Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Tex #700: O Ouro dos Pawnees

Crítica | Tex #700: O Ouro dos Pawnees

por Luiz Santiago
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As linhas de sinopse oficial dessa histórica aventura de Tex nos apresentam da seguinte forma a aventura: há muito tempo atrás, enquanto percorriam as pradarias do Oeste, quatro jovens amigos se depararam com um bando de ferozes índios sioux em perseguição a uma menina índia. Um dos rapazes era Tex Willer, que salva a vida da garota. Anos mais tarde, Águia da Noite recebe uma mensagem com um pedido de ajuda da velha amiga e parte em seu socorro, junto com Carson, Jack, e Kit. Este é o foco do presente Especial. Um olhar para o passado com algumas de suas consequências no presente.

Mauro Boselli conseguiu escapar da prisão do flashback nessa edição, não estendendo demais a memória de Tex sobre o que aconteceu anos antes, mas dando informações suficientes a fim de que o volume funcionasse como um bom guia para os texianos encaixarem algumas peças na linha cronológica do personagem (e aos leitores antigos, pergunto: isso foi um retcon mesmo ou é só boato dos reclamões da internet?). Com uma aproximação simbólica, o autor inicia a sua narrativa com Tex, Carson, Kit e Jack Tigre nas montanhas navajo, três deles se preparando para mergulhar e chegar ao local onde o antigo tesouro daquele povo está escondido. Aqui o autor costura muitos eventos e muitas cenas que casam com aquilo que ele mesmo apresentou nas Aventuras de Tex Quando Jovem, especialmente nas edições #3 (O Segredo do Medalhão) e #4 (A Caverna do Tesouro).

Essa aproximação parece demorar um pouco para surtir efeito logo no começo, mas quando o autor coloca Tesah em cena e faz com que Tex e seus pards apareçam no caminho da princesa pawnee, salvando-a do drama na diligência, o roteiro alcança grande organicidade e flui de modo exemplar até o final da revista. Os pequenos obstáculos de meio do caminho servem como tempero para o encadeamento dos eventos e complica a caçada dos mocinhos — mais uma vez, rastrear qualquer um que saiba da localização de um grande tesouro indígena é algo que Tex não pode deixar passar.

A cena do jantar de todo o grupo, após o tenso encontro no meio do caminho (refiro-me ao momento em que a diligência foi abordada pelos bandidos que queriam sequestrar Tesah) é a minha favorita da edição. Há um clima de distensão do nervosismo nesse ponto da história e o diálogo entre todos aqui é um dos mais gostosos de todo o volume. Aqui o autor também procura criar pontos levemente isolados de intriga (há um traidor no meio deles!), para ligá-los à linha principal de eventos na reta final da história, garantindo os olhares atentos do público durante toda a leitura.

O Ouro dos Pawnees é uma grande marca editorial para Tex e para a Sergio Bonelli Editora (700 edições da série regular de um personagem, considerando que cada mensal tem 100 páginas, não é pra qualquer um não!). Uma saga divertida envolvendo uma velha amiga do protagonista. É fato que eu ainda preferiria que Boselli desse maior autonomia para Tesah e permitisse que ela arquitetasse algo sozinha ou pelo menos tivesse uma participação ativa no enredo, sem servir apenas de isca ou de ser amparada pelo paternalismo de Tex. Mas considerando o contexto em que estão inseridos e o histórico de encontro desses dois personagens, já era de se esperar que o texto fosse por esse caminho. Quem sabe a princesa pawnee não faça algo diferente no próximo centenário?

Tex #700: O Ouro dos Pawnees (L’oro dei Pawnee) — Itália, 2019
No Brasil:
Tex n°600 (Mythos, 2019)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Fabio Civitelli
Cores: Oscar Celestini
Capa: Claudio Villa
116 páginas

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