Home TVEpisódio Crítica | Taboo – 1X08: Episode #1.8

Crítica | Taboo – 1X08: Episode #1.8

por Luiz Santiago
130 views (a partir de agosto de 2020)

taboo-plano-critico

Episódio e Temporada

estrelas 5,0

Contém spoilers! Confira outras críticas para os outros episódios aqui.

Um dos grandes prazeres da vida é ser positivamente surpreendido por alguma coisa. Em séries recentes, isso me aconteceu duas vezes, uma com a primeira temporada de Preacher, em 2016 e agora com Taboo, nesse início de 2017. Inicialmente, a ideia de vingança longeva de James Delaney, interpretado de maneira magnífica por Tom Hardy, parecia ser a intenção principal dos produtores, mas essa primeira ideia foi se abrindo cada vez mais, nos entregando também elementos políticos, históricos e até místicos.

Diferente do que se poderia imaginar de uma série com conteúdo histórico inserindo em seu enredo magia e afins, Taboo não faz das visões, vozes e espíritos em cena um apelo para que James, que é quem domina as regras desse Universo, vença suas batalhas através de “ajuda indireta”. Percebam que o fato de ele ser, de alguma forma, um feiticeiro, acaba sendo mais um caminho para crescimento do próprio personagem, que se comunica com animais e espíritos e consegue talvez ter maior resistência a falhas, cultivando a calma necessária para a batalha seguinte. É algo para ele, raramente para quem está à sua volta (a única “vítima” de sua feitiçaria foi sua meia-irmã, pra falar a verdade).

E neste último episódio da série — no momento em que escrevo essa crítica, dia 27 de fevereiro de 2017, a emissora ainda não confirmou a renovação –, temos uma verdadeira batalha e o plano arquitetado por James ser, enfim, executado. Percebam o quanto a direção de Anders Engström é ágil já nas primeiras cenas. A câmera adota caminhos de movimento diferentes e planificação também diferentes, especialmente no momento em que os red coats britânicos vão executar a ordem do príncipe regente e matar James.

Com uma montagem precisa e com um senso de continuação notável, os minutos finais do capítulo nos tiram o fôlego, oferecem um grandioso e belo caos e ajuda a criar uma plataforma que ao lado do roteiro, pode ser entendida de duas formas, ou como um excelente final de minissérie ou como um excelente final de temporada (series ou season finale). Depois do que foi realizado aqui, é penoso imaginar que a história de fato termine. Imaginar o que o navio dos “americanos” poderia fazer em Ponta Delgada, nos Açores e a óbvia conta que James quer acertar com Colonnade, um personagem apenas citado na série, só atiça a nossa vontade de ver mais Taboo em 2018.

A fotografia nos trouxe aqui momentos de maior luz do que em qualquer outro capítulo da série. Como temos um episódio estruturalmente diurno, o uso de cores e a brincadeira com a intensidade de luz nos espaços vai crescendo, até chegar a composições estéticas muito bonitas e muito distintas entre si, como a última cena com Brace sozinho em casa; do príncipe regente ordenando ao seu secretário Coop que matasse James; de Strange recebendo o contrato final de Nootka e, ao que ele imaginava, a assinatura de James para o comércio de chá na China.

Em outra parte da linha de eventos, o encontro dele com Dumbarton dava sinais de que seguiria, de fato, para um caminho violento, mas nada com aquele requinte de violência. Para mim, essa foi uma das melhores janelas dramáticas (e paralelas à principal) a ser fechada pelo roteiro. E vejam que este bloco nos leva para a Companhia das Índias, então acaba fazendo parte de uma sequência bastante densa de coisas.

A esta altura, falar da ótima atuação de Hardy é chover no molhado, mas eu jamais deixaria de destacar a cena em que ele lê a carta de Zilpha e entra em luto, na frente de Lorna, chorando… algo que não imaginávamos que poderia acontecer. Há uma força tremenda naquela cena e mesmo assim, o ator a interpreta com um doçura imensa, passando uma dor real, que todos sentimos, talvez pela primeira vez, o impacto do suicídio da perturbada mulher.

Da saída de James da Torre de Londres até a partida de seu barco, temos neste episódio uma das melhores peças dramáticas em séries de conteúdo histórico. A narrativa não é apressada, mas também não demora a entregar os destinos dos personagens ou explicar deixas passadas. O tempo certo para cada ação, a coragem de matar personagens importantes e a alternância entre momentos de grande tensão e incertezas, com cenas de enfrentamento direto entre as partes (e aqui não dá para falar de mocinhos e bandidos) são os motivos pelos quais nosso coração vai batendo cada vez mais forte ao longo dos 60 minutos de projeção. Até George Chichester tem um grande espaço no desfecho, com os papéis assinados e a justiça que ele buscava tornando-se real.

Talvez em meio à enorme brutalidade, ainda há alguma esperança e espaço para idealismos nesse mundo. As apostas para o futuro do navio de James são o maior exemplo, quer aconteçam, que permaneçam como especulação. Depois de todo um caminho de sangue e traições, a mais aleatória das tripulações segue para o Novo Mundo… Ainda há muita coisa para sair daí, vocês não acham?

Taboo – 1X08: Episode #1.8 (EUA, Reino Unido, 25 de fevereiro de 2017)
Direção: Anders Engström
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Tom Hardy, Oona Chaplin, Jonathan Pryce, Danny Ligairi, Edward Hogg, Louis Ashbourne Serkis, Jessie Buckley, David Hayman, Tom Hollander, Stephen Graham, Richard Dixon, Leo Bill, Elizabeth Conboy, Tallulah Rose Haddon, Franka Potente, Jason Watkins, James Oliver Wheatley, Scroobius Pip, Tom Godwin, Marina Hands, Mark Gatiss, Michael Kelly, Lucian Msamati
Duração: 60 min.

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34 comentários

Daniela Francisco 9 de maio de 2017 - 13:30

Mas ela falou para o James(tem uma cena no último capítulo) que eles voltarão a se encontrar. Acredito que teremos mais de Zilpha/Oona…

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Luiz Santiago 9 de maio de 2017 - 16:32

Eu entendi aquilo como uma indicação espiritual…

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Daniela Francisco 10 de maio de 2017 - 09:58

Sim, faz sentido.

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Noitesemfim 13 de março de 2017 - 16:10

Muito bom!

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Manolo Neto 8 de março de 2017 - 18:43

Passei só comemorar que a série foi renovada!

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Luiz Santiago 8 de março de 2017 - 19:27

Fiquei sabendo agora pouco por um e-mail do Ritter!!! To muito feliz!!! Vai ser bom demais ver a sequência dessa história!

Responder
Manolo Neto 8 de março de 2017 - 18:43

Passei só comemorar que a série foi renovada!

Responder
Junito Hartley 3 de março de 2017 - 12:26

Otima serie, torço pra que renovem, so achei que a atriz Oona Chaplin apareceu pouco. Parabéns pelas criticas Luiz, valeu!

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Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 15:20

Oona Chaplin é ótima! Foi uma pena mesmo ter aparecido pouco.
Valeu, @Junito_Silva:disqus!

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Edson Aguiar 2 de março de 2017 - 23:19

O último episódio foi ótimo e não deixou a desejar em nada. Mas isso acabou prejudicando o penúltimo episódio, que não foi repleto de fatos importantes e me deixou com uma impressão que houve certa enrolação pra que tudo fosse realmente feito no episódio 8.

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Edson Aguiar 2 de março de 2017 - 23:19

O último episódio foi ótimo e não deixou a desejar em nada. Mas isso acabou prejudicando o penúltimo episódio, que não foi repleto de fatos importantes e me deixou com uma impressão que houve certa enrolação pra que tudo fosse realmente feito no episódio 8.

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Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 09:44

No penúltimo não senti nada parecido. Apenas no episódio 6, mas não enrolação. Senti naquele episódio que o roteiro deu um passo atrás e tocou e deu importância para um monte de coisas paralelas que nos episódios 7 e 8 iriam se concluir. Penso que os dois último “finalizaram” coisas diferentes para a série.

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Alex Dias 2 de março de 2017 - 10:16

A série realmente é fenomenal. Parabéns também ao Plano Crítico pelas reviews dos episódios, sempre bem completas e instigantes. O aspecto místico da série chamou muito a atenção e poucos conseguiram perceber a presença de “fantasmas” (ou seriam visões de James?) nos episódios. No primeiro episódio, por exemplo, durante a reunião de James com Stuart Strange e os demais membros da East India Company, é possível perceber, por sobre o ombro de Pettifer (canto esquerdo superior da tela, diante dos livros), no exato momento em que James rejeita a oferta, um nítido fantasma de sua mãe, em uma breve aparição. No episódio 2, mais uma aparição, desta vez do pai de James, é visível quando este entra no navio para destruí-lo. Outro fantasma de sua mãe aparece também no episódio 7, na sala de torturas, no canto superior esquerdo quando uma tomada geral da sala é realizada (notem a escada). Enfim, não duvido que em todos os episódios ao menos uma aparição seja localizada, demonstrando a visão de James e sua conexão com o misticismo.

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Luiz Santiago 3 de março de 2017 - 10:02

Muito obrigado, @disqus_kWVOCdVWTK:disqus!
Cara, essa série veio para mostrar que coisas novas poder ser feitas na TV mesmo que o material ou o gênero já tenha sido bastante utilizado. Conforme os episódios foram passando, eu não acreditava na qualidade com que os autores colocavam tanta coisa boa para o espectador. E o melhor, mesmo com essas sutis aparições de fantasmas e tal, é tão bom ver que mesmo em um Universo onde “mundo real” e misticismo se relacionam, é possível se livrar de uso desses poderes para ganhar uma parte da luta, o que me incomodaria muito se tivesse, mas ainda bem, a série foi por um outro caminho.

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Manolo Neto 1 de março de 2017 - 17:25

Eu fiquei tão impressionado com esse seriado que tô com vontade de assistir tudo de novo, aliás, até ativei meus disqus de novo só pra comentar.

Conheci o site tem menos de meio ano e entro diariamente acompanhar as ótimas críticas.

Responder
Manolo Neto 1 de março de 2017 - 17:25

Eu fiquei tão impressionado com esse seriado que tô com vontade de assistir tudo de novo, aliás, até ativei meus disqus de novo só pra comentar.

Conheci o site tem menos de meio ano e entro diariamente acompanhar as ótimas críticas.

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 17:47

Muito obrigado pela visita, @manoloneto:disqus! E seja sempre bem vindo!
Essa série surpreendeu todo mundo. Ela começa de um jeito e aos poucos adota caminhos mais complexos, mais ricos… É incrível o que fizeram aqui.

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 17:47

Muito obrigado pela visita, @manoloneto:disqus! E seja sempre bem vindo!
Essa série surpreendeu todo mundo. Ela começa de um jeito e aos poucos adota caminhos mais complexos, mais ricos… É incrível o que fizeram aqui.

Responder
Raoni De Lucia 1 de março de 2017 - 16:22

Uma das maiores surpresas do ano até agora, a série fez em 8 episódios mais do que muita série não faz em uma temporada inteira de 20 episódios, desde a trama se embrenhando cada vez mais nos personagens, mostrando que ninguém é o que parece ali, até em aspectos técnicos que foi um banho de montagens, cenários, figurinos e também de interpretações inspiradas, fico feliz de ter acompanhado uma série que não perdeu o fôlego nos episódios e não confundiu, deixando sempre o suspense e o algo mais nos episódios, merece com certeza a continuação pois abre um enorme leque de possibilidades daquele final. E parabéns pelas críticas Luiz!!

Responder
Raoni De Lucia 1 de março de 2017 - 16:22

Uma das maiores surpresas do ano até agora, a série fez em 8 episódios mais do que muita série não faz em uma temporada inteira de 20 episódios, desde a trama se embrenhando cada vez mais nos personagens, mostrando que ninguém é o que parece ali, até em aspectos técnicos que foi um banho de montagens, cenários, figurinos e também de interpretações inspiradas, fico feliz de ter acompanhado uma série que não perdeu o fôlego nos episódios e não confundiu, deixando sempre o suspense e o algo mais nos episódios, merece com certeza a continuação pois abre um enorme leque de possibilidades daquele final. E parabéns pelas críticas Luiz!!

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Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 17:55

Muito obrigado por acompanhar, @raonidelucia:disqus!
Eu estou contigo, para mim já é uma das melhores cosias feitas em 2017. Baita trama inteligente, sem apelações da parte mística e com um frescor na hora de tratar a parte histórica… simplesmente sensacional!

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 17:55

Muito obrigado por acompanhar, @raonidelucia:disqus!
Eu estou contigo, para mim já é uma das melhores cosias feitas em 2017. Baita trama inteligente, sem apelações da parte mística e com um frescor na hora de tratar a parte histórica… simplesmente sensacional!

Responder
FabioRT 1 de março de 2017 - 12:31

Alguém sabe quando e onde passará no Brasil ?

Responder
FabioRT 1 de março de 2017 - 12:31

Alguém sabe quando e onde passará no Brasil ?

Responder
Luiz Santiago 1 de março de 2017 - 13:52

Ainda não está sendo transmitido por aqui.

Responder
Régis Valker 28 de fevereiro de 2017 - 10:32

episodio foda!! vou nem comentar muito..

Responder
Régis Valker 28 de fevereiro de 2017 - 10:32

episodio foda!! vou nem comentar muito..

Responder
Rafa Silveira 27 de fevereiro de 2017 - 23:09

James deu aula de como colocar alguém no bolso. Na morte da Winter o cara já sacou tudo que se seguiria a partir dali e montou um puta plano pra por Sir Stuart como um dos seus servos e se livrar das acusações. E não foi forçado, foi inteligente e arriscado. Tanto que por mais que eles estivesse completamente a vontade na batalha, ele não possua controle algum e os ferimentos e mortes foram acontecendo.

Essa cena com a Lorna foi linda mesmo. E a personagem da Jessie Buckley que começou me deixando com pé meio atrás, me conquistou de vez. Maravilhosa também foi a cena dela com a Condessa. Mama Delaney hoje e sempre!

Final excelente e muito me anima ele ser aberto. Quero muito uma segunda temporada

Responder
Régis Valker 28 de fevereiro de 2017 - 14:33

Acho muito bacana quando nada de magico acontece e sim puro planejamento do personagem principal.

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:55

Sim, isso é essencial para tornar a série forte. Acho que a forma como o elemento mágico é introduzido funciona com perfeição aqui. Nada de apelações, apenas algo particular…

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:55

Sim, isso é essencial para tornar a série forte. Acho que a forma como o elemento mágico é introduzido funciona com perfeição aqui. Nada de apelações, apenas algo particular…

Responder
Régis Valker 28 de fevereiro de 2017 - 14:33

Acho muito bacana quando nada de magico acontece e sim puro planejamento do personagem principal.

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:54

Um momento melhor que o outro, e o melhor cheio de reviravoltas e coisas interessantes acontecendo. Simplesmente adorei a maneira como finalizaram e estou torcendo muito para que a série seja renovada!

Responder
Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:54

Um momento melhor que o outro, e o melhor cheio de reviravoltas e coisas interessantes acontecendo. Simplesmente adorei a maneira como finalizaram e estou torcendo muito para que a série seja renovada!

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