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Crítica | Tenet

por Ritter Fan
9775 views (a partir de agosto de 2020)

Desde Seguinte (Following), seu primeiro longa-metragem, Christopher Nolan brinca com a noção de tempo. E, se podemos reclamar do cineasta pelas mais diferentes razões, sua criatividade em tratar do tema das maneiras mais diferentes possíveis, seja no formato mais tradicional de ficção científica espacial em Interestelar, seja na narrativa quase experimental de Dunkirk, seu filme de guerra, passando pela abordagem de tempo e memória em Amnésia e do tempo dentro do tempo de A Origem, certamente não é uma delas.

Tenet, um palíndromo que significa dogma, credo, doutrina e também princípio, já indica o que é a partir de seu título, mas não permite que o espectador tenha tempo para pensar ou lembrar do “quadrado de Sator”. Diferente de A Origem, em que Nolan investe tempo e muitos efeitos especiais no estabelecimento das regras do mundo que cria, aqui ele inicia a narrativa no meio da ação, mais especificamente um tiroteio na ópera de Kiev, na Ucrânia, que introduz o “Protagonista”, personagem sem nome, em princípio um agente da CIA, vivido por John David Washington que, não demora muito, se junta à organização misteriosa que dá o título ao filme e recebe a missão de descobrir a origem de artefatos que tiveram sua entropia invertida, ou seja, que caminham temporalmente para trás e que, segundo a cientista que o ajuda diz, pode levar ao fim do mundo.

É impossível não ficar imediatamente fascinado e fisgado pela premissa do roteiro escrito por Nolan, mesmo que compreender exatamente o que está acontecendo de sequência para sequência não seja uma tarefa fácil e, muito francamente, nem foi mesmo esse o objetivo do cineasta, já que ele muito diretamente joga contra a percepção temporal comum de um ser humano normal. Reduzindo em miúdos e sem dar qualquer spoiler, o Protagonista, juntamente com Neil (Robert Pattinson), um facilitador que, quase que como um passe de mágica, consegue obter qualquer coisa e contratar qualquer pessoa a qualquer momento (chamem-no de Sr. Conveniência de Roteiro que fica tudo certo), precisam impedir o sinistro bilionário russo Andrei Sator (Kenneth Branagh) de destruir o mundo com seus contrabandos do futuro, por assim dizer. As motivações do vilão, assim como o que exatamente é Tenet, se o espectador não matar a charada nos primeiros 15 minutos, vêm com o tempo (sem trocadilho) e funcionam razoavelmente bem.

Digo razoavelmente bem, pois Nolan, que, ao que consta, demorou algo como cinco anos para escrever o roteiro, parece, desta vez, enamorado demais com seu “segredo” para trabalhar da maneira usualmente cuidadosa sua narrativa. Posso estar completamente errado, mas Tenet dá a impressão que nasceu como uma bela ideia central solta, sem amarras, como um daqueles momentos eureka em que a “lâmpada” flutuante dos quadrinhos e animações se liga por sobre nossas cabeças, e que exigiu enormes malabarismos de roteiro para passar a ter uma lógica interna. O problema é que, para chegar até o ponto de amarrar as pontas – e elas são amarradas, não posso negar – Nolan foi obrigado a criar um longa fragmentário, até mesmo episódico, em que o que vemos é uma sucessão de esquetes de ação de grande apuro técnico que não exatamente se comunicam fluidamente.

E, sem a coesão de uma história única, o filme luta para manter-se estável, o que acaba prejudicando seus protagonistas (agora com “p” minúsculo mesmo). Se uma das grandes reclamações sobre Dunkirk – não é a minha, que fique bem claro, pois acho o longa de guerra de Nolan genial – é a alegada inexistência de personagens com que o espectador pode se identificar, aqui esse problema é amplificado justamente porque, diferente do filme anterior do cineasta, ele teve absolutamente todas as oportunidades para criar algo mais ao redor do Protagonista (com “P” maiúsculo) e de Neil que evitasse que a dupla se tornasse personagens genéricos e fungíveis de filmes de ação.

A diferença é que não são todos os filmes de ação que oferecem ação com o nível de qualidade de Nolan. O diretor está como o proverbial pinto no lixo usando a oposição de tempo normal e tempo invertido para fundir cabeças, gerando sequências que eu classificaria de irritantemente memoráveis acompanhadas de uma trilha sonora de Ludwig Göransson (responsável pelas excelentes composições de The Mandalorian) que em diversos momentos espertamente emula músicas “tocadas ao contrário”. O uso de “código de cores” pela fotografia de Hoyte Van Hoytema, que trabalha com Nolan desde Interestelar, é ao mesmo tempo funcional e belíssima, especialmente na alongada e impossivelmente confusa sequência final em que o pano de fundo em cor ocre exige cuidado para não dispersar a atenção do espectador.

Tenet pode até ser uma experiência frustrante por colocar seu mistério, seu momento “arrá” a frente da história e dos personagens, resultando em um filme picotado. Mas o longa, mesmo com seus problemas e sem chegar ao nível das obras anteriores de Nolan, consegue divertir, ficando muito acima da oferta cotidiana e banal de filmes de ação que temos por aí.

Tenet (Idem – EUA, 2020)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: John David Washington, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Dimple Kapadia, Martin Donovan, Fiona Dourif, Yuri Kolokolnikov, Himesh Patel, Clémence Poésy, Aaron Taylor-Johnson, Michael Caine, Kenneth Branagh
Duração: 150 min.

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76 comentários

Diego/SM 4 de janeiro de 2021 - 00:50

Putz, sou fã do Nolan, mas tenho que humildemente admitir que entendi muito pouco deste… vou ter que rever (daqui um tempo, pois também não fiquei tão a fim de fazê-lo tão em breve – até pelo tempo de filme)… mas do que vi e supostamente entendi ou mais ou menos entendi, curti, é uma boa experiência, embora ache que algumas partes, especialmente umas de ação, poderiam bem ter sido encurtadas e deixado o filme mais enxuto (guardadas as devidas proporções – temporais e oníricas, rs – , me lembrou “A Origem” no formato, ritmo… embora, levando exatamente em conta minha confessa ignorância em boa parte deste, prefira por ora ainda de longe aquele)
Resumidamente, difícil mesmo fazer uma avaliação mais completa sem ter tido o entendimento geral da história… então, é mais um “desabafo” sobre essa dificuldade de compreensão da obra hehe

Responder
Paulo Roberto Borges Pacheco 2 de janeiro de 2021 - 16:10

Porque cuidados em criticar o Nolan? Apesar da qualidade da produção, é pretencioso e vazio, atordoante, estilhaçado e pomposamente ridículo. Não diverte, não! Talvez, se alguém passar umas tres horas debruçado no roteiro para tentar entender tamanha pretensão.

Responder
planocritico 2 de janeiro de 2021 - 16:10

Como assim “cuidados em criticar o Nolan”?

E, para mim, o filme é divertido e MUITO bem executado. A história deixa a desejar, com salientei, mas não é esse horror todo…

Abs,
Ritter.

Responder
Jose Claudio Gomes de Souza 27 de dezembro de 2020 - 12:32

O filme deixa, realmente, essa sensação de “picotamento”. Uma coisa que não entendi, apesar de ter visto duas vezes, é como eles conseguem voltar no tempo exatamente naquele dia e horário desejado. Afinal de contas, a cápsula tem a função de inversão e é máquina do tempo ao mesmo tempo?

Responder
Diego/SM 3 de janeiro de 2021 - 23:23

Boa pergunta… fiquei com essa dúvida também (entre tantas outras kkkk!)

Responder
José Claudio 22 de dezembro de 2020 - 11:45

De certa forma é um filme de 007 (a unic a diferença é que o agente não come ninguem ).
Em uma única olhada fica difícil compreender o filme.
Na telona o filme é uma grande experiência (sensorial).
O filme realmente é um Sol(concordo contigo)…se fez primeiro o Sol e foi-se colocando os planetas em volta.
Gostei muito do filme…até por não ter compreendido tudo que ele ofereceu…acho que as explicações estão lá.
Será um daqueles filmes que a cada nova olhada vamos compreendendo melhor…aparentemente o filme tem vida própria.

Abs

Responder
planocritico 22 de dezembro de 2020 - 11:46

Sim, é um 007 sci-fi. Eu me diverti bastante, mas não é dos melhores do Nolan.

Abs,
Ritter.

Responder
AleCassia Aguiar 18 de dezembro de 2020 - 18:19

Nolan acerta muito nas brincadeiras com o tempo, num formato mais perceptível possível ao público em geral, o que sempre acho relevante em suas obras o intuído do diretor em explicar, as vezes até um pouco exagerado , e o faz com sensibilidade tamanhã para que até o mais desavisado espectador, tenha um mínimo de entendimento do que está ocorrendo na tela.

Não sei se entendi direito, mas a nota dada a película, foi mais em comparação com os próprios filmes do diretor, do que realmente ele é. Na minha concepção, seria pelo ao menos um Ótimo.

Responder
planocritico 18 de dezembro de 2020 - 18:19

Não, não. Nunca fazemos notas comparativas. Ela é absoluta. É “quanto vale” o filme para mim.

Abs,
Ritter.

Responder
Cley 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Vou citar Futebol Americano para falar sobre Tenet kkkk
Aaron Rodgers (Quarterback do Green Bay Packers): “Down years for me a lot of times are career years for others” traduzido no literal como “Anos ruins meus são comparaveis aos melhores anos de outros”
Dito isso, Tenet não é um dos melhores filmes do Nolan, mas ainda assim é um filme de ação com diversão válida, ótima trilha e efeitos.
Mesmo quando vai mal, Nolan acerta…

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 19:43

Concordo em gênero, número e grau!

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Estava dando 5 estrelas até a metade do filme. No momento que o Protagonista entra no tempo invertido é que tudo desanda. Pensei que jamais diria isso, mas foi justamente na lógica que o Nolan pecou.

Erros imperdoáveis.

Exemplos:

Tanto o Protaganista quanto Neil não utilizaram máscaras de oxigênio em inúmeros momentos, mesmo estando com a entropia invertida.

O Protagonista interagiu com a traficante de armas como se ambos estivessem na mesma linha temporal. Assim como o entorno deles se movimentava na mesma linha do tempo, enquanto que para o Protagonista a ótica deveria ser invertida. Tal como foi durante a perseguição de carros. Afinal, ele está caminhando para trás no tempo. Tal como a sua ferida no braço, que foi descicatrizando.

Tanto a esposa de Sator quanto o homem que a acompanhava na lancha estavam sem máscaras, mesmo nós vendo que o vento e as ondas estavam invertidas. Novamente, é impossível respirar com a inversão.

No início do filme quando ela vê a si mesma pulando da lancha, deveria ter visto de forma invertida. Pois uma estava em relação ao tempo, inversa da outra.

Todas as cenas de conflito foram trabalhadas com o conceito da inversão do tempo de forma correta. Mas todas as cenas “normais” não. A cena da batalha final, inclusive, temos o grupo da faixa azul invertidos em relação à vermelha. Mas o que acontece no fim? Neil, azul, interage normalmente com o Protagnista, vermelho.

Da metade pro fim o filme só vale uma estrela.
Ele não soube trabalhar a entropia.

Responder
Abrahão Juvencio 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Eles são iguais aos negacionistas do covid-19 não usam máscara nem a pau hahahahhahahah

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 19:43

Cara, para eu te responder, eu teria que ver esse filme novamente em câmara lenta e com um bloquinho ao lado. O que eu posso dizer em linhas gerais é que eu não senti esses furos que você aponta e, mais ainda, se eles estão lá (e eu não duvido que estejam), eles cumprem a função de evitar que a ciência atrapalhe o filme, pois, quando alguma obra fica presa demais às minúcias técnicas de algo, ela tende a se perder.

Mas um dia eu revejo para notar esses problemas que você apontou.

Abs,
Ritter.

Responder
Here's Johnny 18 de dezembro de 2020 - 18:19

Nossa, eu vi muita gente reclamando dessa questão das máscaras, mas eu não entendi o porquê.

Acho que você tá confundindo o fato deles estarem no passado com eles estarem com a entropia invertida, no caso todos esses inverteram a entropia para voltar no tempo, e reverteram o efeito uma vez que estavam no passado.

Responder
JujuExaltado 18 de dezembro de 2020 - 20:52

Não. Perceba as ondas do mar, dirigindo-se ao contrário. A entropia continuava invertida.

Responder
LRodrigues Junior 19 de dezembro de 2020 - 09:58

Os personagens ficam alternando entre a entropia invertida e o tempo normal. Logo após a perseguição, o protagonista é resgatado e eles seguem para o acidente de avião (nesse ponto, estão invertidos e o tempo indo para trás). No aeroporto, todos passam por aquela máquina e passam a andar no tempo normal, é quando o personagem encontra a traficante de arma que revela que eles devem ir até o navio onde há uma máquina de inversao. Lá, eles se invertem para a semana onde o Sator estava viajando com a familia. Nesse ponto, a Kat fica no tempo normal e segue o navio, o Protagonista e Neil seguem para a batalha, onde um está no tempo normal e o outro em entropia invertida.

Responder
cleverton 19 de dezembro de 2020 - 13:50

Uma coisa que passou despercebida por mim, o Sator que a gente vê durante o filme é de qual momento do tempo?

LRodrigues Junior 19 de dezembro de 2020 - 18:30

Cara, isso é um ponto que tb foquei na dúvida. Só assistindo o filme uma segunda vez pra ver se conseguimos entender isso rsrsrs

JujuExaltado 19 de dezembro de 2020 - 13:50

Você não entendeu. Na cena que as ondas do mar estão na direção inversa, eles estão sem máscaras.

Continuamos a ver o efeito da entropia no ambiente.

Esta cena que você cita de Neil e o Protagonista, ambos dialogam após a batalha. Salvo se um deles saiba falar de trás para frente…

Quanto ao momento que Protagonista conversa com a traficante de armas, sim, realmente deve ter sido isto.

LRodrigues Junior 19 de dezembro de 2020 - 13:50

Sim, sim, esqueci de mencionar especificamente esse detalhe. Tanto no barco quanto no conteiner, as paredes de ambos ambientes são forradas com plástico, acredito que isso seja algum tipo de isolamento/descompressão nesses locais, por isso eles não usam a máscara. No navio, antes de entrar na cabine, o protagonista está usando máscara, quando ele entra, passa por uma cortina de isolamento e retira a máscara.

Quanto ao Neil e o Protagonista no diálogo final, pelo que tinha entendido, o Neil estava invertido, mas durante a batalha usou a catraca que existia naquele local para poder ficar no tempo normal e salvar o Protagonista e o outro soldado da explosão. O ponto que não entendi é em que momento esse Neil voltou para levar aquele tiro na porta que separava o Protagonista do capanga russo.

LRodrigues Junior 19 de dezembro de 2020 - 13:50

Ah sim, esqueci de mencionar essas cenas especificamente. Eles estão sempre em ambientes isolados quando não usam máscara. Perceba que no conteiner e na cabine do návio, as paredes são revestidas de plástico, funcionando como áreas de contenção ou “descompressão”, tanto que no návio, na cena em que vemos as ondas na direção inversa, o Protagonista está usando máscara enquanto está fazendo flexões, quando ele entra na cabine, passa pela cortina plástica e tira máscara para falar com a Kat.
Na cena da batalha, o Neil começa inverso, mas depois passa pela catraca para pegar o carro e ir salvar o Protagonista e o outro soldado. Quando eles conversam, estão todos no tempo normal.

JujuExaltado 19 de dezembro de 2020 - 13:50

Ok, você venceu.

João Victor 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Eu realmente me diverti bastante durante o filme, daria umas 4 estrelas, apesar de ser confuso, ter o clássico problema dos filmes do Nolan (personagens com a profundidade de um pires), e quebrar a própria lógica interna várias vezes…

PS: falo “mal” do filme, mas já assisti duas vezes rsrs

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Acho justo. É entretenimento de alta qualidade mesmo. Nolan é um grande diretor, além de ter excelentes ideias para filmes originais. No mínimo dos mínimos ele não é o cara que só faz blockbusters na base de “continuações”, “reboots” e coisas do gênero.

Abs,
Ritter.

Responder
Abrahão Juvencio 17 de dezembro de 2020 - 10:12

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE Lançou a critica tava ansioso pra ver,
Bom, vamos por partes, primeiramente, caro senhor Ritter, sinto qu enão foi tão legal dar apenas 3 estrelas para um filme dessa magnitude apenas por ser um filme “fragmentado” e não ter um personagem principal.
Como a própria doutora disse: “não tente entender, sinta”, já é uma dica do próprio diretor a pessoa que está assistindo, o papo das viagens no tempo, da inversão da entropia e etc não são a trama em si, mas são apenas um plano de fundo pra trama principal que é “A desvalorização do agente de campo de grandes organizações militares” mano é tão na cara, que o personagem principal não tem nome, e luta para ser “protagonista” do seu próprio destino.
Outra cena que explicita isso é aquela guerra SUPER confusa,com os soldados sem nome, sem história e sem rosto que apenas são identificados por faixas azul e vermelha.
Outro ponto importante é a comparação entre o filme e o 007, até uma figura materna é apresentada ( a indiana mafiosa), só que diferentemente de 007 a trama é conduzida de maneira muito mas muito mais elegante que no 007
No mais, achei legal as atuações, principalmente a do Robertinho, e achei o vilão legal, a única coisa que eu não gostei foi que o ator Michael Cane simplesmente apareceu e saiu.

Daria 4,5 estrelas

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Hummm, não sei se isso que você coloca é mesmo a trama central. Pareceu mais um detalhe. E eu não compro totalmente o “não tente entender, só sinta”. Parece uma forma de dizer algo como “o roteiro não interessa muito, divirta-se apenas com as imagens”.

Mas fico feliz que tenha gostado tanto!

Abs,
Ritter.

Responder
Abrahão Juvencio 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Mas aí é que tá senhor Ritter, não é pra você não se importar com o
roteiro, mas não se importar com a inversão, além disso, roteiro não é
nem de longe a “alma” do filme

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 19:43

Nem de longe? Eu não sei se concordo com isso não…

Abs,
Ritter.

Responder
Abrahão Juvencio 17 de dezembro de 2020 - 19:44

SIM, o que é um roteiro EXTRAORDINÁRIO sem uma boa direção? Agora uma boa direção compensa sim um roteiro fraco, exemplo Tenet, 1917 Requiem For a Dream etc

planocritico 18 de dezembro de 2020 - 01:09

Requiem por um Sonho não tem um roteiro fraco.

Mas eu prefiro um roteiro que tenha algo a dizer e que não ganhe uma versão bonita na tela do que um roteiro vazio que ganhe uma versão bonita na tela.

Abs,
Ritter.

Abrahão Juvencio 18 de dezembro de 2020 - 12:40

Pois pensamos muito diferente senhor Ritter

planocritico 18 de dezembro de 2020 - 12:42

Faz parte!

Abs,
Ritter.

Handerson Ornelas. 17 de dezembro de 2020 - 10:11

Tu foi muito bondoso em dar 3 estrelas, Ritter.

Achei sofrível e a prova de como Nolan tem uma porrada de defeitos e vem numa decrescente absurda em sua filmografia. Espetáculo vazio, roteiro pífio e obra pra alimentar próprio ego.

1 estrela.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Vem numa decrescente é ótimo…O cara só tem filmaço no currículo. Tenet é a exceção e mesmo assim é bom.

– Ritter.

Responder
JujuExaltado 17 de dezembro de 2020 - 14:34

O último filme do Nolan não foi Dunkirk? Aquele filme é maravilhoso, apesar do Branagh.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 19:43

Exato. Dunkirk. Sensacional o filme!

Abs,
Ritter.

Responder
Risonete Nunes Pereira 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Concordo com você, acho que ele tinha uma “bela ideia central solta” e utilizou um sistema harmônico e até mesmo clichê, para inserir essa “bela ideia central solta” o que gerou uma entropia. Diferente de A origem que ele tinha ideia completa

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:51

Sim, por aí mesmo.

Abs,
Ritter.

Responder
Bernardo Barroso Neto 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Daria uma nota de 3,5, mas concordo com a crítica em geral.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Cheguei a pensar em 3,5. Digamos que dei 3 com viés de alta!

Abs,
Ritter.

Responder
Leônidas Sparta 16 de dezembro de 2020 - 16:49

É de longe a versão mais louca de 007 e viagem no tempo, se fosse só a viagem seria top, mas uma munição que vem do futuro e que vc atira ao contrário foi a coisa mais insana sem noção e absurda que a ficção poderia criar…a falta de criatividade cria roteiros sem pé nem cabeça ou absurdas demais para qualquer ser inteligente…

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Falta de criatividade? Nossa. Nisso discordo completamente. Tem é que ter MUITA criatividade para chegar nesse conceito.

Abs,
Ritter.

Responder
Diego/SM 3 de janeiro de 2021 - 19:18

Na verdade, o problema parece ter sido EXCESSO de criatividade!… hahaha

Responder
JujuExaltado 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Pior que a reversão da entropia é real. O que soou muito estranho e absurdo foi a forma como o Nolan imaginou que lidaríamos com essa inversão. Tipo o Protagonista recolhendo uma bala simplesmente por que fez um movimento de jogá-la. Como se a bala reagisse ao movimento.

Assim, para quem não leva tão a sério o conceito científico, provavelmente simplesmente aceitará. Mas a expectativa que criamos do Nolan é que ele será a pessoa a ser capaz de levar às telas os absurdos da ciência com certa fidedignidade. Neste filme, ele falhou.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Eu gostei do filme como espetáculo de ação, um filme de 007 hightech e “cabeça” (aliás, imagino que Nolan faria em um filme de Bond!),mas concordo no tocante a falta de uma protagonista relacionável. Não por acaso ele sequer tem um nome, o que nos permite inferir que é um elemento secundário mesmo para o diretor. Também senti falta da mão de Jonathan Nolan na elaboração do roteiro. A pseudo filosofia de alguns diálogos pretensamente rebuscados ora me irritou, ora teve efeito cômico. Provavelmente não entrará para o hall dos melhores trabalhos do direto, mas vá, ainda é um filme de Christopher Nolan sendo, portanto, acima da média.
ABS

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:43

Em essência, é o que penso também.

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 16 de dezembro de 2020 - 14:43

Esqueci de mencionar no comentário, mas a trilha de Ludwig Göransson , nos momentos mais intimistas, me lembrou bastante o estilo do saudoso Jóhann Jóhannsson. Esse cara vai longe!!!

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Ele manda muito bem mesmo. A trilha dele em Mandalorian é espetacular.

Abs,
Ritter.

Responder
Victor Martins 17 de dezembro de 2020 - 14:34

A Hildur Guðnadóttir, de Joker e Chernobyl, também é outra compositora nórdica que se inspira no Jóhansson. Ele deixou vários pupilos.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 14:34

Belíssima a trilha de Joker.

Abs,
Ritter.

JujuExaltado 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Eu tentei assistir a esse filme dias atrás, mas não estava com clima para ver o Branagh atuando. Acho ele prepotente e fraco. (Aquele Hamlet dele até hoje eu uso como referência para quando um ator atua para se enaltecer como ator).

Por outro lado já ouvi a trilha sonora inúmeras vezes. Soberba!
Hoje à noite assistirei ao filme e voltarei aqui.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:43

Engraçado. Não acho essa uma trilha “escutável” fora do filme. É como as do Hans Zimmer que só funcionam bem de verdade dentro da narrativa.

Mas tente ver o filme. O Branagh está vivendo um vilão bem vilanesco e é divertido.

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 16 de dezembro de 2020 - 14:43

Sou fã de Steve Reich, etc. Então eu gosto deste estilo de música com estruturas e padrões.

Responder
Victor Martins 17 de dezembro de 2020 - 10:11

Cuidado que os “Guardiões do Hans Zimmer” vão já aparecer por aqui pra te xingar.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2020 - 10:11

Eu sei. Corro mesmo esse sério risco!

Abs,
Ritter.

Responder
JujuExaltado 17 de dezembro de 2020 - 10:12

Né? A trilha sonora de Dunkirk é uma obra que não precisa do filme para se ouvir. The Mole é perfeita.

Responder
Victor Martins 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Eu concordo que o filme não chega a ser ruim, mas também não acho que é diferente da maioria dos filmes de ação que estão por aí. Já vi filmes da Marvel e da DC com melhores personagens e atuações. E até do mesmo diretor, como a trilogia do Batman.
The Old Guard, por exemplo, tambem é melhor que Tenet.

Claro que o conceito original não me deixa chamar o filme de genérico (seria burrice fazer isso), mas eu me incomodei muito com os personagens arquétipos (a esposa em apuros, o vilão Jamesbondiano, o herói canastrão, etc) e também achei as atuações bem caricatas, tirando a do Pattinson, que é o que mais consegue fazer alguma coisa diferente aqui.
E os diálogos ? Nível novela da Globo. “Se eu não posso te ter, ninguém terá” e aquele diálogo no telefone entre o vilão e o Protagonista, terrível.

E a batalha final ? Os soldados lutando contra ninguém, já que eles não mostram com quem eles estão trocando tiros. Seres invisíveis.

Eu também gosto de Dunkirk, apesar de não achar genial, tenho a opinião de que o Nolan deveria ter ganhado o Oscar de Melhor Diretor ali.

Enfim, potencial desperdiçado em Tenet. Uma pena.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:43

Ah, eu acho diferente. A reunião das premissas e conceitos com a execução impecável das sequências de ação colocam Tenet em patamar superior em relação ao “resto”. É a diferença entre o “memorável” – para o bem ou para o mal – e o “genérico” que é o que vemos na maioria das vezes.

Abs,
Ritter.

Responder
Kevin Rick 16 de dezembro de 2020 - 12:02

Ótima crítica, meu caro! Eu daria a mesma nota que você, mas também considero esse o filme mais fraco de Nolan (o que é um tremendo elogio considerando que esse filme não é nem de longe ruim).

Um grande criticismo público geral de Nolan é a explicação e mastigação dos acontecimentos sci-fi para a audiência. Temos a cena do buraco negro em Interestelar, os diálogos de DiCaprio e Ellen Page em A Origem, e por aí vai. Eu não vejo problema nisso, mas parece ser algo que o diretor quis retificar aqui, construindo sua obra mais complexa de acompanhar. Ironicamente, como você mesmo pontuou, o plot central do Sator e tudo mais, é bem simples e telegrafado. Bem engraçado, considerando a complicada narrativa temporal.

Ainda gosto da obra, do mesmo tanto que você, afinal, pelo menos é um inventivo filme de ação. Mas não tem como não ficar decepcionado depois assisti-la, especialmente se é um fã de Nolan.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Também não tenho problema com as explicações do Nolan não, mas concordo com você que, aqui, ele meio que tentou abordar essa crítica e aí acabou fazendo algo aquém do que poderia ter sido… Mas Tenet, mesmo assim, consegue ser fascinante.

Abs,
Ritter.

Responder
Cahê Gündel 🇦🇹 16 de dezembro de 2020 - 12:01

Eu assisti duas vezes ao filme e até agora não sei o que pensar. As cenas de ação são espetaculares, principalmente a dos primeiros minutos no teatro e aquela perseguição “ao contrário”, mas o tempo todo eu fiquei com a sensação do “tá, e aí?” Se eu seguir o conselho da moça para o Protagonista no começo do filme (“não tente entender, sinta”, ou algo assim), digo que é um baita filme, muito acima dos filmes de ação atuais, como tu escreveste.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:42

@cahegundel:disqus , quando a cientista deu o conselho ao Protagonista, eu meio que entendi que era mesmo para nós, he, he, he…

Abs,
Ritter.

Responder
Here's Johnny 16 de dezembro de 2020 - 12:01

Meu deus, 5 anos pra escrever esse roteiro.

Já tem um tempo que eu sinto que o Nolan precisa contratar um roteirista, e esse filme foi minha certeza pra isso.

Achei o pior filme que o diretor já fez.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Talvez seja o pior dele, mas não é ruim. Essa é a diferença!

Abs,
Ritter.

Responder
Here's Johnny 16 de dezembro de 2020 - 16:49

Também não achei ruim, acho que entrega o mínimo que um blockbuster de ação tem que entregar.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:51

Diria que foi mais do que o mínimo pela forma como ele executa as cenas de ação. Mas é por aí.

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 16 de dezembro de 2020 - 12:01

O filme é bom e tem uma história interessante, mas as cenas de ação por não serem convencionais eu achei confusas e chatas, principalmente as cenas de briga corporal, parecia dois bêbados brigando. Não é um filme que eu vá ver de novo não, tipo interestelar ou dunnkirk.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:42

Chatas eu não achei de jeito algum. Confusas certamente!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 16 de dezembro de 2020 - 10:44

A milícia “Guardiões do Nolan” ainda não apareceu por aqui pra te chamar de CRÍTICO ARROMBADO BOSTA LIXO PREPOTENDE DO CARALHO porque não deu 5 estrelas pro filme??? Tsc tsc tsc… decepção/atrás/de/decepção.

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Here's Johnny 16 de dezembro de 2020 - 12:02

Essa milícia do Nolan diminuiu absurdamente nos últimos anos, o grupo mais chato relacionado ao Nolan hoje em dia é o cinéfilo twitteiro hater que tem que dizer a cada momento o quão pretensioso e superestimado ele é, porque “hey, você gosta desse diretor de blockbusters? Patético, eu gosto de uma forma de arte superior.”

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planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:43

@disqus_zUdHtnrTCC:disqus , pior é que é bem por aí mesmo… E eu vejo isso também com o Tarantino…

Eu acho o Nolan espetacular. Não foi o caso de Tenet, mas em geral o cara é bom demais.

Abs,
Ritter.

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Here's Johnny 16 de dezembro de 2020 - 16:49

A questão com o Tarantino eu considero até pior, tem uma galera na internet que usa qualquer coisa nos filmes dele pra tratar o cara como um criminoso.

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planocritico 16 de dezembro de 2020 - 16:51

Pois é… Eu entendo não gostar, mas daí a dizer que ele não é bom diretor e coisas do gênero é impensável.

Abs,
Ritter.

planocritico 16 de dezembro de 2020 - 14:42

As duas outras estrelas estão invertidas e caminhando para o passado…

Sba,
Rettir.

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Anônimo 17 de dezembro de 2020 - 21:24
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