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Crítica | Tempos Modernos

por Filipe Monteiro
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Cinco anos após ter utilizado de toda a sensibilidade no romance Luzes da Cidade, Chaplin protagoniza sua mais memorável obra e, talvez, um dos mais exponentes instrumentos de crítica social. Enquanto o mundo já experimentava o cinema falado há alguns anos, em 1936, Carlitos voltava às telonas naquele que viria a ser o último filme mudo conhecido pela história até que o gênero retornasse em 2011 com o premiado longa francês, O Artista.

Frente às inúmeras mudanças na dinâmica social do mundo, resultantes da busca por uma novo modelo de produção que contornasse a crise desencadeada com a Grande Depressão, o longa retrata a adaptação do cidadão comum à maquinização da produção industrial.

Dentro dessa premissa, observamos através das dificuldades enfrentadas pelo Vagabundo ao ter que lidar com novos ritmos e técnicas de produção, uma forte crítica ao modelo econômico vigente na época, à desigualdade social e ao comportamento da sociedade americana diante ao problema.

É no cerne deste contexto propício a duras análises histórico-econômicas que acompanhamos a narrativa tecida em torno da rotina do protagonista. Fazendo uso de um humor bastante ácido e irônico, Chaplin nos presenteia com cenas incrivelmente bem articuladas que revelam um Carlitos aglutinado em meio a engrenagens e divergindo à padronização e normalização impostas pela desenfreada modernização social. Em meio a inteligentes construções simbólicas e metáforas afinadas o filme dialoga com os mais diferentes temas sociais e estabelece uma relação de identidade substancial com seu público.

Por fim, Chaplin ainda marca de vez o fim da era de suas produções do cinema mudo e apresenta a transição de suas obras à nova linha de produção cinematográfica ao revelar, pela primeira vez, a voz de Carlitos.

Mais do que uma obra excelente, Tempos Modernos é um elemento chave para compreender a situação econômica de uma época. O filme é um marco na história do cinema, tanto por reverberar em importantes questões sociais e por propor diálogos com a própria maneira de fazer cinema.

Tempos Modernos (Modern Times, 1936 – EUA)
Direção:
Charles Chaplin.
Roteiro: Charles Chaplin.
Elenco: Chales Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Chester Conklin, Stanley J. Sandford, Hank Mann.
Duração: 87 min.

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