Crítica | Taboo – 1X02: Episode #1.2

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estrelas 4,5

Contém spoilers! Confira outras críticas para os outros episódios aqui.

Sem pressa para entregar grandes contextos e sem medo de trabalhar com bons mistérios em uma jornada pessoal, familiar e social, tendo ainda pequenos flashes sobrenaturais, este segundo episódio de Taboo é uma continuação direta das ameaças e estranhezas armadas logo após a chegada de James Keziah Delaney (Tom Hardy) a Londres, em retorno de seu “exílio” na África.

Um espectador que esteja procurando grandes arroubos palacianos, vexames entre parentes, trilha de sangue deixada por carniceiros do século XIX e ágil busca cega por vingança, certamente achará o episódio impossível de se assistir. Porque a forma como o tempo dramático é estruturado pelo roteiro aqui não vai por uma via elíptica, onde as coisas são mostradas de maneira acelerada. É como se víssemos o passar dos dias em toda a sua monotonia e desagradáveis surpresas, sensação que o diretor e a montagem nos dão para percebermos o quanto esses eventos demoraram e possuem impacto para o protagonista.

No todo, este não é um episódio que avança em novidades, mas é um destinado a construir coisas. Todos os espectadores, e eu me incluo nesse meio, queriam mais história. No entanto, tendo em mente a premissa de vingança — que é a proposta da minissérie — e sabendo os meios pelos quais James irá querer essa vingança (dentre outras coisas, competir com a Companhia das Índias a ponto e enfraquecê-la), é natural que o primeiro rumo da história tivesse mais peso na composição da personalidade do protagonista, em constantes mistérios sobre o seu passado e nas peças aparentemente soltas que indicam a sua vingança sendo moldada nos bastidores.

Algumas coisas já podem ser levadas em consideração a partir daqui. Um leitor me chamou a atenção para a “parte sobrenatural” do episódio passado e eu disse que gostaria de esperar mais um pouco para ter indicações disso em tela. Em um primeiro momento, imaginei que as visões de James eram apenas parte de sua perturbação mental. De alguma forma, vejo o personagem em estado de choque, ou se curando de um estado de choque. Mas depois desse segundo capítulo, fica mais difícil sustentar apenas o lado psicológico ou emocional. Não dá para bater o martelo em relação ao quê teremos pela frente, mas certamente há algo incomum ligado ao passado de James e nem tudo deve ser exclusivamente racional.

A apresentação do Príncipe Regente (interpretado por um irreconhecível Mark Gatiss) e da “viúva” do falecido Delaney, vem trazer problemas adicionais ao plano de James. O final do episódio, com o seu esfaqueamento e uma rápida e interessantíssima cena de luta, quando o vemos rasgando o pescoço de seu atacante com os dentes (minutos antes, sua irmã havia lhe perguntado se de fato ele comera carne humana — referindo-se aos mitos que provavelmente ouviu da estadia do irmão na África) talvez faça com que a trama ganhe mais terreno a partir do próximo episódio, já que os dois lados agora precisarão se movimentar e atacar com mais força ou contra-atacar.

Mantendo uma excelente direção de arte (a sala abarrotada do Príncipe Regente e o escritório da Companhia das Índias são incrivelmente bem pensados, dentro de cada gosto e manias da época), inteligente escolha de trilha sonora (com direito à Sinfonia Pastoral de Beethoven) e fotografia escura, com modulado filtro azul, Taboo prossegue em alta conta, mantendo seus mistérios sem resposta. Mas não por muito tempo.

Taboo – 1X02: Episode #1.2 (EUA, Reino Unido, 14 de janeiro de 2017)
Direção: Kristoffer Nyholm
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Richard Dixon, Jonathan Pryce, David Hayman, Philip Philmar, Leo Bill, Stephen Graham, Jason Watkins, Daniel Tuite, Mark Gatiss, Dudley Rogers, David Houston, Michael Kelly, Nicholas Woodeson, Alex Ferns, Jefferson Hall, Robert Morgan, Edward Hogg, Oona Chaplin
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.