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Crítica | Tarântula (1955)

por Leonardo Campos
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De todos os filmes com aranhas assassinas gigantescas produzidos no pós-guerra, Tarântula é um dos mais cultuados e conhecidos. Com as limitações orçamentárias numa era prévia ao advento do CGI e de outros truques cinematográficos, a produção criou um punhado de estratégias para dar conta da história sobre um aracnídeo de enormes proporções que ataca a população de uma cidade no interior do Arizona, nos Estados Unidos. Dirigido por Jack Arnold, dono do argumento, transformado em roteiro por Robert M. Fresco e Martin Berkeley, a aventura também é conhecida por ser uma das primeiras aparições de Clint Eastwood como ator, numa cena breve, sem contribuição significativa para a narrativa que possui outros motivos para ser um clássico. Despojada e sem ambição em ser mais do que pode ofertar, o filme é uma das primeiras incursões no que mais tarde seria denominado de horror ecológico, um subgênero rentável do cinema.

Todo o despojamento não impediu o filme de tangenciar, inclusive, algumas questões sociais bem interessantes, mas diluídas numa história muito absurda, material que não permite ao espectador comprar o debate político e assim, fica apenas na diversão. Na trama, o cientista Gerald Deemer (Leo G. Carroll) realiza um estudo para um projeto sobre a erradicação da fome no mundo. Causa nobre, não é mesmo? Continuemos: ele analisa a possibilidade de utilizar hormônios de crescimento, tendo em vista aumentar o tamanho de determinados alimentos e suprir as tais necessidades globais. O problema é que há uma sequência de acontecimentos estranhos e inesperados e a aranha gigantesca se torna também absurdamente feroz. Toda a agressividade se dissemina nos ataques aos habitantes da cidade, apavorados com a chegada deste monstro.

Por ter testado o hormônio em si, o professor morre e acaba libertando o aracnídeo, também em contato com a substância. Na situação acidental, o laboratório pega fogo e a tarântula sobrevive, grande e com apetite voraz. Quem descobre os primeiros sinais de conflito é a estudante Stephanie Clayton (Mara Corday), assistente do professor. Junto ao médico Dr. Matt Hastings (John Agar), ela esboçará os planos para deter o aracnídeo perigoso e descontrolado. Na linha de padronização dos filmes do tipo, a dupla vai fazer a linha casalzinho apaixonado e diferente do que você possa imaginar, Tarântula consegue ser mais divertido e interessante que qualquer um desses exemplares mais atuais, focados excessivamente no CGI e na multiplicação de situações absurdas. Tudo bem que os personagens rasos e o enredo focado no sensacionalismo da criatura, mas ainda assim, mesmo tantas décadas e inovações tecnológicas, o filme envelheceu “bem”.

É preciso um exercício diacrônico para compreender as limitações da época e acompanhar o ataque da tarântula como uma aula de história do cinema, de uma fase profícua e muito criativa, ainda que tomada pelas óbvias limitações deste segmento. Ao longo de seus 80 minutos, a direção de fotografia de George Robinson flerta com os truques dos efeitos sobrepostos, telas pintadas e uso de animatrônico em algumas passagens. Os cenários e a direção artística gerenciada pelo design de produção de Russell A. Gausman trabalha em escalas bem abertas, para permitir que a aranha faça o seu banquete e elimine uma quantidade considerável de figurantes, ataques acompanhados pela trilha de Herman Stein, sombria e histérica. O criador da tarântula, Wan Chang, entrega um trabalho também funcional, e é assim que o cineasta Jack Arnold, também responsável pelo irônico O Incrível Homem Que Encolheu, conduz a sua divertida narrativa.

Tarântula! (Tarantula) — Estados Unidos, 1955
Direção: Jack Arnold
Roteiro: Robert M. Fresco, Martin Berkeley
Elenco: Leo G. Carrol, Mara Corday, Ross Elliot, John Agar, Nestor Paiva, Edwin Rand, Raymon Bailey, Hank Patterson, Bert Holland, Steve Darrell, Clint Eastwood
Duração: 81 min.

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