Crítica | Tex Graphic Novel #7: Justiça em Corpus Christi

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  • Sobre a numeração usada nesta série, favor ler o primeiro parágrafo desta crítica.

As cores quentes de Matteo Vattani e a grande marca deixada pela arte de Corrado Mastantuono são os ingredientes mais fortes desta sétima Tex Graphic Novel, intitulada Justiça em Corpus Christi. Além de ser uma continuação dos eventos do volume anterior, a saga funciona como um capítulo dessa espécie de “Ano Zero” de Tex, onde encontramos histórias — lançadas a partir de uma safra anterior ao presente volume — que tratam de eventos que antecedem O Totem Misterioso (1948), começando por O Nascimento de Um Herói (Nueces Valley, 2017), seguindo por O Vingador (2017), a presente Justiça em Corpus Christi (2018) e também A Última Vingança (2018), O Magnífico Fora da Lei (2017), Vivo ou Morto! (2018), A Quadrilha de Red Bill (2018) e metade de O Segredo do Medalhão (2019) — isso pelo menos até o momento em que escrevo esta crítica (agosto de 2019).

Aqui, Tex continua no rastro dos bandidos que o acusaram falsamente de roubar gado e cometer assassinatos e que colocaram sua cabeça a prêmio, uma realidade com a qual o personagem precisará lidar por um bom tempo, especialmente depois do assassinato de seu irmão, que nesta história, ainda está vivo. É muito bem ver esse tipo de abordagem para a vida do personagem quando jovem, especialmente porque nos dá a oportunidade de acompanhá-lo com outro tipo de comportamento, mostrando-o num processo de aprendizagem bastante rápido, com destaque para as cenas de perseguição, disfarce de rastros pelo deserto ou pradaria e leitura de movimentos no escuro ou em possíveis lugares de armadilhas.

Alguns leitores, por algum motivo, tendem a negar esse tipo de aventura “por mostrar um Tex diferente daquilo a que estamos acostumados“, o que é um contrassenso e uma birra bastante infantil e sem sentido, já que não seria nada aceitável que um roteiro que se propõe a mostrar a juventude de um personagem faça-o com diálogos, sabedoria, habilidades refinadas e diversos truques que este mesmo personagem tem quando mais velho. Se não é algo possível sequer na realidade, quem dirá na ficção. E Mauro Boselli ainda ressalta essa diferença através da abordagem do jovem Tex para os problemas que enfrenta e pela forma como vai aprendendo a agir em situações de crise, mesmo já tendo um bom tino para isso e já sendo um exímio atirador e respeitado cowboy.

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A sequência da armadilha no Penitentes de San José é uma das minhas favoritas da edição. O local existe de fato e, na realidade, se chama Penitente Canyon, hoje localizado no Estado do Colorado. Também vale destacar que ocorre nesse volume aquelas mudanças que a Bonelli sempre faz ao retratar lugares dos Estados Unidos, a fim de evitar problemas. A cidade de Corpus Christi existe de verdade e fica mesmo no Estado do Texas, mas é uma cidade litorânea, diferente dessa em pleno deserto que vemos aqui na história. Essa mudança, no entanto, serviu muito bem para destacar o excelente trabalho de cores, com bastante contraste, muitas sombras e paleta quente, tornando o lugar visualmente opressivo e toda essa ágil aventura ainda mais bela.

Justiça em Corpus Christi é um conto cheio de ação e assim como O Vingador, com os personagens em constante movimento, especialmente quando o objetivo-guia das ações no roteiro é a vingança de alguém como Tex. Realmente não há descanso.

Tex: Giustizia a Corpus Christi (Tex Romanzi a Fumetti #7) — Itália, fevereiro de 2018
Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Tex Graphic Novel n°6 (Editora Mythos, dezembro de 2018)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Corrado Mastantuono
Cores: Matteo Vattani
Capa: Corrado Mastantuono
52 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.