Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Surfista Prateado: O Juízo Final (Marvel Graphic Novel #38)

Crítica | Surfista Prateado: O Juízo Final (Marvel Graphic Novel #38)

por Luiz Santiago
249 views (a partir de agosto de 2020)

Nesta 38ª edição da série Marvel Graphic Novel, descobrimos que a barreira que mantinha o Surfista Prateado na Terra foi destruída e ele agora está livre para cruzar as vias espaciais mais uma vez. Com ideia central concebida por Stan Lee e roteiro escrito por Tom DeFalco e John Buscema, O Juízo Final traz mais uma vez o Prateado atormentado pelos planos intricados de Mephisto, que segue ansioso para obter a alma do Surfista como prêmio. Com a liberdade definitiva do homem da prancha, Mephisto aposta que ele irá fazer de tudo para “tirar o atraso” dos tempos de exílio, e indica um certo portal (cujo desenho faz parecer uma gigantesca vagina galáctica — veja a página que eu postei nos comentários e tirem suas próprias conclusões), onde tudo o que o Surfista quer se realizará.

O começo da história é cheio de tensão e o roteiro indica um confronto do tipo “gato e rato” entre o Surfista e Mephisto, mas quando Nova II entra em cena, uma nova camada de intriga é criada, uma camada assumidamente machista que até poderia ter um encadeamento melhor se não mantivessem Nova como uma isca simples para que o capetão lograsse possuir o Prateado. O prego definitivo no caixão acontece no meio da narrativa, quando o infernal vilão muda a mentalidade de Nova para se apaixonar por Galactus (pois é) e entregar a ele todo o tipo de planeta que encontrar pela frente, especialmente os que possuem vida, pois esses são os mais saborosos. Até aquele momento, a arauto do comedor de planetas tinha por condução moral escolher apenas mundos desabitados para o seu Mestre. Após o feitiço de Mephisto, isso muda. E descobrimos que é uma forma de colocar o Surfista na cola de Nova, a chave de armadilha.

Nesse ponto é que o enredo confirma o desande. Mesmo que os autores tentem remediar o pseudo-romance com elementos cósmicos, promessas de vingança e usos de poder, a história praticamente perde toda a força que foi erguida no início, com o texto rodando em círculos nas reafirmações da percepção da existência pelos olhos de Galactus e de Mephisto. A luta entre os dois só tem um elemento verdadeiramente marcante (a arte) e o leitor passa a não esperar muita coisa do que ainda resta dessa aventura.

Mas o que não consegue atingir no texto, O Juízo Final (título grandioso demais para uma história quase boba) consegue atingir e até ultrapassar através da arte. Os desenhos de John Buscema, co-finalizados por Vince Mielcarek e coloridos por Max Scheele são as verdadeiras estrelas dessa graphic novel, que já tem uma proposta-colírio para os olhos: apenas uma grande ilustração por página. Tanto o trajeto do Surfista em sua prancha e as acrobacias de Nova quanto a exposição dos poderes de Galactus e de Mephisto são representados de maneira fascinante pelos autores, com um resultado que, em poucas palavras, é a única coisa que faz valer a pena a leitura desse volume.

Surfista Prateado: O Juízo Final (Marvel Graphic Novel — Silver Surfer: Judgment Day) — EUA, 1988
No Brasil:
Editora Abril, outubro de 1991
Roteiro: Tom DeFalco, John Buscema, Stan Lee
Arte: John Buscema
Arte-final: John Buscema, Vince Mielcarek
Cores: Max Scheele
Letras: Phil Felix
Capa: Joe Jusko, John Buscema
Editoria: Ralph Macchio
65 páginas

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2 comentários

planocritico 15 de março de 2021 - 00:36

Essa arte do destaque é absolutamente fenomenal, não é mesmo?

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 15 de março de 2021 - 01:49

Nossa, linda demais!

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