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Crítica | Terrores Urbanos – A Série Completa

por Leonardo Campos
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Os filmes de terror brasileiros contemporâneos atravessam uma fase bastante proveitosa, o que nos permite ter um arsenal de produções no estilo, indo além da classificação do sombrio Zé do Caixão como única vertente nacional no gênero. Não que o mestre do horror seja menos importante, mas é que durante décadas não tínhamos em nosso catálogo uma lista de filmes mais versáteis. Atualmente, exorcismos, lobisomens, zumbis, casas assombradas e narrativas na linha slasher compõem o panorama do horror no Brasil. Na seara televisiva a mesma coisa. Os eixos temáticos mais comuns são os dramas baseados em fatos e personalidades históricas ou as adaptações de obras literárias canônicas.

Terrores Urbanos, lançada em 2019, era uma série com potencial para alavancar o gênero no formato seriado, mas as intenções se perderam pelas bifurcações do estreito e perigoso caminho do equívoco. Parceria entre a Rede Record e a Sentimental Filmes, a série foi produzida em cinco episódios, no estilo Black Mirror, isto é, tramas independentes entre si, conectadas pela linha temática geral, as lendas urbanas. A loira do Banheiro, A Gangue dos Palhaços, O Quadro do Menino Que Chora, O Boneco Amigão e O Homem do Saco são os temas que regem cada episódio.

O desenvolvimento em A Loira do Banheiro é mediano, com potencial crítica desperdiçada, haja vista a preocupação dos envolvidos no malabarismo estético, sem se dar conta de que podiam unificar as duas pontas. A Gangue dos Palhaços é o episódio com maior cuidado na montagem e traz a tentativa de analisar rapidamente a violência urbana e a corrupção no Brasil, com estilo que nos remonta aos filmes da franquia Uma Noite de Crime, entretanto, falha demais nos diálogos. O Quadro do Menino Que Chora é o episódio com melhor atmosfera, história potencialmente sobrenatural, mas escorrega nos excessos, isto é, no sangue. O Boneco Amigão traz cautela cenográfica, desempenho convincente da atriz Natália Lage, mas uma história que mescla o que já vimos em Brinquedo Assassino e Joshua – O Filho do Mal. Em O Homem do Saco, os realizadores trazem o enredo mais brasileiro da trama, narrativa que começa bem, desenvolve-se com bom ritmo, mas tem um desfecho muito impróprio.

Em suma, cinco episódios equivocados, apesar de boas tentativas entre um momento e outro. Criada por Maristela Mattos e Thais Falcão, a série teve Fernando Coimbra, Juliana Rojas e Felipe C. Adami como diretores responsáveis pela execução dos roteiros. Para colaborar na condução das cinco histórias, Glauco Firpo e Adrian Teijido assumiram a eficiente direção de fotografia. Na condução musical, Daniel Castanheira e Ricardo Cutz dão o devido tom de horror aos acontecimentos, numa parceria que em alguns trechos mescla momentos adequados e noutros, pesam demais a mão e caem na cultura do excesso.

Com grande potencial para refletir questões sociais em meio às histórias já eternizadas em filmes e séries estrangeiras, Terrores Urbanos capricha na equipe técnica e na seleção do elenco, mas se torna errônea em sua tentativa de ser, digamos, diferente. Episódios com desfechos questionáveis e roteiros problemáticos do início ao final de cada episódio caracterizam esta ousada tentativa de fortalecer o terror na indústria audiovisual nacional. As imprecisões apontadas são de ordem distinta: diálogos pouco naturais e arrastados, apresentação longa de personagens diante dos quarenta minutos de duração, pouco domínio da tensão, erguida graças ao excesso de jumpscare e também ao trabalho atmosférico produzido pela equipe do design de produção, setor que contou com as habilidades de Rita Faustini.

Inicialmente veiculada pelo serviço de streaming Play Pluss, Terrores Urbanos é, tal como já apontado, um avanço na seara do terror brasileiro, além de ser uma fagulha de versatilidade do conteúdo veiculado pela Record, rede que geralmente produz material unicamente de temática bíblica. As fórmulas aplicadas na série, infelizmente, já estão desgastadas, pois já foram demasiadamente utilizadas no cinema. As ressonâncias estadunidenses em algumas ações dos personagens também provocam algum estranhamento, mas comercialmente podemos compreender a proposta, pois com certeza os envolvidos pensaram nas plateias internacionais ao realizar determinadas escolhas estéticas e narrativas.

Terrores Urbanos – A Série Completa — Brasil, 2019
Criação: Maristela Mattos, Thais Falcão
Direção: Fernando Coimbra, Juliana Rojas, Felipe C. Adami
Roteiro: Ludmila Naves, Ricardo Inhan, Celso Duvecchi, Maristela Mattos, Thais Falcão
Elenco: Natalia Lage, Julia Lund, Cristina Lago, Helena Albergaria, Augusto Madeira, Enzo Barone, Igor Moraes, Rafaela Mandelli, André Bankoff, Luciano Bortoluzzi, João Signorelli, Roberto Audio, André Guerreiro Lopes
Duração: 45 min (cada episódio)

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1 comentário

Andressa Gomes 6 de março de 2019 - 13:38

Não assisti, mas minha prima que teve acesso aos episódios disse que o melhorzinho era Gangue dos Palhaços, e que o mais decepcionante foi Loira do Banheiro.
Quando era criança me fascinava e assustava com histórias e lendas contatadas na época, lembro de um livro que li com uma junção de lendas brasileiras onde não lembro o título_ ele tinha a capa preta e figuras em desenhos tensos e poucas cores_ que estava na sessão infanto juvenil na biblioteca da escola, tinha desde a loira do banheiro, as histórias relacionadas com lendas de fora, e em estados especificos do país.
Se fizessem uma série de suspense com aquelas histórias e algumas lendas brasileiras seria ótimo. Quando vi os boatos da record fazer, esperei que eles colocassem a do “Corpo Seco”. Tem tantas histórias interessantes, queria muito que alguém adaptasse.

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