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Crítica | Tex #600: Os Demônios da Noite

por Luiz Santiago
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A leitura de Os Demônios da Noite me fez lembrar o tempo inteiro de um dos westerns mais lancinantes que eu já assisti na vida, o sensacional Rastro de Maldade (Bone Tomahawk), lançado em 2015. Tanto no filme quanto neste Especial centenário escrito por Mauro Boselli, um grupo de nativos violentos, impiedosos e canibais são perseguidos pelos mocinhos do enredo, e dão um verdadeiro trabalho antes da amarga e quase milagrosa vitória de seus inimigos.

Na trama, Tex e seus pards vão até o Canadá prestar ajuda a Jim Brandon. Eles já haviam sido avisados com antecedência pelo homem de medicina da tribo central na Reserva Navajo, após um sonho macabro que tivera. Agora o grupo precisa desvendar o macabro massacre ocorrido no Forte Hope, onde os soldados parecem ter sido destroçados e em seguida assados. Aos heróis, juntam-se os indígenas Raposa Negra e Lontra, os caçadores Danglard e Louis, além do médico Stevenson, da Polícia Montada. Seguindo pistas difíceis deixadas pelos inimigos, a expedição se depara com os Homens-Lobo, os vilões da edição, que se movem em meio à densa neblina e promovem o terror na região, reforçando a lenda de que são espíritos malignos e imortais.

A ação já esperada da revista é misturada a uma excelente veia de terror, sendo o sobrenatural retratado de modo dinâmico, sempre mudando de interpretação dependendo de quem olha, de quem analisa o caso. A questão é que o horror tem uma cara, um corpo e deixa vítimas pelo caminho, de modo que a investigação promovida por Tex, Kit, Carson e Jack Tigre nas terras do norte são “apenas” mais um capítulo no meio de tantas coisas inicialmente sem muita explicação que eles já tiveram que enfrentar em suas andanças.

O encadeamento de eventos nesse Especial é digno de um bom faroeste cinematográfico, sendo a luta noturna no Forte uma das que melhor representam a força e o dinamismo dessa edição. Giovanni Ticci cria ângulos bem dramáticos nesses momentos da história e consegue nos passar um pouco da atmosfera medonha que aqui impera, com sua arte de expressões mais distorcidas e sombreadas; um artista bem escolhido para dar vida a um roteiro como este.

Não é de hoje que Tex e seus pards enfrentam inimigos com aura mística, mas os infelizes que temos aqui em Os Demônios da Noite são um desafio e tanto para eles, ganhando até observações bem precisas de Kit Carson em relação a isso, quando diz que já visitou muitos lugares ao lado de Tex, mas que nunca tinham colocado o Inferno na lista… até ali. Gosto muito da claustrofobia e clima de desespero da sequência final, com os mocinhos levando fogo para o covil dos canibais. O negócio com o vulcão me pareceu um exagero desnecessário do roteiro, mas nada que tenha tido peso suficiente para tirar as boas conquistas desse Especial.

Tex #600: Os Demônios da Noite (I Demoni del Nord) — Itália, 2014
No Brasil:
Tex n°500 (Mythos, 2011)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Giovanni Ticci
Capa: Claudio Villa
116 páginas

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