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Crítica | Tex #300: A Lança de Fogo

por Luiz Santiago
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Há um elemento de similaridade entre A Lança de Fogo (1989) e o Especial centenário anterior de Tex, lançado em 1977 e intitulado O Ídolo de Cristal. Em ambas as histórias Gianluigi Bonelli pensou em uma perseguição, e no presente volume ele conseguiu polir de modo muitíssimo mais interessante a cavalgada de Tex, Kit, Carson e Jack Tigre para recuperarem algo que foi roubado. A primeira página da aventura começa com a narração de uma lenda que causa um pouco de susto do leitor, que fica tentando imaginar como esses eventos de caráter sobrenatural podem ter um papel impulsionador para o volume. Passam-se alguns quadros e o roteirista lança um novo filtro para essa história. A lenda tem o seu papel de importância para os índios, mas os bandidos estão de olho em outra coisa.

Na maior parte do Especial acompanhamos o grupo de Tex e o bando que roubou a lança do Museu Indígena — e matou o segurança hopi do local — cavalgando separados. O recurso é de certa forma arriscado, mas Bonelli o desenvolveu de maneira fantástica, majoritariamente com uma interessante fluidez entre um bloco e outro, criando situações particulares para cada grupo a fim de mantê-los interessantes por si só, de modo que o leitor está feliz em acompanhar essa perseguição mesmo que não haja de fato muita ação ao longo de todo o desenvolvimento da história.

O período de extensão da aventura permite que a gente veja os grupos pararem em diversos espaços geográficos, enfrentarem diferentes obstáculos naturais (a noite do temporal é um momento de destaque tenso e muito bem diagramado) e ponderarem diferentes trilhas para percorrer… até que finalmente se encontram. Esse momento final eu imaginava que seria bem mais intenso do que realmente foi, mas acabei achando interessante o modo quase diplomático com que o autor resolveu encerrar o volume.

Os desenhos de Aurelio Galleppini são simplesmente maravilhosos aqui. Como levantei antes, o espaço geográfico tem um grande peso na história, assim, vemos cenas incríveis dos grupos no Deserto Pintado (Drama no Deserto, uma graphic novel de Tex de 2016, também explora de modo muito bom esse território); no Parque Nacional da Floresta Petrificada e também no território de antiga cultura Mogollon. Há muita beleza nos quadros e o artista dá uma forte identidade visual a cada novo território percorrido, aproveitando a passagem do tempo ou os direcionamentos dramáticos do texto para criar novas sensações no leitor. E claro, vale também o elogio para a excelente aplicação de cores dessa edição Especial.

A Lança de Fogo é uma história que coloca Tex e seus pards em ação quase que por acaso, e talvez esse início menos urgente faz com que a aventura tenha um sabor diferente, com roteiro e arte verdadeiramente aproveitando a jornada de perseguição muito mais do que a verdadeira resolução do caso.

Tex #300 – A Lança de Fogo (La Lancia di Fuoco) — Itália, 1989
No Brasil: Tex – Edição Especial Colorida n°4 (Globo, 1994), Tex Coleção n°353 (Mythos, 2014)
Roteiro: Gianluigi Bonelli
Arte: Aurelio Galleppini
Capa: Aurelio Galleppini
116 páginas

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