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Crítica | Tempestade: Planeta em Fúria

por Iann Jeliel
6 views (a partir de agosto de 2020)

Tempestade: Planeta em Fúria

Sou fã de filmes catástrofes e acredito que muita gente compartilhe desse gosto não tão peculiar de se divertir enormemente com a destruição do mundo e morte de inúmeras pessoas pelas mais variadas ameaças: desastres naturais, asteroides/meteoros/cometas caindo na terra, invasão alienígena, zumbis, monstros gigantes, dentre outros. O roteirista Dean Devlin, responsável por escrever Independence Day e Godzilla de 1998, fora produzir inúmeros outros filmes do diretor Rolland Emmerich, pioneiro mais conhecido nesse “gênero”, agora em Tempestade: Planeta em Fúria, faz sua estreia na direção, pegando todos os elementos clichês que seu tutor estabeleceu para conceber um entretenimento escapista honesto, mas que infelizmente, passa da linha da boa cafonisse na contagem de sua história.

Até acho certas premissas interessantes e “novas” dentro de um ponto de partida. A ideia de uma distopia social em que os humanos passam a ter de controlar o tempo para sobreviver as consequências do aquecimento global que nós próprios forjamos é uma concepção de universo plausível, desconsiderando o fato de que provavelmente não seria um cara como Jake Lawson (Gerrard Butler) o idealizador da máquina que promoveria esse controle de tempo. Mas tudo bem, o astro hollywoodiano é a personificação perfeita para esse tipo de narrativa, que uma hora teria que colocar uma justificativa plausível para promover a destruição que não fossem problemas técnicos na espaçonave de controle do clima, já que seriam facilmente resolvíveis.

Dado a circunstância, não veria muitas dificuldades em ir ao velho clichê do homem vs natureza e de que apesar dos esforços, nunca teríamos controle absoluto sobre a mãe terra, sendo a rede de satélites, apenas um interlúdio para um inevitável descontrole ambiental. O caminho escolhido é outro que traz malefícios e benefícios ao filme. Por um lado, levar a história para ramificações de conspiração governamental e sabotagem proposital no funcionamento da máquina deixam um instigue misterioso que nos faz investir na trama, por outro, isso se torna o mote principal a frente do entretenimento das destruições, revelando o verdadeiro responsável somente no fim do filme, tirando as chances de comprarmos as suas motivações maquiavélicas, porque não tinha como desenvolvê-las e sustentar o mistério ao mesmo tempo, sem adentrar numa temática clichê.

Em contrapartida recebemos “desenvolvimento” até demais por parte dos que estavam tentando descobrir o que estava acontecendo de maneira extremamente previsível. Existe até um clima de urgência a eventual catástrofe, mas que vai perdendo peso à medida que a trama ao invés de corresponder a expectativa do fim do mundo, foca em coisas irrelevantes, como na pífia relação do Jake e seu irmão Max (Jim Sturgess), a ética de Sarah (Abbie Cornish) namorada de Max e agente do governo, em ajudá-lo a desvendar o mistério traindo seu país, que no fim das contas é um conflito inútil pois a possível incriminação do presidente dos Estados Unidos (Andy Garcia), que obviamente não aconteceria.

Fora que a resolução do mistério ultrapassa a barreira da suspensão da descrença, tanto na maneira como os personagens usam a dadiva da suposição para acertar convenientemente o caminho adotado pelo vilão, quanto pelo seu plano ao final que não faz o menor sentido logístico ao objetivo que ele faz questão de narrar. De quebra, as sequências de destruição possuem efeitos visuais razoáveis, além de pouquíssima duração no meio dos quase duas horas, sem se justificar em senso consequencial particular, no caso, não existem personagens que acompanhamos que sofrem das anomalias, ou geral, onde temos um mínimo senso de impacto com a humanidade sendo aniquilada e entrando em colapso.

Não é nem problema exato do roteiro, porque não adianta cobrar muito além do que foi colocado, e mais falta de tato na direção para o exercício de gênero. Nas mãos de um Rolland Emmerich, talvez a subtrama dos irmãos conseguisse imprimir o sentimentalismo brega de maneira representativa a superação da humanidade conta a natureza, ou trouxesse as sequências quase de espionagem do terceiro ato no meio da destruição para uma execução mais empolgante – tipo uma junção do ótimo O Ataque com o terreno do O Dia Depois de Amanhã. Tempestade: Planeta em Fúria até parece que vai empolgar, mas acaba passando do ponto e sendo um pouco e atingindo a vergonha alheia, mesmo para admiradores como eu, do cinema desastre.

Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm | EUA, 2017)
Direção:
 Dean Devlin
Roteiro: Dean Devlin, Paul Guyot
Elenco: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Alexandra Maria Lara, Daniel Wu, Eugenio Derbez, Amr Waked, Adepero Oduye, Andy Garcia, Ed Harris
Duração: 109 min.

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