Crítica | Tex Graphic Novel #6: O Vingador

plano critico tex graphic novel o vingador

ATENÇÃO: Antes de começar a crítica é importante fazer neste parágrafo inicial um esclarecimento. A indicação numérica dos títulos desta série (assim como de qualquer outro quadrinho já publicado aqui no Plano Crítico) segue, por motivos óbvios, a numeração original — nesse caso, da Sergio Bonelli Editore. Embora tenha sido publicado pela Mythos como Vol.5, O Vingador é originalmente o Vol.6 da série. O quinto volume foi uma história colorizada (por Oscar Celestini) de 1971, assinada por Gianluigi Bonelli e desenhada por Aurelio Galleppini. Esta história, intitulada Os Exterminadores, já foi publicada aqui no Brasil, na Tex Edição Histórica #68, em dezembro de 2005. Caso ainda haja alguma dúvida, você pode verificar na fonte original, o site da própria Bonelli, clicando aqui. No mais, todas as informações referentes à publicação (inclusive sua numeração editorial brasileira) são fornecidas na ficha técnica ao final da crítica.

Uma das coisas mais interessantes de se ver nas histórias em quadrinhos é a expansão de um Universo já bastante conhecido, com detalhes, justificativas e “preenchimento de espaços” (leia-se “possibilidades“) na linha do tempo de personagens, como acontece com Tex nesta série Graphic Novel e também em uma outra que estreou 3 anos depois, Tex Willer – As Aventuras de Tex Quando Jovem. Nestes dois casos, a Bonelli se empenha em mostrar, sob ponto de vista e propostas estéticas diferentes, como se passaram eventos-chave na vida do Águia da Noite e quais foram os caminhos percorridos por ele no intervalo entre as conhecidas histórias a partir da seminal O Totem Misterioso. Ainda vale lembrar que enquanto Tex Willer dedica-se exclusivamente às andanças jovens do Águia da Noite, as Graphic Novels misturam diversos momentos de sua trajetória.

Em O Vingador, Tex está em uma trilha de vingança pelo assassinato de seu pai. O texto de Mauro Boselli não é nada óbvio na forma como organiza os diferentes tempos da história e o corte visual de uma cena para outra mostra o ótimo trabalho do artista Stefano Andreucci, mostrando cada um desses momentos de vingança e o longo rastro de sangue que ela deixa pelo caminho. A história vai se tornando mais e mais frenética porque Tex não está disposto a perdoar sequer um bandido ligado ao assassinato de seu pai e a cavalgada pela vingança adiciona ainda mais elos sujos à grande corrente de corrupção no Texas e no México. Nesse meio tempo, o protagonista tem a cabeça colocada a prêmio por um poderoso rancheiro aliado dos assassinos, e novamente atravessa a fronteira em busca do bandido Juan Cortina, trazendo agilidade para esta edição, com passagens muito rápidas entre dia e noite e nenhum tempo para o leitor respirar.

PLANO CRITICO TEX WILLER O VINGADOR

O começo de tudo…

O único elemento meio solto da história é a organização da linha de vingança, que só ganha melhor suporte no final do volume, tendo reticências no início, pela dificuldade de o leitor acompanhar quem está ligado a o quê. Embora isso não atrapalhe a leitura — já que a bandeira de vingança e fuga está o tempo inteiro hasteada — certamente traz algumas páginas de confusão ou dubiedade em relação à justificativa direta entre as ações de Tex e este ou aquele personagem.

Ainda vale elogiar o excelente trabalho de cores de Matteo Vattani, criando belíssimas atmosferas dramáticas sem descaracterizar os espaços naturais e valendo-se muito bem do momento do dia (ou noite) para intensificar as emoções representadas pela arte. Com o protagonista movimentando-se o tempo inteiro e verdadeiras sequências de ares cinematográficos, O Vingador mostra Tex ainda formando a sua visão de mundo e aprendendo como agir ou julgar em determinadas situações. E ainda mais interessante, mostra o personagem sendo caçado pela primeira vez, isso antes do assassinato de seu irmão, que é quando as coisas se tornarão ainda mais intensas para ele.

Tex: Il vendicatore (Tex Romanzi a Fumetti #6) — Itália, setembro de 2017
Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Tex Graphic Novel n°5 (Editora Mythos, junho de 2018)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Stefano Andreucci
Cores: Matteo Vattani
Capa: Stefano Andreucci
52 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.