Crítica | Suspicion – 1X01: Four O’Clock

estrelas 2,5

Four O’Clock foi a primeira experiência de Alfred Hitchcock na televisão, realizada entre os filmes O Homem Errado e Um Corpo que Cai. O episódio de 42 minutos de duração nos traz uma história que foca na tensão e angústia do espectador enquanto segue a rápida derrocada do protagonista, o ciumento Paul Steppe. Ao suspeitar que a esposa o estava traindo, Paul estuda um jeito de fazer uma bomba caseira e se vingar da mulher e do amante explodindo a casa. Mas dado o princípio trágico, vemos as coisas acontecerem de forma completamente oposta ao que foi planejado. Aí reside o drama.

Talvez por inexperiência de direção na TV ou por ter uma equipe (especialmente um elenco) mais fraco para trabalhar, Hitchcock realiza aqui um trabalho que pode mais ser visto como um misto de picos anti-climáticos, tensão modulada, angústia, indiferença e impaciência do público, sentimentos que com certeza influenciam na recepção do produto e nos deixam um pouco constrangidos, principalmente quando comparamos a qualidade das obras do diretor no cinema durante essa mesma época.

Realizado nas dependências da Shamley Productions, o pequeno estúdio do próprio diretor, Four O’Clock foi o episódio de abertura da série Suspicion, da NBC, exibido em setembro de 1957. A série teve apenas uma temporada de 41 episódios, sendo Four O’Clock o único capítulo no qual Hitchcock esteve envolvido diretamente. Mas podemos dizer que o diretor se manteve indiretamente no controle criativo até o final da série, uma vez que a Shamley Productions, junto com a Revue e a NBC, eram os produtores do show.

No sentido dramático e até narrativo, não há nada nesse episódio que Hitch não tenha feito antes, até mesmo a questão da bomba. Se nos lembrarmos de Sabotagem (O Marido Era o Culpado), teremos uma abordagem ainda mais corajosa do mestre, colocando a ameaça e a execução dela no caminho de uma criança, algo que ele disse posteriormente ter se arrependido, mas que fez muitíssimo bem no filme. Em Four O’Clock, a tensão criada pela bomba é praticamente o detalhe em si e, por ser único, perde força. Sua sustentação é frágil e as cenas que lhe dão suporte são, em sua maioria, destoantes.

Mesmo os esforços da montagem — especialmente a sequência de planos finais que começam bem, mas nos cansam logo em seguida — mais a econômica trilha sonora passam batidos no cômputo final. Os únicos elementos técnicos realmente memoráveis são o desenho de produção (destaque para a relojoaria, o porão e a cozinha da casa) e a fotografia de John L. Russell, bem realizada do início ao fim.

Mesmo que consiga, em alguns momentos, criar tensão e nos deixar apreensivos, Hitchcock não entrega um bom trabalho final. O episódio é válido como curiosidade histórica por ter sido sua primeira experiência como na TV (com direito a adequação estética e tudo), mas pouca coisa sobra além disso. Em tempo: em 1986, essa mesma trama seria readaptada para um capítulo da série Alfred Hitchcock Presents, desta feita, para um episódio de 21 minutos que, embora não tivesse o Mestre do Suspense na direção, tinha-o como apresentador da trama, num esquete muito engraçado sobre… bem, é melhor o leitor assistir e conferir por si mesmo.

Suspicion – 1X01: Four O’Clock (EUA, 1957)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Francis M. Cockrell (teleplay), Cornell Woolrich
Elenco: Nancy Kelly, E.G. Marshall, Richard Long, Tom Pittman, Harry Dean Stanton, Charles Seel, Jesslyn Fax, Vernon Rich, David Armstrong, Juney Ellis, Brian Corcoran
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.