uma conversa entre Reed Richards e o Surfista Prateado. Eles estão trabalhando na evacuação de um Setor espacial, prestes a ver uma Nova aparecer. E tudo vai muito bem, os dois heróis trocam amenidades e congratulações até que aparece uma Hyperwave e atinge o Arauto Espacial. A partir desse momento, o roteiro parece que entra também em uma rajada de energia que o leva para 1940. Balões gigantes com falas chatas aparecem, muita explicação desnecessária, muita afirmação de coisas que a ótima arte de Ron Wilson e finalização de Bud LaRosa já deixa bem claro… ou seja, um didatismo que simplesmente não faz sentido para uma crônica de 1992, ainda mais se contrastarmos o seu interessante início com o seu final quase insosso. A história é boa, mas do meio para o fim simplesmente vai perdendo a graça.

Marvel Comics Presents #97: Collision Course  (EUA, março de 1992)
No Brasil: 
Homem-Aranha 1ª Série – n°134 (Editora Abril, 1994)
Roteiro: John Figueroa
Arte: Ron Wilson
Arte-final: Bud LaRosa
Cores: Sarra Mossoff
Letras: Dave Sharpe
Capa: Sam Kieth
8 páginas

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Surfista Prateado vs. Lunatik

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Com este arco dividido em 4 edições terminamos a participação do Surfista Prateado na MCP que, aliás, foi encerrada no número #175, onde também se encerra a narrativa do Singrador contra a Universal Cosa Nostrum, Skreet (uma Fada do Caos) e Lunatik, um organismo em constante mutação há 600 milhões de anos, originário do planeta Wy’nkar, com pouca moral e um gosto pelo caos. Vale lembrar que todo o lado vilanesco em cena aqui aparecem pela primeira vez nos quadrinhos neste arco, e o roteiro de Lovern Kindzierski e Keith Giffen tenta tirar o maior proveito disso, jogando com as maiores bizarrices e com o desconhecimento do leitor a respeito desses personagens para colocar neles uma forte marca de busca, permeada de humor e grande violência. Na maior parte do tempo, isso funciona e, em alguns quadros, conseguimos rir de uma coisa ou outra. Mas Lunatik simplesmente apela demais em conclusões burras e sugestões para a fada Skreet que são de revirar os olhos.

A arte de Keith Giffen, finalizada por Charlie Adlard, também carrega uma parcela dos problemas, porque é imensamente confusa. No geral, eu gosto do aspecto da arte de Giffen e acho que essa aparência de sujeira (fortalecida pela finalização de Adlard) combinam com a história que está sendo contada, mas tem momento que realmente fica difícil notar o que está acontecendo. Por pedaços do quadro, a gente entende que um brutamontes arrancou a cabeça do outro e por aí vai… mas essa é daquelas coisas que entendemos o final e não aproveitamos a ação acontecendo. Não é um problema amplo, mas é marcante e irritante quando acontece ao longo das edições. No fim, Norrin assume uma ótima posição de Grande Juiz, quando a luta já não era mais possível de se vencer e termina a edição com uma ótima sentença, que é um bom flerte para o passado do próprio Surfista. A ideia geral aqui não é lá essas coisas, mas a porradaria, algumas cenas de humor e a posição do Surfista Prateado fazem valer a leitura.

Marvel Comics Presents #172 – 175  (EUA, janeiro a março de 1995)
Roteiro: Lovern Kindzierski, Keith Giffen
Arte: Keith Giffen
Arte-final: Charlie Adlard
Cores: Lovern Kindzierski
Letras: Michael Higgins, Jeff Powell, Jon Babcock
Capas: John Czop, Keith Giffen, Kevin Nowlan, Simon Bisley, Jeff Moore, Tim Dzon, Steve Lightle
Editoria: Richard Ashford
36 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.